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Cafeicultor brasileiro busca quase US$ 20 mil por saca de raro café eugenioides
Por Oliver Griffin, da Reuters (com edição de Gabriela Kaneto, da Espresso)
Luiz Paulo Dias Pereira Filho, quarta geração de fazendeiros, disse que está aumentando as vendas da única plantação brasileira do raro café eugenioides (Coffea eugenioides), um ancestral da planta arábica, com o objetivo de obter até 50 vezes o preço atual do arábica, de quase US$ 400 a saca.
Produtor da fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas (MG), ele pretende vender 10 sacas padronizadas de 60 kg de eugenioides por R$ 1 milhão. “É um café com muita doçura, de corpo aveludado, cítrico e floral acima da média”, diz Pereira à Espresso sobre a espécie rara.
Historicamente, ele tem vendido sacas de eugenioides para clientes internacionais, como Taiwan, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e França. No ano passado, foram comercializadas três sacas por R$ 90 mil reais (US$ 17.148) cada.
As vendas ressaltam o apetite por cafés especiais de nicho, com variedades e espécies pouco conhecidas, mas que resultam em experiências diferentes na xícara. “O interesse pelo eugenioides agora me parece muito semelhante ao interesse pela variedade gesha no início dos anos 2000”, diz Kim Ionescu, diretor de desenvolvimento de estratégia da Specialty Coffee Association (SCA), destacando a escassez e o sabor único que o tornam um produto de luxo.
Sensível ao clima e de difícil cultivo, as plantas de eugenioides têm baixa produtividade. “É uma variedade extremamente sensível, especialmente em relação a doenças. Por isso, exige um nível de cuidado significativamente maior, cerca de dez vezes superior ao necessário para cultivares de café arábica já melhoradas geneticamente no Brasil”, afirma Pereira, que espera que cada um de seus cinco hectares plantados com a espécie produza apenas duas sacas cada – menos de um décimo do rendimento médio do arábica.
Ele comenta que conheceu apenas algumas outras fazendas no mundo que cultivam eugenioides comercialmente, uma delas foi a Fazenda Imaculada, na Colômbia, onde ele ganhou as sementes que iniciaram sua produção em solo brasileiro. “Após trazer as sementes da Colômbia, em 2017, iniciei um processo contínuo de seleção ao longo dos anos”, destaca.
Hoje, o banco genético de Pereira é composto não apenas pelas plantas de origem colombiana, mas também por materiais já adaptados e melhorados no Brasil. A comercialização dos lotes é feita por meio da CarmoCoffees, empresa de exportação sediada também em Carmo de Minas.






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