Café & Preparos

Starbucks faz sua estreia no Equador e em Honduras até o fim do ano

A Starbucks Coffee Company anunciou sua entrada nos mercados do Equador e de Honduras até o final deste ano. Isso faz parte da sua estratégia Triple Shot Reinvention with Two Pumps, que busca expandir para 55 mil locais do planeta até 2030. A Starbucks vai abrir as primeiras lojas em Quito, Equador, prevista para julho, e San Pedro Sula, Honduras, até o fim de 2024.

“A América Latina tem sido essencial para os negócios da Starbucks desde a nossa fundação, em 1971”, lembra o CEO da Starbucks International, Brady Brewer, referindo-se ao volume – mais da metade – dos grãos importados pela empresa. 

Atualmente, a Starbucks está em 26 mercados da América Latina e do Caribe, e em 88 no mundo, empregando mais de 22 mil funcionários. As lojas do Equador e Honduras serão lançadas em parceria com a Delonorte S.A. (Equador) e a Premium Restaurants of America (Honduras), que conhecem bem esses mercados.

Fonte: Global Coffee Report

TEXTO Redação

Café & Preparos

Barista da Indonésia vence o campeonato mundial da categoria

Mikael Jasin (no centro) recebe o troféu da WBC

Mikael Jasin, da Indonésia, venceu, no último sábado, o World Barista Championship (WBC), campeonato mundial de baristas que, este ano, aconteceu em Busan, na Coreia do Sul. É a primeira vez, desde o lançamento do campeonato (em 2000, na cidade italiana de Montecarlo), que um representante do país asiático sobe ao pódio.

Em 2019, Jasin (no centro da foto) havia ficado em 4o lugar na competição (o melhor posicionamento do país no campeonato) mas, em 2021, não alcançou as finais. Já o brasileiro Daniel Vaz foi eliminado na primeira rodada da competição – que aconteceu de 1 a 4 de maio, no primeiro World of Coffee na Ásia.

Além de Jasin, os outros baristas mais bem colocados foram: Jack Simpson, da Austrália (segundo lugar), Takayuki Ishitani, do Japão (terceiro lugar), Honoka Kawashima, da Nova Zelândia (quarto lugar), Junghwan Lim, da Coreia do Sul (quinto lugar), Ian Kissick, da Irlanda (sexto lugar) e Zjevaun Lemar Janga, da holanda (sétimo lugar).

Em meados de 2022, a Barista Magazine fez uma reportagem de capa com Jasin, e referiu-se ao barista como alguém que “tem a missão de melhorar os cafés do seu país natal”.  Isso porque, há alguns anos, o barista fundou uma empresa dedicada a trabalhar com pequenos agricultores indonésios para melhorar as suas técnicas de cultivo, colheita e processamento, segundo a publicação.

Jasin morou em Melbourne, na Austrália, cidade mundialmente reconhecida por sua cultura de cafés especiais – fenômeno relativamente distante da Indonésia, que cultiva e exporta cafés desde o início do século XVIII mas que, com exceção de algumas regiões, não é reconhecido pela qualidade dos grãos. A Indonésia é o quarto maior produtor do mundo, majoritariamente de canéforas (var. robusta). Em 2023/24, produziu 9,7 milhões de sacas (60 kg) em 1,2 milhões de hectares, ocupados por pequenos produtores. Sumatra detém de 60 a 70% do total de cafés cultivados, das duas espécies.

O consumo no país, porém, vem crescendo. Dados da Coffee Geography Magazine informam que ele  alcançou 4,79 milhões de sacas (2023/24), um aumento de 20 mil delas em relação à safra anterior. Um dos motivos é a aquisição do hábito de tomar café entre os jovens e a crescente classe média no país. Entre os fenômenos está a popularidade das kopitians, cafeterias tradicionalmente operadas por chineses não só no país, mas também na Malásia e no Sul da Tailândia. Esses locais, que servem cafés tradicional e principalmente feitos com robustas ao lado de várias comidas típicas, vem melhorando a qualidade da bebida.

Fontes: New Ground Magazine, Coffee Geography Magazine e Barista Magazine.

TEXTO Cristiana Couto

Mercado

Cafeína Open, programa de inovação da 3corações, abre inscrições até dia 31

O Grupo 3corações anunciou três novos desafios do Cafeína Open, programa de inovação aberta que busca conectar a marca a startups, centros de pesquisas, empresas e universidades para solucionar desafios das áreas de negócio da campanha. As inscrições vão até 31 de maio.

Os três novos desafios do programa, que está em seu terceiro ciclo, têm como objetivo encontrar soluções para acelerar os processos de desenvolvimento e lançamento de novas bebidas UHT, aumentar o aproveitamento eficiente e sustentável do subproduto farelo de milho (gérmen de milho) e tratar os efluentes do processamento das cápsulas de cafés e multibebidas.

Nos dois primeiros ciclos do programa, cerca de 300 startups se inscreveram, e 85 foram selecionadas para apresentar suas soluções à empresa.

Informações e inscrições: www.cafeinahub.com.br

TEXTO Redação

Barista

Inscrições abertas para a 8ª Copa Barista!

Inscrições abertas para a 8ª edição da Copa Barista! Clique aqui para preencher o formulário de participação. Os 20 primeiros serão selecionados para a competição.

Caso você esteja entre os 20, a organização entrará em contato na segunda-feira (6 de maio) para que realize o pagamento de R$ 110 até a data limite. Para acessar o regulamento da edição, clique aqui.

A Copa Barista acontecerá durante o São Paulo Coffee Festival, de 21 a 23 de junho, na Bienal do Ibirapuera, em São Paulo (SP).

Barista

Daniel Vaz defende o Brasil no Campeonato Mundial de Barista: “O café me levou pro outro lado do mundo”

Foto: Agência Ophelia

“O café me levou para o outro lado do mundo”, escreveu o carioca Daniel Vaz em sua rede social, enquanto se prepara para defender o Brasil no Campeonato Mundial de Barista, entre 1º e 4 de maio. A competição, que acontece durante o evento World of Coffee, em Busan, na Coreia do Sul, é a mais aguardada do ano entre os profissionais da área. “Vamos buscar o título, deixá-lo em casa”, afirma o barista, proprietário da Five Roasters (RJ), referindo-se à vitória do brasileiro Boram Um na última edição do mundial.

Agora, Vaz tem nas mãos a mesma missão de Um, depois de ganhar o Campeonato Brasileiro de Barista, em novembro do ano passado. Em entrevista à Espresso, ele conta brevemente a nova experiência e os desafios que vem enfrentando para melhorar a cada dia. 

Espresso: Como tem sido sua trajetória profissional até agora? 

Daniel: Eu trabalho com café há cinco anos e há quatro anos tenho a Five Roasters, meu primeiro filho no café e uma paixão. Acho que esse foi o maior desafio, abrir uma torrefação e consolidá-la. 

E: Para você, o que significa ser o campeão brasileiro de barista?

D: É uma responsabilidade muito grande, e tenho refletido muito sobre campeonatos neste último ano. Acho que a gente não pode pensar em participar de um campeonato para ganhar o brasileiro. Temos que pensar o que vamos fazer no campeonato mundial.

E: Como se tornar campeão brasileiro impactou sua vida profissional?

D: Acho que ter um título de campeão brasileiro é mais uma chancela, um reconhecimento de um profissional que se destacou naquilo que  se propôs a fazer. 

Pódio do Campeonato Brasileiro de Barista, da esquerda para a direita: Marcondes Trindade (2º colocado), Daniel Vaz (campeão) e Juliana Morgado (3ª colocada) – Foto: NITRO

E: Como você está se preparando para o Mundial?

D: O maior desafio de se preparar para um campeonato mundial é saber que vai competir com os melhores do mundo. É um nível altíssimo. Desde o início,  minha primeira decisão foi usar um café brasileiro, mas a época do campeonato dificultou muito isso, porque a gente estava entre safras. Mas consegui achar um café que me deixou muito feliz para competir, que é um grão do produtor Vavá [Waldemar Ferreira de Paula Neto], da Fazenda Vista do Brigadeiro, nas Matas de Minas. É o café de maior altitude no Brasil [a fazenda situa-se em uma altitude média de 1530 m]. E a gente conseguiu fazer o processo juntos. Para mim, isso foi muito importante e um dos maiores desafios para a preparação para o campeonato. 

E: Quais são suas expectativas em relação ao Mundial?

D: São altíssimas. Muito treino, muita dedicação. E competir com um café brasileiro em que eu acredito, principalmente. E vamos buscar o título, deixá-lo em casa.

E: Quais são seus planos para o futuro? Pretende competir novamente?

D: Sim, com certeza pretendo continuar competindo. Estou só há um ano competindo, é tudo muito recente. Temos coisas a conquistar ainda! 

TEXTO Gabriela Kaneto

Mercado

“Queremos ser a principal marca global de cafeterias”, diz CEO da The Coffee

Carlos Fertonani, CEO e cofundador da The Coffee, pretende chegar em duas mil unidades em cinco anos 

À esquerda, Carlos Fertonani, seguido por seus irmãos Alexandre e Luis

Com 195 unidades no Brasil e 15 na Europa em cinco anos de existência, a rede de cafeterias The Coffee é o ouro negro de Carlos Fertonani, de 46 anos. Cofundador e CEO da empresa, de DNA nacional mas inspiração japonesa, o curitibano pretende, até 2028, chegar à marca de 2 mil lojas mundo afora. 

Com um novo aporte na empresa de US$ 10 milhões, firmado em outubro de 2023, e a aposta em um modelo de franquia, Fertonani quer entrar com tudo na Europa, na Ásia e nos Emirados Árabes. Ele e seus sócios e irmãos, Alexandre e Luis Fertonani, também querem incrementar a presença da The Coffee no Chile, no Peru e no México.

De sua cidade natal, Carlos Fertonani conversou com a Espresso sobre o modelo de negócio e os planos de expansão da empresa, design, tecnologia e sua percepção do mercado consumidor de cafés especiais. “Empreender é ter persistência”, define. A seguir, a entrevista.

Espresso: Como você começou no mercado de cafés e por que decidiu criar a The Coffee?

Carlos: Eu conhecia um pouco do mercado de café antes de abrir a The Coffee. Já tinha me envolvido em um projeto da cafeteira Aram, de Maycon Aran, o que me levou a participar das feiras sobre a bebida. Então, além de consumir e gostar da bebida, comecei a entender mais desse setor, o que significava realmente um café especial, o que era a terceira onda de café. Em 2017, eu e meus irmãos fizemos uma viagem ao Japão e, na época, o mercado de cafés de lá era muito mais evoluído do que o daqui, a bebida estava bombando, havia muitas cafeterias de cafés especiais. E lá tinha esse modelo de cafeterias bem pequenas, de portinha, em que o barista atende o cliente de frente pra rua, como um take away ou to go. Esse modelo não funcionava ainda no Brasil, mas aí pensamos em trazer o conceito, porque seria uma maneira de instruir as pessoas de que aquele café era pra levar, “to go”. 

E: Como foi o processo de sair de uma primeira loja para uma rede de cafeterias? 

C: Montamos a primeira loja em Curitiba, de portinha, pequenininha, mas com o conceito parecido com todas as outras que temos: diagramação visual, aplicativo, tablet. Dali a 8 ou 9 meses, abrimos a segunda, que já  foi uma franquia. A gente não queria montar só uma loja, idealizamos o negócio para ser uma marca, uma rede. Entendemos que tínhamos que dar todo o suporte, o know how ao franqueado, como prover produtos sistema, modelo e treinamento. Nos especializamos nisso. A terceira loja abriu em 2019, na Rua dos Pinheiros, em São Paulo. Neste meio tempo, recebemos uma oferta de um fundo venture capital [fundo de investimentos que foca em empresas iniciantes] e fechamos um acordo. A ideia dos investidores era que a gente fizesse mais lojas próprias do que franquias. Hoje temos 13 lojas próprias, mas mantemos o foco no modelo de franquia, que está cada vez mais enraizado na nossa cultura. 

E: Você acredita que o modelo de franquia é melhor do que o de lojas próprias?

C: Hoje estamos com 210 lojas, sendo 5% delas próprias. O modelo de franquias funciona muito bem pra nós, mas cada negócio é um negócio. Existem negócios em que o modelo de franquias talvez não funcione tão bem, como, por exemplo, o caso da Aesop [marca de cosméticos de luxo australiana recentemente adquirida pela L’Oréal]. Eles têm cerca de 200 lojas pelo mundo, todas próprias, mas é um modelo diferente, muito conceitual, sem o objetivo de escalada – eles só querem ter duas, cinco lojas nas principais capitais. Neste caso, o modelo de loja própria se encaixa. Mas quando falamos de milhares de lojas, não há como fazer isso com capital próprio, mesmo que se faça captação de investimento ou financiamento (e fazer dívida é muito perigoso). Mas o modelo de franquia descentraliza o negócio: cada um cuida do seu e nós cuidamos da marca. 

E: Vocês receberam uma segunda rodada de investimentos para uma expansão internacional. Como estão planejando esse crescimento?

C: Continuaremos a expandir com o modelo de franquia. Na Europa, onde fizemos nossa primeira expansão internacional, temos uma operação própria. Mandamos um time para lá e abrimos a nossa loja. Hoje são 15, e o restante são franquias. Mais 15 unidades serão abertas nos próximos cinco meses, em Portugal, na Espanha e na França. Já nos países não europeus, como Peru, Chile e México, o modelo será o de master franquia. Ou seja, em cada novo país em que entraremos com esse modelo, os master franqueados vão começar a incluir mais lojas. Por exemplo, abrimos uma loja no Peru e o master franqueado de lá já está para abrir outras duas lojas. A mesma coisa está acontecendo no Chile. Isso vai aumentar o ritmo de expansão. Mas também estamos de olho em outros países europeus e temos, ainda, um acordo com os Emirados Árabes. Ainda não abrimos a loja, mas já temos o ponto, assim como na Tailândia. 

E: Qual a previsão dessa expansão para os próximos anos no Brasil? Ou já há um número suficiente de lojas?

C: Acreditamos que o Brasil tem um potencial para mais mil lojas. Estamos com quase 200 lojas no país hoje. O ritmo de expansão vai desacelerar um pouco, mas continuaremos crescendo. Mas queremos achar os franqueados certos, os pontos certos. A gente estava crescendo muito rápido. Tínhamos quiosques, o que facilitou o ritmo de crescimento, mas isso não é legal para a marca, porque ela acaba sendo caracterizada como um café de quiosque. 

E: E qual a previsão do total de lojas a longo prazo?

C: Montamos um plano para apresentar aos investidores, e queremos, nos próximos cinco anos, chegar a 2 mil lojas. 

E: As lojas da The Coffee, em sua maioria, são pequenas (entre 10 e 12 m2). Esse é o modelo que mais cresce  hoje?

C: A gente aumentou o portfólio de lojas. Hoje temos lojas grandes, chamadas premium. Não sabemos qual vai ser a proporção, calculamos algo como 30% lojas premium para 70% lojas pequenas. Quanto a estas,temos lojinhas de 10 até 50 m2, com o mesmo portfólio de produtos. A comida é minimalista: cookies, brownies e bolos. Desenvolvemos essas cozinhas locais, para cada cidade poder fornecer para as lojas que estão ao redor. E são receitas nossas, e fazê-las não é um bicho de sete cabeças, é apenas conseguir manter padrão e consistência. As lojas só finalizam as receitas. Além disso, estamos desenvolvendo a seção de panificação, com croissant, pain au chocolat e pães de fermentação natural para fornecer para as lojas premium, que servirão brunch. Ou seja, estamos nos especializando nesses produtos, que combinam com café. E isso permite que a gente faça lojas maiores. O ideal é que a gente não dependa do café. 

E: Como é o processo de escolha dos cafés? Eles têm várias origens ou trata-se de um blend único para as lojas?

C: Temos três categorias: o White, o Kraft e o Black. O White é para todas as bebidas à base de espresso e, atualmente, vem de um único fornecedor, a CarmoCoffees. Nas opções Kraft e Black, destinadas aos coados – e teremos a opção também para espressos –, trabalhamos outras variedades, e sempre temos novidades. A gente compra café verde das fazendas, fazemos nossa torra em Curitiba e mandamos para o país inteiro. Temos também uma torrefação na Europa, para onde enviamos o café verde. Os pacotinhos têm QR Code com o nome do produtor, a altitude em que o café foi produzido, a variedade, o processamento e tudo o mais. O Kraft, acima de 85 pontos, e o Black, acima de 88 pontos, são microlotes variados. 

Espresso: Essa expansão internacional terá cafés brasileiros? 

C: Na maior parte das vezes sim, porque o café brasileiro é muito bom, e temos contato com muitas fazendas. O que não impede que a gente busque outros fornecedores. Na Europa, por exemplo, o White é café brasileiro, mas o Kraft e o Black são de outros lugares. Tem café colombiano, do Vietnã, da Etiópia…

E: Como vocês enxergam hoje o consumidor brasileiro de café? No caso do The Coffee, é um cliente que entra na loja buscando café especial ou apenas um consumidor que quer tomar, rapidamente, um café com um amigo?

C: Poucas pessoas entendem o que é café especial, e, mesmo que você monte uma história, um conceito e ganhe credibilidade, muitos vão acabar indo na onda. Muita gente acha que o café da Starbucks é bom porque eles carregaram isso na sua história. Mas a gente não pode descuidar da qualidade do café, porque os formadores de opinião são as pessoas que levam a nossa marca. Então, temos um cardápio de cafés autorais. A maioria das pessoas prefere uma bebida mais adocicada, e mesmo que o cliente fique sabendo, de um formador de opinião, que temos um bom café, ele pede um flat caramelo. No Brasil, 70% do que vendemos são cafés açucarados, bebidas de assinatura que têm caramelo, vanilla. Na Europa, o pessoal não gosta de açúcar. O cardápio é parecido, e o que muda é a proporção: vendemos mais bebidas puristas do que açucaradas. A gente também acredita no design dos produtos e das lojas para atrair pessoas e consolidar a marca.

E: Design e tecnologia foram duas bandeiras de vocês para este ponto de varejo de café. Por que vocês pensaram nesses dois quesitos? Quanto à tecnologia, ela é usada para monitoramento de métricas e dados ou apenas para atender o consumidor?

C: Design e tecnologia estão no nosso DNA. Meu irmão Luis é designer, e a parte tecnológica veio da minha experiência com uma startup de tecnologia e da minha formação em administração. Achei que ela nos ajudaria a monitorar toda a rede, ainda mais por termos franquias. Usamos a tecnologia para tudo. A gente está desenvolvendo, cada vez mais, um painel em que conseguimos monitorar todas as lojas. Por exemplo, se elas estão com os produtos ativos, quanto estão vendendo, que baristas estão trabalhando e quais são certificados, tudo “real time”, integrado. 

À esquerda, Carlos Fertonani, seguido por seus irmãos Alexandre e Luis

E: Temos falado muito de sustentabilidade. E quando falamos de café, tratamos de origem, clima, ESG etc. Como a The Coffee trabalha sustentabilidade?

C: Olhamos muito para a cadeia do café. Temos feito um trabalho com um parceiro para comprar café verde. Por enquanto, eles estão presentes nas categorias Kraft e Black, mas queremos incluir a categoria White. Conhecemos pouco do funcionamento de uma fazenda, pois estamos do outro lado do balcão. E esse pessoal tem conhecimento, dedica-se à pegada de sustentabilidade, transparência e valorização do trabalho dos produtores. Além disso, as comidas que produzimos não têm corantes nem conservantes, usamos produtos naturais. 

E: Qual é o maior sonho, seu e dos seus irmãos, e que conselho você daria para um empreendedor que está no início da jornada?

C: Em relação ao sonho, vamos continuar a construir a marca, e tentar levá-la para o mundo. Assim como a Starbucks foi a principal marca de café na segunda onda, queremos ser a principal marca da terceira onda, e globalmente. Quanto à dica para um empreendedor, eu diria que é persistência. Empreender não é fácil. Quem lê matérias sobre o assunto acha que é só sucesso, mas é paulada o tempo inteiro, o dia inteiro, de funcionário, franqueado, investidor, cliente. É bronca! 

Texto originalmente publicado na edição #82 (dezembro, janeiro e fevereiro de 2024) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Caio Fontes • FOTO Divulgação

Mercado

Consumo diário de café nos EUA é o maior em 20 anos, revela estudo

O consumo diário de café nos Estados Unidos alcançou o maior nível em mais de duas décadas, com aumento de 37% desde 2004. Segundo estudo da NCA (Associação Nacional do Café do país), 67% dos adultos americanos beberam café nas últimas 24h. Segundo a própria NCA, a associação pesquisa hábitos de consumo de café no país há mais de 70 anos.

O relatório “Tendências nacionais de dados do café da primavera de 2024” revelou que três quartos dos adultos nos EUA consumiram café na última semana – um aumento de 4% em relação a 2023. O aumento no consumo diário da bebida é impulsionado pelos consumidores acima de 25 anos, e maior entre os acima de 60 anos (de 67% para 73%). Já o consumo por jovens de 18 a 24 anos permaneceu estável (47%).

A pesquisa também destacou avanço no consumo de café especial, com 57% dos entrevistados consumindo essa qualidade de grão na última semana (crescimento de 7,5% em relação a 2023). Lattes, espressos e cappuccinos lideram as preferências entre as bebidas à base de espresso.

Já o café pronto para beber é o terceiro método de preparo mais popular (15%, quase o dobro em relação ao ano passado, com 8% das preferências). Entre os preparos domésticos, cafeteiras elétricas e espressos (monodoses) continuam sendo os mais comuns.

TEXTO Fontes: NCA e Daily Coffee News • FOTO Agência Ophelia

Mercado

Cafeterias criam combos especiais para a 9ª edição do Recife Coffee, em maio

O Recife Coffee chega à sua 9ª edição com a participação de 40 cafeterias do Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Taquaritinga do Norte e Gravatá. Durante o evento, que acontece entre 5 de maio e 9 de junho e busca disseminar a cultura dos cafés especiais na região, cada casa oferecerá uma sugestão do barista, composta por um café, um salgado e uma sobremesa a R$ 41,90. Clique aqui para conferir as sugestões dos baristas.

A abertura do roteiro acontece com a realização do Café na Rua, evento gratuito marcado para 4 de maio, das 9h às 17h, no Recife Antigo (avenida Rio Branco). Durante o dia serão distribuídos, gratuitamente, espressos, filtrados e cappuccinos, e será organizada uma feira de artesanato com artigos relacionados ao universo do café, além de palestras, concurso de latte art, shows e atividades culturais. 

A 9ª edição do Recife Coffee é realizada pela Associação de Cafeterias de Especialidade de Pernambuco (Ascape) e conta com o patrocínio da Santa Clara Café, A Tal da Castanha, AZO Roasters, Café do Brejo, Kaffe Torrefação e Treinamento, Takwary Café Premium, Tulla Café, MX Copos e Potes, Koar e J3 Wear.

Cafeterias participantes

Recife: 81 Coffee Co., A Vida é Bela Café, Aurora Café, Borsoi Café, Café com Dengo, Café do Brejo, Café mais Prosa, Casa Mendez, Castigliani, Celeste Café, Coffee Cube (Jaqueira e Torre), Elã Cafés Especiais, Emê Cafeteria e Bistrô, Ernest Café e Bistrô, Furdunço Café e Bistrô, Grão Cheff, Kaffe (Espinheiro e Boa Viagem), La Fuent, Livraria da Praça, O Melhor Cantinho da Cidade, Palasti (Aurora e Ilha do Leite), Pingo Café e Arte, Por Enquanto Café, Pure Cafés Especiais, Santa Clara (Graças e Parnamirim) e Versado Café (Boa Viagem, Derby e Graças)
Olinda: Zoco Café, Xêro Café e Arte, Cafeliê e Olinda Café
Jaboatão dos Guararapes: Fridda Café e Nouve Café
Taquaritinga do Norte: Takwary
Gravatá: d’Arte Café e Cozinha

TEXTO Redação • FOTO Filipe Ramos

Cafezal

Estudo comprova desmatamento próximo de zero na produção de robustas amazônicos em Rondônia

Resultados de um estudo publicado hoje pela Embrapa comprovam que a cafeicultura atual das Matas de Rondônia (RO) ocupa apenas 0,57% da área que foi desmatada para o plantio dessa cultura – o que representa menos de 195 hectares

O mapeamento, inédito, revela o uso e a cobertura das terras da região – a primeira denominação de origem (DO) de canéforas sustentáveis do mundo –, e tem como objetivo imediato a produção de informações para a exportação dos grãos para a Europa exigidas pelo Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (European Union Deforestation Regulation ou EUDR). A área de plantio dos robustas amazônicos abrange 0,8% das Matas de Rondônia.

Dos 15 municípios que compõem a DO, sete não sofreram desmatamento para o plantio do grão, enquanto em cinco deles, o desmatamento variou de 2,2 a 5,5 hectares (após 2020). 

A Europa é o maior consumidor dos cafés brasileiros, e o mapeamento combinou o uso de geotecnologias e dados de várias instituições (Inpe, Incra, Ministério do Meio Ambiente e Funai) para traçar o panorama da produção cafeeira nesta origem e sua relação com o desmatamento ou degradação florestal entre 2020 e 2023.

A geração dos mapas traz a localização e o tamanho das áreas de pastagens, corpos d’água e floresta –, bem como a quantidade e o tamanho de propriedades produtoras de café, de modo a confirmar se houve desmatamento ou degradação da mata nas zonas cafeicultoras a partir de 31 de dezembro de 2020, como exige a legislação – que incide sobre sete commodities agrícolas produzidas na zonas tropicais.

Para o mapeamento, a análise e o processamento dos dados, foram utilizados o Google Earth Pro e a plataforma Google Earth Pro (GEP). O mapeamento selecionou somente propriedades dedicadas ao cultivo de café, a partir de dados de todas as propriedades rurais declaradas em cada um dos 15 municípios das Matas de Rondônia. Dos 37 mil imóveis registrados, 8,4 mil (22,4 %) dedicam-se à cafeicultura. 

A expectativa dos pesquisadores que conduziram o estudo é, também, que os resultados obtidos estimulem o Estado a restaurar áreas já degradadas e que ampliem a confiança daqueles que investem, comercializam e consumem os robustas amazônicos. 

Sobre as Matas de Rondônia e seus cafés

Matas de Rondônia é uma região com Indicação Geográfica para cafés, e inclui 15 municípios.  O selo IG, concedido em 2021, qualifica a área como Denominação de Origem para Robustas Amazônicos – a primeira DO sustentável de cafés canéfora do mundo. 

Os robustas amazônicos são híbridos das variedades conilon e robusta, com predominância das características desta última, e considerados cafés de qualidade (com 80 pontos ou mais, num total de 100). A base da cafeicultura da região é familiar. Rondônia é o segundo maior produtor de canéfora e o quinto maior produtor de café do Brasil. 

A Europa compra cerca de metade do café brasileiro. Uma das preocupações de Rondônia com a lei europeia é que a maioria dos cafeicultores, que são pequenos proprietários, não consigam atender às exigência da regulamentação, que implica em investimento em tecnologia e custos altos.

A região das Matas de Rondônia é considerada o berço e a origem dos robustas amazônicos. Ela abrange 17% da população agrícola do estado e 20% de toda a mão de obra empregada na agricultura

A cafeicultura ocupa 34 mil dos 4,2 milhões de hectares das Matas de Rondônia (0,8%). Nos últimos anos, a produção dos robustas amazônicos gerou um ganho de produtividade de quase 500% – uma redução de cerca de 80% na área cultivada em relação à década de 1980. Segundo o estudo, a moderna cafeicultura na Amazônia pode ser considerada uma cultura “poupadora de terras“, já que  as boas práticas agronômicas, aplicadas na última década na produção dos robustas amazônicos, foi responsável por essa redução.

Os pesquisadores afirmam que a expansão da cultura do café pode avançar sobre as pastagens localizadas em áreas degradadas. Esses locais são planos (o que possibilita a mecanização) e tem condições climáticas ideais para o plantio do grão. 

Eles calculam que, se a cafeicultura avançar por 25% desses terrenos (que somam 475 mil hectares), Matas de Rondônia será capaz de produzir, em pouco tempo, mais de 26 milhões de sacas de café – o rendimento médio na região é de 52 sacas por hectare, segundo a Conab. “Isso significa que a região das Matas de Rondônia, sem desmatar nem um hectare de floresta, poderia ter uma produção parecida com a do Vietnã”, relatam os cientistas, referindo-se ao maior país produtor de canéforas do mundo.

Diferentemente de outras regiões cafeicultoras do Brasil, mais da metade do território das Matas de Rondônia (56%) é ocupado por florestas nativas primárias, que foram preservadas pelos povos indígenas de seis grandes reservas, localizadas em sete municípios.

Os canéforas da região, por sua vez, beneficiam-se da proximidade da floresta, que fornece um ambiente com umidade elevada e temperaturas constantes, além de entregar abelhas e inimigos naturais das pragas que atingem os cafezais. 

Grande parte da cafeicultura das Matas é manejada em propriedades com até 12 ha, sendo que a lavoura ocupa algo em torno de 3,3 ha. O restante é, geralmente, coberto por áreas de pastagens e florestas. Ainda segundo o levantamento, os cafezais podem gerar créditos de carbono florestal, o que pode encorajar formuladores de políticas públicas a promoverem a restauração ambiental, conservando a biodiversidade da região e, com isso, mitigando os efeitos das mudanças climáticas.

TEXTO Cristiana Couto

Mercado

SCA anuncia revisão do modelo de associação e acesso ampliado a conteúdos

Neste ano, a SCA (Specialty Coffee Association) vai introduzir a primeira grande reformulação do seu programa de membros. O novo modelo, com novos preços e recursos mais elaborados, busca conectar a comunidade internacional em crescimento. 

Com as finanças alinhadas  – o capital da SCA é, atualmente, de US$12,5 milhões, em comparação ao capital negativo de US$1,8 milhões durante a pandemia –, há ainda a promessa de investimento intensivo na expansão de seu conteúdo a empresas e pessoas, a partir de uma nova plataformas e em diferentes idiomas. Segundo a SCA, a nova plataforma vai proporcionar experiências personalizadas a cada usuário. 

Essas são as principais questões alinhadas no relatório anual de 2023 da maior organização mundial de comércio de café, publicado no último dia 11 e que focou em modernizar ferramentas e revisar diretrizes seguindo a agenda de sustentabilidade no café. 

Em 2023, a SCA também desenvolveu a Avaliação de Valor do Café (Coffee Value Assessment ou CVA), uma atualização com base em pesquisas científicas atuais do seu tradicional protocolo de degustação (desenvolvido em 1984 e desde então, utilizado mundialmente), que direciona de forma “honesta”, segundo as palavras do CEO da instituição, Yannis Apostolopoulos, como o valor do grão é “gerado, capturado e distribuído” ao longo da cadeia do café especial.

Ainda segundo o relatório, o objetivo da associação em expandir seu alcance vai inseri-la em outras feiras e eventos no setor, como a World of Coffee Panama 2026, no Panamá, e na World of Coffee Busan 2024, na Coreia do Sul. 

TEXTO Cristiana Couto • FOTO Agência Ophelia