Café & Preparos

App permite que consumidor consulte certificação de café

A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) está lançando um aplicativo de celular que permite ao consumidor verificar, em tempo real, se os cafés disponíveis nos supermercados são certificados com Selo de Pureza e/ou Selo de Qualidade. Além disso, também é possível checar sua categoria (Tradicional, Superior ou Gourmet) e diferenciá-los dos Não Associados.

Para usar o aplicativo, disponível gratuitamente aos usuários de Android e iPhone, é fácil: basta o consumidor abrir o programa e “scanear” o código de barras da embalagem do café. Para isso, é possível usar o leitor da câmera ou digitar o código de barras da embalagem no teclado do celular. A partir daí, o cliente receberá uma mensagem na tela do telefone informando se o produto é ou não certificado pela ABIC, com o aviso adicional “Café certificado sempre vai bem”, em linha com a campanha de marketing da empresa.

O consumidor também poderá avaliar os cafés, em uma escala de até cinco estrelas, e enviar comentários e opiniões sobre o produto. Os dados serão compilados e informados às empresas associadas por meio de relatórios periódicos.

Com o aplicativo, os usuários também poderão informar sobre os produtos não certificados que estiverem usando o Selo de forma indevida. Ou seja, se o consumidor scaneia um produto e recebe a mensagem de que ele não é certificado, porém na embalagem está dizendo que é, ele poderá enviar essa informação à Associação Brasileira da Indústria de Café, que investigará o caso.

Segundo a ABIC, o app ainda está em desenvolvimento e será lançado em breve.

(Texto publicado originalmente no site CaféPoint)

TEXTO Redação • FOTO Felipe Gombossy

Mercado

Evento gastronômico terá café em suas receitas

Criada pelo chef Raphael Arrigucci e sua esposa e jornalista Renata Reif, a Casa Comitê, projeto de degustação da alta gastronomia que visa utilizar ambientes diferenciados, terá sua próxima edição ainda este mês, no dia 20/7.

A edição, que será realizada na casa do casal, no bairro paulista do Brooklin, contará com o apoio da Nespresso e, por conta disso, as comidas servidas serão harmonizadas com café.

O menu terá como tema as iguarias do litoral norte, produzidas em fazendas marinhas, e carnes de açougues renomados. Os pratos terão café em seu preparo, podendo ser em pó, infusão ou extração.

Para participar, é preciso fazer reserva pelo site ou telefone da Casa Comitê e pagar o valor de R$ 152. As vagas são limitadas.

Serviço
Local: Rua Ipurinas, 289
Horário: 20h30
Reservas: (11) 96959-4328
Mais informações: www.casacomite.com.br

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Mercado

Primeiro festival de queijo será realizado em MG

Como vimos na última edição da Espresso, o queijo, além de fazer uma combinação ótima com o café, tem um papel tão importante quanto à bebida no cenário brasileiro.

Agora, entre os dias 28 e 30 de julho, acontecerá o 1º Festival do Queijo Minas Artesanal. Trazendo produtores de sete regiões reconhecidas: Araxá, Campos das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serra do Salitre, Serro e Triângulo Mineiro, o evento será realizado na Serraria Souza Pinto, em Belo Horizonte.

Com exposições, degustações, atrações gastronômicas, palestras e competição de Melhor Queijo do Festival, o Festival do Queijo Minas Artesanal é uma realização da FAEMG e do Sebrae e contará com ingresso de R$ 10.

O evento ganhou força após uma premiação na cidade de Tours, na França, envolvendo mais de 700 produtos de 20 países. Lá, produtores mineiros levaram a melhor e, já de volta ao Brasil, foram homenageados pelo governador Fernando Pimentel e pela FAEMG (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais).

A atividade queijeira possui um papel importante para a identidade do Estado de Minas Gerais, tanto no aspecto econômico como também no sociocultural.

Mais informações: www.festqueijominasartesanal.com.br

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Mercado

Dez cold brews que você precisa experimentar

As garrafinhas de cold brew estão cada vez mais ganhando visibilidade e os corações de apaixonados por café. Muitos o confundem com o ‘iced coffee’, o famoso café gelado, porém, a diferença entre os dois vem desde a maneira como são produzidos.

O cold brew normalmente é produzido artesanalmente, sem aditivos e possui menos cafeína. Em seu método de preparo, o café é extraído a frio e fica em contato com a água por várias e longas horas. Já o iced coffee é preparado com água quente, sendo acrescentado o gelo no final.

Mas como o assunto aqui é o novo queridinho, separamos 10 cold brews que vocês precisam experimentar:

Hop & Cold
Fabricado na cidade de Vitória (ES), é o primeiro cold brew lupulado do Brasil. Resultado de uma infusão de café em água fria por 24 horas, recebe o lúpulo após esse processo.
Fabricado por: Kaffa Cafeteria e Abridor – Interações Cervejeiras
Validade: 60 dias
Mais informações: www.facebook.com/hopncold

Café Américo
Com torrefação na capital mineira, produz um concentrado de café feito com grãos frescos e torrados artesanalmente e extraídos a frio.
Fabricado por: Café Américo Grãos Especiais
Validade: 40 dias
Mais informações: www.facebook.com/cafeamerico

True Coffee Vanilla
Pioneira na produção de cold brew, oferece o sabor tradicional e a versão com baunilha. É extraído a frio de grãos orgânicos que passam por infusão durante 18 horas.
Fabricado por: True Coffee Brasil
Validade: 120 dias
Mais informações: www.truecoffeebrasil.com.br

Virginia Coffee Roasters – Tradicional
Da cafeteria de Campinas, interior de São Paulo, é feito a partir de cafés Bourbon ou Catuaí amarelo, em um método de extração a frio de 12 horas.
Produzido por: Virginia Coffee Roasters
Validade: 15 dias
Mais informações: www.virginiaroasters.com.br

Academia do Café – Moka
Produzido em Belo Horizonte (MG), é extraído a frio e fica em infusão em água fria por 12 horas. Além disso, cada lote é composto de cafés diferentes.
Fabricado por: Academia do Café
Validade: 30 dias
Mais informações: www.academiadocafe.com.br

Passopreto Cold Brew
Produzido através de processo de maceração, em que o café é recém-torrado e preparado ao longo de várias horas em água fria. É feito em pequenos lotes, de maneira artesanal.
Fabricado por: Passopreto Brewing
Validade: 90 dias
Mais informações: www.facebook.com/passopretobrewing

Art In Coffee
Da cafeteria em Aracaju (SE), é produzido artesanalmente com grãos especiais. Conta com método de fermentação a frio, com temperatura controlada, por até 20 horas.
Produzido por: Art In Coffee
Validade: 30 dias
Mais informações: www.facebook.com/artincoffeerostadcoffee

Âncora
Produzido em Poços de Caldas (MG) com as variedades catuaí vermelho e mundo novo, do Sul de Minas. Conta com processo de infusão fria que dura 13 horas.
Produzido por: Âncora Coffee House
Validade: 30 dias
Mais informações: www.facebook.com/ancoracoffeehouse

Refresco Urbano
Da cafeteria em São Paulo (SP), é feito com café de moagem bem fina, imerso em água mineral durante 24 horas em temperatura ambiente.
Produzido por: Urbe Café Bar
Validade: 10 dias
Mais informações: www.facebook.com/urbecafe

Suplicy Cold Brew
Feito com grãos arábica do Sul de Minas e interior de São Paulo, é produzido 100% artesanalmente, da extração até o envase e rotulação.
Produzido por:
Suplicy Cafés Especiais
Validade: 3 dias
Mais informações: www.suplicycafes.com.br

TEXTO Redação • FOTO Café Editora

Mercado

Festival Santos Café 2017 bate recorde de cafés servidos

O Festival Santos Café 2017 foi um sucesso! O evento, que aconteceu no último final de semana, 8 e 9/7, contou com mais de dez marcas participantes e um novo recorde: 29 mil cafés servidos! A 3ª edição do Festival ocorreu na Frontaria Azulejada e na Estação do Valongo, dois pontos turísticos do centro santista, com muita música, gastronomia, cultura e café.

Junto a muitos visitantes e apreciadores, a degustação teve curadoria da Revista Espresso, apoio da Bunn e participação de marcas como Santa Mônica Café Gourmet, Mazzi Caffè, Café Baronesa, Rei do Café, Da Hora Bike, Grão Gourmet, Café Utam, Café Store, Revo Coffee, Swiss Coffee, Brasil Espresso e Zalaz Brazil.

“A degustação de cafés é o coração do Festival Santos Café e é realizada desde a primeira edição, em 2015. A cada ano, mais marcas estão participando e batemos o recorde mais uma vez com esse número impressionante de 29 mil cafés servidos”, explica Mariana Proença, diretora de redação da Café Editora.

Por receber um público bem diversificado que frequenta o Centro Histórico e que vem em busca de conhecimento sobre cafés, novas experiências e aberto a provar sabores diferentes do dia a dia, o Festival se torna um evento importante no estado de São Paulo. “Foi muito bom para nós poder divulgar nosso produto, saber a opinião do público. O evento em si é ótimo, tanto para os que estão servindo quanto para os visitantes”, disse Abel Martins, proprietário do Swiss Coffee.

Ewerton Almeida, barista do Santa Mônica Café Gourmet, já participou de outras edições também e continua destacando a importância da ligação do público com os cafés: “O contato direto com o público final é a coisa mais importante. Poder saber a opinião das pessoas em relação a nossa bebida é muito bom para aproximar os consumidores e as empresas”.

Com isso, o evento acaba sendo uma importante fonte de divulgação para as marcas de cafés especiais do Brasil. “Ficamos lisonjeados por poder participar. A estrutura é ótima. O fato de você ter a possibilidade de estar em contato com o público final é muito proveitoso”, relatou Tabatha Creazo, gerente de qualidade da Brasil Espresso, marca que participou pela primeira vez do Festival.

Assim, a 3ª edição do Festival Santos Café se encerra com a sensação de missão cumprida. Esperamos todos vocês na próxima, ano que vem! Confira mais fotos do evento:

TEXTO Redação • FOTO Mariana Proença

Mercado

Evento para consumidores de café em Lorena (SP)

Neste ano, a Semana do Café de Lorena será realizada de uma forma diferente das outras edições. O novo formato do evento, agora chamado de “Cafesta”, acontecerá em um único dia, 15 de julho (sábado), das 14h30 às 20h, no salão de eventos da cafeteria Malerba Café.

Com assuntos pensados e voltados para o consumidor, a programação conta com palestras, harmonização de cafés e lançamentos de novos drinques do próprio Malerba Café. “Pretendemos dar continuidade ao trabalho inicial, que é atender ao consumidor. Mostrar a existência do café especial para as pessoas e que é possível vender esse café fora dos grandes centros”, disse o proprietário da casa, Marcelo Malerba, local que é uma das 20 melhores cafeterias do País, de acordo com o Guia de Cafeterias do Brasil.

Nesta edição, as palestras – com entrada franca – terão temas como “O Café Sob 3 Óticas”, com os palestrantes Hugo Wolff, Luciano Salomão e Danilo Lodi; “Mitos e Verdades Sobre Xaropes”, com Marco De La Roche e a abertura do evento com o tema “É do Brasil”, ministrado pela jornalista Kelly Stein.

Com a intenção de ampliar o acesso dos apreciadores ao café de qualidade, a Cafesta irá realizar uma harmonização. Para participar, é necessário realizar a inscrição neste link e pagar a taxa de participação. São apenas 15 vagas para participantes, porém, mais pessoas podem participar como ouvintes.

“O mercado de café especial ainda é pequeno. Com este evento, pretendemos atingir mais pessoas e manter aqueles que já se apaixonaram pelo café”, acrescentou Marcelo.

Serviço
Cafesta
Onde: Malerba Café. Praça Rozendo Pereira Leite, 7 – Lorena (SP)
Mais informações: www.facebook.com/semanadocafelorena

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Barista

Brasileiro concorre a vaga no Barista&Farmer

Daniel Munari, barista brasileiro da Argenta Cafés (Curitiba-PR), está concorrendo a uma vaga no reality show italiano junto com mais de 60 candidatos de várias nacionalidades. A seleção é feita através do voto popular no site www.baristafarmer.com/casting2, onde o público pode votar em quais competidores querem ver na edição.

O Barista&Farmer é um programa onde dez baristas internacionais de países diferentes ficam em uma fazenda para conhecer uma região produtora de café e realizar diversos aprendizados na área técnica de prova, torra e preparo.

A dinâmica do evento é um misto de provas de colheita, plantação, brincadeiras, testes técnicos em laboratório, além de pontuações extras por atitudes positivas durante a convivência em grupo. As competições são julgadas por profissionais da área.

O programa, que terá sua próxima edição em uma fazenda colombiana, foi uma ideia do barista italiano Francesco Sanapo. Sua primeira edição aconteceu em 2013, em Porto Rico, e já passou por países como Honduras, em 2015, e Brasil, em 2016, na Fazenda Nossa Senhora Aparecida, do grupo O’Coffee, em Pedregulho (SP), onde teve como um de seus participantes o brasileiro Raphael de Souza, do Grassy Spazio Caffè, de Ribeirão Preto (SP).

A quarta edição do Barista&Farmer vai acontecer em 2018 e a votação para escolher os participantes vai até o dia 31 de agosto. Então, vamos votar! Queremos ver um brasileiro novamente dentre os competidores.

Mais informações: www.baristafarmer.com

TEXTO Redação • FOTO Dino Buffagni

Café & Preparos

Dois encontros em São Paulo para apreciadores de café

IL Barista
Por conta da alta demanda por cafés especiais no Brasil, no dia 11/7 (terça-feira), a Casa do Saber vai promover um encontro para apreciadores, com palestra e degustação assistida.

Com temas relacionados às ondas do café, a palestra “Café – A Terceira Onda” será dada pela especialista em cafés e proprietária do IL Barista, Gelma Franco.

Explorando aspectos da bebida como aroma, sabor, corpo e acidez, os participantes terão a oportunidade de aprender novos métodos, degustar cafés e produzir blends autorais para levar para casa.

Serviço
Onde: Casa do Saber – Rua Dr. Mário Ferraz, 414 – São Paulo (SP)
Quando: 11/7, das 20h às 22h
Valor: R$ 180, inscrições pelo telefone (11) 3707-8900
Mais informações: www.ilbarista.com.br

Toque de Café
Com objetivo de realizar uma experiência sensorial parecida com o ‘cupping’, a cafeteria Toque de Café irá oferecer um workshop, no dia 8/7 (sábado).

Possuindo apenas 15 vagas disponíveis, o encontro conta com degustações de 20 cafés especiais de diversas regiões do mundo.

Com valor de R$ 30, o workshop será das 10h às 12h, no próprio espaço da cafeteria.

Serviço
Onde:
Toque de Café – Avenida Brigadeiro Luis Antonio, 2504 – São Paulo (SP)
Quando: 8/7, das 10h às 12h
Valor: R$ 30, inscrições no link
Mais informações: http://bit.ly/2tlPIAn

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Mercado

Com a chegada do inverno, Octavio Café lança chás

A Octavio Café, em parceria com a loja Talchá, lançou uma seleção de chás e infusões com 14 sabores. Com opções como banana tropical, gengibre fresh, hibisco e limão orgânico e frescor de capim limão, as novidades estão distribuídas entre as linhas Chá Verde, Chá Preto, Infusão, Chá Branco, Oolong, Rooibos e Chá Mate.

“A proposta com a Talchá é abraçar o setor de chás, uma bebida tão apaixonante quanto o café”, disse o diretor da Octavio Café, Jonas Picirillo, sobre a parceria entre as duas marcas.

Com opções entre cítricos, descafeinados, doces, tropicais e versões tradicionais, como o chá verde, preto ou mate, as combinações de ingredientes abrangem outras culturas, como de países como Alemanha, China e África do Sul.

As caixinhas dispõem de folhas trituradas que rendem até oito xícaras e podem ser usadas diretamente na água ou em infusores próprios para chás. Com valor de R$ 22, as novidades estão disponíveis em todas as unidades da Octavio Café.

Mais informações: www.octaviocafe.com.br 

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Olhos para a China

O dragão despertou; ele está ávido por uma xícara de café para começar o dia. Assim têm sido as manhãs chinesas, à medida que o consumo cresce a um ritmo de dois dígitos. Essa aceleração levou esse mercado a uma posição de destaque no cenário internacional e fez com que se voltassem os olhos de toda a cadeia do café para a China.

Durante séculos, com forte cultura milenar e gigantesca população, a China fascina mentes ocidentais. Os primeiros relatos das antigas rotas comerciais já descreviam o imenso potencial do mercado chinês, mas, somente nas últimas décadas, sua impressionante ascensão econômica foi capaz de transformá-la, verdadeiramente, em um imenso canteiro de obras e na fábrica do mundo. Ao mesmo tempo, a vigorosa expansão do poder aquisitivo fez da China alvo prioritário para o desenvolvimento de novos negócios, sem deixar indiferente nenhum setor comercial. Em se tratando de café, a emergência chinesa tem causado alvoroço em produtores e amantes de café. Quais serão os desdobramentos e implicações no comércio mundial do grão?

Visto do Brasil, o desbravamento desse crescente mercado representaria possibilidades quase infinitas para o produto nacional. Sobretudo entre os produtores, sempre foi comum a crença de que bastava que os chineses “aprendessem” a tomar café para que, de forma mágica, os preços cotados em bolsa atingissem novos patamares.

Não obstante, uma análise mais criteriosa pode revelar outras nuances, pois a China desenvolve simultaneamente sua capacidade de produção. O grande pensador chinês Confúcio dizia “não aceitar nem rejeitar absolutamente nada, mas consultar sempre as circunstâncias”. Esse ensinamento encontra plena aplicação na elucidação desse complexo binômio café-china.

O longo caminho
Para ver em primeira mão essa face menos conhecida da China, é necessário certo apetite por aventuras. Famosa pelas vastas montanhas, natureza exuberante e particularmente pelos chás, a província de Yunnan, que literalmente significa lugar ao sul das nuvens, acaba de acrescentar a essa lista o café.

Essa província, a mais meridional do território Chinês, espalha-se por 400 mil quilômetros quadrados (o equivalente ao estado do Mato Grosso do Sul), desde o poderoso Rio Mekong até o sopé do Himalaia, nas fronteiras com Birmânia, Laos e Vietnã. Com altitude média de 2 mil metros, clima subtropical e latitude de 20º N, a região apresenta condições muito favoráveis ao cultivo da espécie arábica, condições estas, a rigor, bastante semelhantes àquelas encontradas na América Central. Por isso, a província de Yunnan responde, atualmente, por cerca de 98% de toda a produção de café chinesa.

Plantações chinesas têm altitude média de 2 mil metros e são favoráveis ao cultivo do arábica.

Contemplar as belas paisagens da região exige, contudo, uma longa jornada. A partir de Xangai são cinco horas de avião até a capital da província Kunming e mais um voo complementar de uma hora e meia até os principais centros produtores de café, ao redor das cidades de Pu’er e Linchang.

A cidade de Kunming, com meros 3 milhões de habitantes, um número modesto para padrões chineses, dispõe de infraestrutura invejável, incluindo um reluzente aeroporto, amplas autoestradas e algumas linhas de metrô.

Enfim, a chegada ao destino traz alívio aos pulmões, outrora assolados pela poluição da capital xangaiense. A primeira impressão dessa longínqua província pouco se encaixa no estereótipo da China construído pelos brasileiros. Habitada por mais de trinta minorias étnicas, Yunnan constitui um verdadeiro mosaico cultural, rico em fisionomias, tradições e costumes diversos. Ao longo da história, sucederam-se diversos períodos de afastamento do poder central constituídos pelas dinastias Han, que imprimiram muitas características particulares à região. Credita-se a missionários franceses a introdução do café no final do século XIX.

Cafezais de Yunnan
É difícil conter a empolgação ao avistar ao longe as primeiras plantações de café, que mal se distinguem em meio às demais culturas tropicais, como a de cana-de-açúcar ou a borracha. O acesso a esses cafezais se dá através de estradas que serpenteiam o relevo escarpado – por vezes estreitas, por vezes sem pavimento, ou ainda parcialmente interrompidas pelos deslizamentos de encosta.

Assim como as estradas, as condições de vida mais precárias da população local são demonstração inequívoca de que a prosperidade chinesa ainda não foi capaz de alcançar os cantos mais remotos do país.

Estamos em época de colheita. As cerejas tingem de vermelho o tom viçoso da vegetação que se descortina. Diante dos olhos, cafeeiros de porte baixo (principalmente da variedade catimor), chamam atenção pela boa produtividade e total ausência de doenças corriqueiras no Brasil, como a ferrugem.

Comparados a grande parte dos cafezais brasileiros, milimetricamente alinhados e com rígido controle de plantas invasoras, os cafeeiros locais, que crescem rodeados por mato espesso e muitas vezes consorciados com outras plantas, causam certo espanto pela desordem.

O terreno íngreme impede qualquer tipo de mecanização, por isso a colheita se realiza exclusivamente pelas mãos de camponeses que habitam os vilarejos salpicados pela região. São relativamente poucas pessoas trabalhando nas plantações de café. Mesmo os chineses reclamam de escassez de mão de obra para o trabalho no campo e do desinteresse das gerações mais jovens.

Não é tarefa fácil compreender a divisão das áreas de produção e as relações de trabalho a partir de uma lógica ocidental. Mas é fato que, ao final do dia, um verdadeiro enxame de motocicletas surge de todas as partes. Desafiando todas as leis do equilíbrio, morro acima, carregadas com três, quatro, até cinco “medidas” de café cereja, elas se dirigem às várias estações de beneficiamento espalhadas pela região. Essas estações são administradas por empresas ou investidores privados, em parceria com o governo local, outra vez em um modelo de negócios próprio, que não obedece à lógica ocidental da propriedade privada.

Embora rudimentares, essas estações possuem instalações completas para processamento do café. Pequenos pátios de cimento, terreiros suspensos, despolpador, tanques de fermentação e uma particularidade local: compartimentos de secagem (tais quais um grande forno), cuja fonte de energia é o carvão. Em geral a capacidade de processamento atende a volumes não muito grandes.

Grãos chegam ao terreiro de cimento em uma das áreas de benefício.

Uma equipe que vive em acomodações no próprio local se encarrega das operações de pós-colheita, conduzidas em ritmo acelerado e somente interrompidas para tomar um… chazinho… ou infusões com outras ervas nativas. Nas monumentais montanhas de Yunnan, é impossível encontrar pessoas tomando café em um raio de vários quilômetros, sinal de que esse cultivo ainda não se enraizou totalmente na cultura local.

Teimosos, os últimos raios de sol se extinguem no céu de Yunnan, oferecendo um espetáculo memorável mesmo aos observadores mais desatentos. Sob o entardecer, o parque cafeeiro dessa província, com várias lavouras em formação, deixa prenunciar o crescimento vigoroso da produção chinesa nos próximos anos, ainda que alguns limites sejam impostos pela impossibilidade de mecanização e pela concorrência de terras disponíveis com outras culturas agrícolas. Tanto que grandes multinacionais do ramo do café, como Starbucks e Nestlé, vêm investindo consideravelmente na região.

De volta ao dragão
O incremento na produção encontrará seguramente bom respaldo no mercado doméstico, já que a China também experimenta um “boom” no consumo, portado pela maior disponibilidade de renda, pela urbanização e pela ocidentalização do estilo de vida. Essa trajetória ascendente guarda semelhanças com o quadro observado anteriormente em outros países asiáticos, a exemplo do Japão e da Coreia do Sul, mas é turbinada por velocidades chinesas.

As cafeterias se multiplicam nas principais cidades e começam a ganhar maior capilaridade pelo país. Além das grandes redes internacionais que esperam que a China seja o maior mercado consumidor em um horizonte de poucos anos, uma infinidade de “genéricos” chineses não deixa dúvidas sobre a capacidade inventiva local.

Por outro lado, não custa lembrar que o mercado chinês ainda é composto, em mais de 90%, de café solúvel de baixa qualidade e apresenta baixos índices de consumo per capita, inferiores a 100 g por habitante, cerca de 6 a 7 xícaras ao ano. Face aos mais de 4 kg encontrados em mercados maduros como EUA, Europa e inclusive o Brasil, esse número traz a dimensão da reserva de mercado que se esconde atrás da muralha.

Em seu eterno yin-yang, a China revela grandes oportunidades. A qualidade não parece ser um objetivo imediato, apenas iniciativas pontuais despontam nesse sentido, já que o primeiro desafio é responder ao aumento no volume.  No entanto, a combinação de terroir propício e intensificação dos investimentos estrangeiros habilita a China a considerar outro posicionamento em longo prazo.

Segundo uma antiga lenda chinesa, os animais se movem pelo oceano, mas são incapazes de produzir ondas. O dragão, por sua vez, quando se move, pode afetar as marés. E é este dragão que despertou.

*Allan Botrel é consultor de cafés e teve sua viagem para a China custeada pelo projeto Brazil. The Coffee Nation.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui)

TEXTO Allan Botrel • FOTO Allan Botrel