“A cafeicultura é política: a voz da base pode mudar decisões globais”, diz Adriana Mejía, da GCP
Em seu segundo ano à frente da Plataforma Global do Café, Adriana Mejía defende que só haverá sustentabilidade de fato quando renda digna, governança inclusiva e agricultura regenerativa alcançarem milhões de produtores
Por Cristiana Couto
Da quarta geração de uma família de cafeicultores de Manizales, no eixo cafeeiro da Colômbia, Adriana Mejía Cuartas – primeira mulher a presidir o conselho da Plataforma Global do Café – construiu uma carreira discreta em exposição, mas decisiva na defesa de um futuro sustentável para todos os produtores.
Criada num território marcado pela cafeicultura de sobrevivência, pela tradição e pela forte presença da Federação Nacional de Cafeicultores (FNC), Adriana só compreendeu a complexidade do setor quando, no decorrer da carreira, passou a percorrer regiões produtoras, lutar pela dignidade financeira de cafeicultores em países mais pobres e participar de debates globais sobre os rumos da cadeia.
“As conversas em casa eram só sobre café, para mim, um produto vulnerável, exposto ao sol e à chuva. Só depois entendi em que consistia o imaginário cafeeiro”, lembra.
Formada em administração de empresas, com mestrado na Espanha, ela acumulou experiência internacional ao representar a FNC na Europa e, depois, ao trabalhar na UTZ Certified (hoje incorporada à Rainforest Alliance), onde acompanhou a evolução dos padrões de sustentabilidade e o papel das certificações na transformação da cadeia de valor do café.
Sua experiência aumentou em 2017, quando criou, na Holanda, a empresa Herencia – Value Your Legacy, que articula investimentos de impacto, ESG e inovação nas cadeias de café, cacau e óleo de palma na América Latina e na África. À frente do conselho da Plataforma Global do Café desde 2024, e ao lado de mais de 170 membros, Adriana busca reduzir até 2030 a lacuna de renda de mais de um milhão de pequenos produtores em mais de dez países. “O desafio é superar ilhas de sustentabilidade e alcançar um oceano em que a regra seja produzir café sob condições dignas, resilientes e livres de desmatamento – e que isso seja um bom negócio para todos”, acredita.
A seguir, a entrevista, realizada por videoconferência diretamente da Colômbia.
Você vem de uma família de cafeicultores. Como isso moldou sua visão sobre sustentabilidade e governança no café?
Em casa, a palavra sustentabilidade nem existia, mas estava presente em tudo o que meus pais faziam. O café nunca foi altamente rentável, mas nos deu educação, pertencimento e amor pela terra.
Meu pai é agrônomo e tem a sabedoria de quem valoriza a terra e a tradição. Minha mãe, María Mercedes Cuartas, foi a primeira mulher a representar sua região no Congresso Nacional de Cafeicultores, [a instância deliberativa máxima do setor no país]. Hoje, aos 75 anos, ela continua atuante no comitê regional da FNC, e isso me ensinou que a cafeicultura é profundamente política: a voz da base pode mudar decisões nacionais e até globais.
Quem produz café sabe que sustentabilidade não é discurso, selo ou marketing. Hoje, não se trata de “sustentar”, mas de regenerar – garantir que famílias produtoras continuem a produzir café pelos próximos 20, 30 anos.
Por isso, minha visão de sustentabilidade e governança coloca o produtor e sua comunidade no centro das ações. A pergunta-chave é: que modelo de negócio, de instituições e de alianças permitirá que a próxima geração continue a cuidar da terra e produzir o café que queremos consumir?
Você foi a primeira mulher convidada a participar da eleição para a diretoria geral da Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia (FNC) e a primeira diretora para a Europa, além de ter sido a primeira mulher a integrar o conselho da antiga UTZ. Que desafios enfrentou e como vê a presença das mulheres em cargos de liderança na cafeicultura?
Em um setor historicamente masculino, meu primeiro desafio foi simbólico: que deixassem de me ver como “a filha de María Mercedes” ou “a jovem do eixo cafeeiro” e passassem a enxergar uma profissional com critério próprio, conhecimento de origem e capacidade de representar o setor.
Quando concorri à direção geral da Federação, viajei pelas 15 regiões cafeeiras conversando com comitês, líderes, produtores e governos. Muitas vezes, a primeira reação era de surpresa. Isso me ensinou a transformar o ceticismo em diálogo e o preconceito em oportunidade.
Ser a primeira não foi fácil, e percebi a dimensão disso quando ouvi de uma cafeicultora: “Obrigada por mostrar às nossas meninas que elas também podem sonhar, estudar e liderar mudanças.”
Sobre a presença feminina, avançamos, mas ainda pouco. Há mais mulheres em posições importantes no setor mas, quando olhamos para a propriedade da terra, o acesso ao crédito e a voz nas negociações, estamos longe da equidade.
Precisamos mudar as regras do jogo para que mulheres e homens tenham as mesmas oportunidades de decidir o futuro do café. Liderar exige preparação, mas também exige um setor disposto a abrir espaço e criar oportunidades realmente inclusivas.
Em março de 2024 você assumiu a presidência do conselho da GCP. O que conseguiu implementar neste primeiro ciclo de mandato?
Neste primeiro ciclo, buscamos tornar a sustentabilidade algo concreto para os cafeicultores. Não medimos sucesso pelo número de projetos, mas pela redução da lacuna rumo a uma renda digna e pela regeneração das paisagens cafeeiras.
A Meta GCP 2030 foi convertida em uma rota operacional: transformar a cafeicultura e reduzir em ao menos 25% a lacuna de renda digna para mais de um milhão de pequenos produtores em mais de dez países. Já temos ações estruturadas no Brasil, Honduras, Indonésia, Quênia, Uganda e Vietnã, onde cada plataforma nacional define metas de impacto alinhadas às políticas públicas e às possibilidades de investimentos privados.
Em 2025, lançamos o RegenCoffee, guia global de agricultura regenerativa da GCP, que estabelece uma linguagem comum, princípios e indicadores para restaurar solos, proteger a água e a biodiversidade, aumentar a resiliência climática e melhorar a vida dos produtores. A plataforma no Brasil foi pioneira em traduzir os sete elementos de implementação da agricultura regenerativa nas fazendas, integrando-os ao Plano Plataforma Global do Café Brasil 2030, que busca aumentar a resiliência e a prosperidade de 95 mil cafeicultores até 2030. O aprendizado brasileiro orienta o nosso trabalho em outras origens.
Reforçamos ainda a sustentabilidade setorial com o Código de Referência de Sustentabilidade do Café, o Mecanismo de Equivalência e marcos de dados usados para alinhar programas corporativos, padrões e plataformas nacionais, reduzindo exigências duplicadas e trazendo mais clareza ao produtor. Em países como o Brasil, estudos sobre renda e projetos derivados desses diagnósticos já orientam investimentos, serviços de extensão rural e compras responsáveis.
Em resumo, aproximamos discurso e prática para fazer da cafeicultura um bom negócio para quem produz.
Quais são os principais gargalos para alcançar a Meta GCP 2030?
O primeiro é a escala de financiamento. Para avançar na agenda de renda digna, precisamos de bilhões de dólares em investimentos públicos, privados e filantrópicos, com metas claras e coordenação. Recursos existem, mas estão dispersos em projetos pequenos e pouco conectados entre si.
O segundo ponto crítico é o alinhamento entre países e empresas. O desafio é manter uma ambição global sem perder as relevâncias locais – não se trata de copiar e colar soluções, mas de transferir aprendizagens, adaptando tecnologias e modelos ao contexto de cada país.
O terceiro gargalo está na capacidade de medir e obter dados com transparência. Precisamos de informação clara e confiável, com sistemas de monitoramento que não sobrecarreguem o produtor e que permitam comparar avanços entre países e regiões.
O quarto ponto é a governança inclusiva. Se as decisões sobre prioridades e investimentos não incorporarem as vozes de organizações e produtores, corremos o risco de criar soluções elegantes no PowerPoint, mas irrelevantes no campo.
A GCP não executa projetos diretamente – ela é uma arquiteta de alinhamento, cria uma linguagem comum. Nossa tarefa é usar essa posição para enfrentar esses gargalos com diálogo e com a participação do maior número possível de atores.
Como você avalia o atual cenário global de cafés sustentáveis?
Há várias maneiras de olhar para isso. Certificações e padrões de boas práticas agrícolas foram uma base importante para globalizar conceitos, criar consciência e estabelecer um idioma comum para o setor.
Mas vivemos um paradoxo: nunca se falou tanto de sustentabilidade, ESG, neutralidade climática, novas regulações, desmatamento zero e ciência do clima aplicada à cafeicultura – e, ao mesmo tempo, a vulnerabilidade climática e a fragilidade econômica de milhões de pequenos cafeicultores nunca foram tão evidentes. Precisamos ir além: boas práticas precisam cobrir toda a cadeia de suprimentos e todos os atores da cadeia precisam ser sustentáveis. Além disso, precisamos escalar essas ambições e garantir que elas se traduzam em resultados concretos na vida do produtor.
Que regiões produtoras no mundo mais precisam de apoio na transição para práticas sustentáveis e por quê?
Eu as agrupo em três grandes corredores estratégicos. O primeiro abrange boa parte da África subsaariana, onde há baixa produtividade, infraestrutura limitada, pouco acesso ao crédito e alta exposição à variabilidade climática. O potencial é enorme, mas os recursos financeiros precisam ser desenhados respeitando os ciclos de produtividade, indo além de soluções que ofereçam retorno apenas em um ano. Também é essencial fortalecer as instituições que prestam serviços aos cafeicultores, incluindo inclusão digital e financeira, para atrair as novas gerações.
O segundo corredor inclui a América Central e o Caribe, regiões com alta migração rural, propriedades pequenas e forte exposição a furacões e secas. Nelas, as ações sustentáveis precisam combinar adaptação climática, inclusão financeira e mecanismos atrativos para jovens e mulheres que estão herdando a terra.
O terceiro corredor são as fronteiras agrícolas de canéforas, como Brasil, Vietnã e Indonésia, com alto risco de desmatamento, degradação do solo e conflitos socioambientais. A expansão dessas áreas precisa ser sólida e de incentivos claros para manter sistemas agroflorestais e promover a cafeicultura regenerativa. Nesse sentido, a liderança do Brasil tem sido importante.
Falamos de liderança adaptativa: resolver desafios técnicos – como extensão rural de qualidade, crédito adequado e acesso a dados de clima e mercado – e, ao mesmo tempo, enfrentar desafios adaptativos, redistribuindo poder nas cadeias de fornecimento e revendo incentivos que só premiam o curto prazo.
Além do Brasil, que é uma liderança muito importante, Vietnã e Colômbia têm avançado nesses temas. Mas esses avanços não são “receitas” exportáveis: cada país é um laboratório vivo, do qual outros podem aprender, não copiando, e sim adaptando.
Você acredita que governos e a indústria do café podem “equilibrar” essas regiões produtoras mais pobres?
Não só acredito como já vivi muitos projetos assim. Quando há cooperação e transferência estruturada de conhecimento, o aprendizado é rápido, erros são evitados e, em pouco tempo, é possível alcançar resultados muito positivos.
É o que acontece com a GCP em países como Uganda, onde vários atores e governos locais participam. Não se trata de substituir o governo, mas de apoiar a construção de políticas públicas, investimentos em infraestrutura e gestão hídrica que permitam às famílias continuar produzindo café.
Se somarmos ainda a experiência da sociedade civil e de grandes organizações ou ONGs que oferecem treinamentos, capacitações e métricas, tudo isso ajudará a transferir conhecimento para regiões que podem se beneficiar do que já foi feito em outros lugares.
Modelos de cofinanciamento no Brasil, com políticas públicas claras, servem como referência para países africanos. Na Colômbia, o Fundo Nacional do Café oferece uma “garantia de compra” que considero um dos maiores ativos do país: qualquer cafeicultor, a qualquer hora, pode vender seu café por esse mecanismo, e a FNC tem a obrigação de comprá-lo ao preço de referência do dia. Isso oferece transparência de preço e de mercado – algo que ainda não é realidade em muitos países africanos ou no México, por exemplo.
Que barreiras culturais e estruturais dificultam a adoção de práticas sustentáveis em países produtores?
Identificamos quatro barreiras recorrentes. A primeira é o olhar de curto prazo. Quando uma família cafeicultora não tem renda estável, poupança ou seguro, é difícil pedir a ela que invista em práticas cujo benefício só virá cinco ou dez anos depois. A pobreza é, em si, uma barreira à sustentabilidade.
A segunda são as assimetrias de poder e de informação: o produtor nem sempre sabe como se forma o preço do café, o que o mercado de fato valoriza ou quais riscos climáticos está enfrentando na sua própria região. Essas lacunas de informação e transparência limitam a adoção de novas práticas.
A terceira barreira são instituições que falham ou que não se coordenam. Quando isso acontece, o produtor recebe mensagens contraditórias e não constrói confiança no longo prazo. Por isso, as mensagens precisam ser coerentes, corretas e demonstráveis, e as instituições, críveis.
Por fim, há as questões culturais de que falamos – decisões concentradas em homens e mulheres e jovens cujas vozes não são ouvidas. Por isso, é fundamental falar em “arquitetura da sustentabilidade”: não bastam boas práticas agronômicas, é preciso redesenhar o funcionamento das instituições e a forma como interesses diferentes podem se combinar para gerar mais impacto nessas regiões.
Apesar de avanços em compras responsáveis, a maior parte dos cerca de 12,5 milhões de produtores no mundo continua a viver perto ou abaixo da linha da pobreza. Como você analisa esse cenário?
Esse é o centro do grande desafio da cafeicultura. A cadeia do café tem sido capaz de gerar muito valor, mas não de distribuí-lo de forma justa. Estudos mostram que, mesmo quando o produtor cumpre critérios ambientais e sociais e é considerado “sustentável”, sua renda total continua abaixo de um nível de vida digno no seu contexto. Há também um risco desigualmente distribuído: clima, pragas, volatilidade de preços e aumento de custos recaem sobre quem tem menos capacidade de gerir esses fatores – o pequeno produtor. Se não encontrarmos mecanismos para compartilhar e assegurar esse risco, a pobreza continuará sendo estrutural.
Por fim, o poder de negociação limitado dos cafeicultores, que não têm informação de mercado ou voz na definição de seus parâmetros e contratos. Não se trata apenas de um problema moral, mas de desenho de sistema. A boa notícia é que os sistemas podem ser redesenhados, com alianças diferentes, novos modelos comerciais e métricas que coloquem renda e prosperidade do produtor no centro do debate.
Em que medida o “S” – trabalho justo e renda digna – do ESG tem sido incorporado na prática?
Durante muitos anos, o “E” de ambiente [environmental, em inglês] recebeu quase toda a atenção. Agora, o “S” começa a sair do discurso e entrar no desenho de modelos de negócio. A Meta 2030 da GCP, por exemplo, é explicitamente socioeconômica. E isso é apoiado pelo que chamamos de teoria de mudança, que conecta a prosperidade do produtor à sustentabilidade ambiental – porque não existe uma sem a outra.
No Brasil, iniciativas coletivas lideradas pela GCP com parceiros e organizações locais têm se concentrado no tema e, globalmente, cada vez mais empresas assumem compromissos com renda digna, salários justos e devida diligência em direitos humanos.
Não estamos ainda onde deveríamos, mas, pela primeira vez, a conversa dominante é sobre se o café permite uma vida digna para quem o produz. Isso é uma grande oportunidade para garantir que o que fazemos tenha impacto real para os produtores.
Como falamos, o Brasil avançou muito em sustentabilidade no café. Quais ações brasileiras mais se destacam diante das mudanças climáticas?
O Brasil entendeu algo fundamental: que, por ser grande, a sustentabilidade do café depende de uma arquitetura sólida entre políticas públicas e inovação produtiva – e isso vem sendo construído há anos. Há marcos ambientais sofisticados, como o Código Florestal e o Cadastro Ambiental Rural, que permitem compatibilizar produção e conservação.
Há também uma aposta consistente em agricultura de baixo carbono, boas práticas agrícolas, uso eficiente de insumos e, cada vez mais, sistemas agroflorestais, além de respostas estruturadas ao estresse hídrico.
Destaco ainda a capacidade de organização do setor, que consegue reunir diferentes atores para definir prioridades e construir políticas, e a vontade de inovar e medir. De estudos de renda a iniciativas de agricultura regenerativa, o país produz evidências que podem ser escaladas e adaptadas em outros contextos.
Também percebo que a cafeicultura no Brasil é, em geral, menos apegada à tradição do que em outros países, o que abre espaço para inovação constante, um dos fatores que explica, em parte, por que o Brasil é o maior produtor de café do mundo. O Brasil não é apenas um competidor, mas um parceiro estratégico para definir como pode ser uma cafeicultura sustentável em grande escala.
E quais dessas práticas podem servir de modelo para outros países?
A primeira é a agricultura regenerativa com enfoque prático. O trabalho da GCP no Brasil e de seus parceiros, ao definir elementos de agricultura regenerativa no café – desde cobertura do solo até diversificação e manejo da biodiversidade –, criou um marco claro que outros países podem adaptar às suas realidades. A segunda são os estudos de renda e o uso de dados para orientar a tomada de decisão – tanto de políticas públicas quanto de investimentos privados e compras responsáveis.
Também destaco a integração de padrões e o reconhecimento internacional. O fato de mecanismos brasileiros serem reconhecidos como equivalentes a marcos globais de sustentabilidade mostra um caminho importante para que outros países criem instrumentos próprios que também se conectem a essas referências. Em síntese, o Brasil tem muitas lições a oferecer.
Que mensagem você gostaria de dar aos produtores brasileiros que buscam alinhar qualidade, sustentabilidade e negócios de longo prazo?
Vocês já são uma referência mundial, e as decisões que tomam hoje estão definindo o padrão do que o mundo entende como café sustentável em grande escala.
A sustentabilidade não é um custo, mas um investimento em liberdade: liberdade para decidir o futuro da propriedade, negociar melhor e fazer com que a próxima geração veja no café uma oportunidade e um bom modelo de negócio. As práticas regenerativas, a adoção de tecnologias adequadas e a participação em plataformas coletivas são estratégias para ganhar poder de decisão.
Também é importante não caminhar sozinho. A agenda climática e regulatória é complexa demais para ser enfrentada de fazenda em fazenda. A força de vocês está na capacidade de organização – cooperativas, associações, plataformas –, que sempre dará vantagem competitiva e comparativa.
O futuro do café está sendo escrito – e, em boa medida, nas zonas cafeeiras do Brasil. Meu desejo é que essa história de liderança esteja sempre acompanhada de prosperidade para quem está no início da cadeia: as famílias produtoras. E, no Brasil, felizmente, isso já começa a ser uma realidade.








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