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Seca eleva prêmios do café da América Central ao maior nível em três anos

Oferta de arábica pode cair mais que o previsto em Honduras e Guatemala, que concentram dois terços da produção da região

Por Reuters (Londres e Cidade do México)

Os prêmios pagos pelo café arábica da América Central atingiram o maior nível em cerca de três anos. A alta — o prêmio é o valor adicional pago em relação à cotação de referência na bolsa internacional — reflete os efeitos da seca associada ao El Niño, que teve seu pico entre julho e agosto no chamado Corredor Seco, faixa que atravessa Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua.

Marcada por estiagens prolongadas, muitas vezes seguidas de chuvas intensas, a região enfrenta também uma crise na produção de alimentos. Agências humanitárias alertaram para o risco de insegurança alimentar depois que agricultores de subsistência e pequenos produtores – entre 3 milhões e 5 milhões de pessoas – sofreram fortes perdas nas lavouras de feijão e milho. Por ser uma cultura perene, o café tende a ser menos afetado pela seca, mas sua oferta também está sob pressão.

Os prêmios refletem diferenças de qualidade no café, mas também a relação entre oferta e demanda. Especialistas afirmam que os valores elevados na América Central, responsável por 15% da oferta global de arábica, estão estabelecendo um piso para os preços futuros do café no mercado internacional.

Dados da Reuters mostram que os prêmios pagos pelos cafés dos quatro países afetados estão nos maiores níveis, ou próximos deles, em mais de três anos.

Previsões iniciais de produção de arábica em Honduras e na Guatemala para 2026/27 apontam queda de 7% e 10%, respectivamente. Os dois países, responsáveis por dois terços dos grãos da América Central, afirmam, porém, que as perdas podem ser maiores.

“A América Central está excepcionalmente seca. [Isso] pode ser nosso primeiro indício dos possíveis efeitos de um El Niño severo”, afirma Marc Schonland, consultor independente de café.

TEXTO Redação

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