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Grandes embarques devem elevar estoques e pressionar preços para baixo
Entenda como a entrada e a saída de arábica brasileiro dos estoques da bolsa de Nova York influenciam os preços internacionais

Prédio da Bolsa Oficial do Café, em Santos (SP), que acaba de completar 104 anos (foto: arquivo do Museu do Café)
Por Reuters (Londres e Nova York)
Comerciantes planejam entregar volumes significativos de café arábica brasileiro aos armazéns das bolsas ICE, cujos estoques caíram aos níveis mais baixos em 26 anos, impulsionando a alta dos preços. A informação foi divulgada à Reuters por negociantes, corretores e analistas de mercado, que preferiram não se identificar.
Em julho, os contratos futuros de arábica na bolsa novaiorquina – referência global para a precificação do café – atingiram o maior patamar em seis meses (acima de US$ 3,50 por libra-peso). Segundo analistas, o motivo principal para a manutenção dos preços elevados é o baixo nível dos estoques de arábica (cerca de 70% do volume está armazenado na Antuérpia, Bélgica).
Os embarques do Brasil podem mais do que dobrar os estoques certificados pela ICE – os que mais influenciam preços, pois servem como indicador claro do excedente disponível para entrega na bolsa.
Muitos fundos operados por algoritmos são programados para vender automaticamente quando os estoques da bolsa aumentam, e para comprar quando eles diminuem.
Centenas de milhares de sacas
Duas fontes entrevistadas pela Reuters informaram que a Olam, gigante do setor de commodities, quer certificar até 200 mil sacas na bolsa a tempo de fazer as entregas futuras de dezembro. A Louis Dreyfus Company, outra grande empresa do setor, tenta fazer o mesmo, segundo uma terceira fonte. As duas empresas preferiram não comentar.
Depois de atrasos na colheita e questões climáticas extremas, os estoques certificados pela ICE caíram para menos de 220 mil sacas, em comparação a um período entre 2000 e 2022, em que eles transitaram de 1 milhão a 5 milhões de sacas.
A previsão de entrega de cerca de 300 mil sacas, portanto, não elevará os estoques ao patamar de 1 milhão de sacas, considerado confortável pelos operadores. No entanto, espera-se que isso pressione os preços, afirmou uma quarta fonte, também anônima.
Há uma tendência, segundo a Reuters, de que operadores e analistas interpretem volumes de embarque para a Bélgica acima do habitual, como um sinal de que o excedente de oferta — além das necessidades das torrefadoras — está sendo direcionado para a bolsa.
Segundo um analista de uma grande empresa do setor, cerca de 150 mil sacas de arábica brasileiro, do total embarcado em agosto, representam um excedente em relação à demanda média das torrefadoras e, provavelmente, seguirão para a bolsa. Mais remessas estão previstas para setembro, informou.
Em agosto, as exportações brasileiras para a Bélgica cresceram 245,3% (mais de 525 mil sacas) na comparação anual, segundo dados do governo analisados pela Terra Investimentos.
Aos armazéns da bolsa já chegaram mais de 62 mil sacas de café brasileiro, que aguardam classificação ou controles de qualidade para serem certificadas como negociáveis nos contratos futuros da ICE com vencimento em dezembro, conforme mostram dados da bolsa. Não está claro, porém, qual porcentagem será bem sucedida nas verificações.
A bolsa novaiorquina funciona, em parte, como um mercado de última hora — ou um comprador garantido para excedentes de café. Assim, qualquer sinal de aumento em seus estoques pode levar investidores a apostar na queda dos preços.




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