Cafezal

Yara, JDE Peet’s e ofi se unem para colher a primeira safra de café conilon de baixa pegada de carbono

Empresas se aliaram num projeto para alavancar a redução das emissões de carbono e a produtividade em lavouras de conilon do Espírito Santo e Bahia

Por Lívia Andrade, de Eunápolis (BA)

Yara, JDE Peet’s e ofi – três gigantes nas áreas de nutrição, torrefação e originação de café, respectivamente – se uniram, há um ano, num projeto que visa tornar a produção de café conilon mais resiliente climaticamente.

“Precisamos de um produtor resiliente, com uma atividade economicamente rentável”, diz Bruno Ribeiro, gerente de fornecimento responsável da JDE Peet’s. “Só assim ele vai se manter na atividade, produzindo café de maneira responsável para comprarmos e torrarmos para nossas marcas locais e de fora do Brasil”, complementa.

O projeto, focado em cafés da variedade conilon, contempla 20 fazendas do sul da Bahia e do Espírito Santo. Juntas, as três empresas selecionaram propriedades para implantar um talhão de café com o manejo nutricional de fertilizantes, do portfólio Yara Climate Choice,  cujo processo de fabricação tem uma pegada de carbono até 90% menor do que a dos fertilizantes convencionais. “Queremos promover uma cafeicultura mais sustentável, de baixo carbono, mas isso tem que ser rentável para o produtor, senão o projeto não para em pé”, diz Francielle Bertotto, gerente de sustentabilidade e cadeia do alimento da Yara Brasil.

A parceria funciona da seguinte forma: a Yara fornece a tecnologia nutricional de baixo carbono e acompanhamento técnico e coleta de dados em campo; a ofi entra com também com assistência técnica e se compromete a adquirir este café de baixo carbono e a JDE Peet’s, por sua vez, compra este café originado na ofi. 

Além disso, ofi e JDE Peet’s dão subsídio para os cafeicultores comprarem os adubos do portfólio Yara Climate Choice, que têm preço médio superior ao dos convencionais. Mas o produtor não tem obrigação de vender este café para a ofi – é uma opção, caso seja interessante para ele. 

O grande objetivo do projeto, cuja primeira colheita começou no fim de junho, é servir de vitrine para o agricultor entender que o manejo com produtos diferenciados pode gerar um ganho de até 7,6 sacas a mais por hectare, além de reduzir a pegada de carbono do café em cerca de 40%. 

Isso porque fertilizantes nitrogenados são os maiores vilões das emissões de gases do efeito estufa numa propriedade cafeeira – representam cerca de 2/3 das emissões. Mas eles não são os únicos, pois entram na conta os combustíveis dos maquinários, como tratores, colhedoras, transporte dentro da propriedade, entre outros.

O projeto prevê também transferência de conhecimento por meio da assistência técnica rural. Não por acaso, as equipes de campo da Yara e da ofi têm treinado os produtores em fertirrigação. “As áreas de conilon são muito dependentes de água para produzir. Se o cafeicultor não tiver eficiência na irrigação, a atividade está realmente ameaçada”, explica Francielle.

Bruno Ribeiro, Gerente de Sustentabilidade da JDE Peet’s; Rafael Sol e Daiane Sol, produtores; Eduardo Sampaio, Supervisor de Sustentabilidade da ofi; e Francielle Bertotto, Gerente de Cadeia de Alimentos e Sustentabilidade da Yara Brasil

Rafael Sol e a esposa, Daiane, são beneficiários do projeto. Proprietários da fazenda Vitória, com 40 hectares de conilon em Eunápolis (BA), eles já tinham parceria de longa data com a ofi, que os auxiliou na implementação da certificação Rainforest. “Foi uma mudança drástica”, comentou Sol.

Depois desta, as mudanças seguintes foram mais fáceis. “Hoje, tenho produção de micro-organismos on farm e há três anos só uso inseticida biológico”, diz o produtor e engenheiro agrônomo. “A questão da sustentabilidade está vindo junto com nossas mudanças, mas faço as contas para ver se a tecnologia é mais eficiente e menos onerosa”, explica.

Do projeto da Yara, ofi e JDE Peet’s, Sol ainda não colheu café. “Mas meu gerente, que roda toda a fazenda, disse que os cafezais da área do projeto [9,5 hectares] estão nitidamente melhores, com os grãos mais bonitos, mais bem formados”, conta ele. “Entrei no projeto por causa da pegada de carbono. É uma tendência mundial. Vejo a possibilidade de conquistar novos clientes por causa desse diferencial”, acrescenta.

Para a Yara, ofi e JDE Peet’s, o projeto envolve promover a adaptação dos produtores de conilon às mudanças climáticas e, dessa forma, ajudá-los a se manter na atividade. “As três empresas têm este objetivo em comum: apoiar o produtor, promover uma cafeicultura descarbonizada e mais sustentável, trazendo soluções eficientes”, diz Eduardo Sampaio, supervisor de sustentabilidade da ofi.

O projeto também contribui com uma meta maior: atingir a neutralidade de carbono (Net Zero) até 2050 para as três empresas envolvidas. Este compromisso implica tanto na redução das emissões diretas quanto nas emissões indiretas de energia e nas emissões na cadeia de valor (a fase agrícola). 

TEXTO Livia Andrade

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