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Safra recorde, regulação e tensões internacionais marcam o último dia do Seminário Internacional do Café de Santos
Painéis sobre comércio exterior, oferta e demanda e os impactos da geopolítica reuniram lideranças do setor em Santos (SP), com destaque para projeções otimistas da safra brasileira e debates sobre agregação de valor ao café nacional
Por Gabriela Kaneto, de Santos (SP)
Produtores, exportadores, pesquisadores, especialistas e representantes da indústria cafeeira se reuniram em Santos (SP), entre 19 e 21 de maio, para acompanhar a 25ª edição do Seminário Internacional do Café, realizado pela Associação Comercial de Santos.
A programação do último dia do evento contou com debates importantes. Um deles foi o “Painel regulatório”, com com Marcos Matos (Cecafé), Bill Murray (National Coffee Association of USA), Kevin Lardner (Rainforest Alliance) e Augusto Billi (Ministério da Agricultura e Pecuária). Os debates giraram em torno das tarifas impostas pelo presidente Trump, reafirmaram a importância da educação do consumidor sobre os cafés do Brasil e o reposicionamento da União Europeia quanto à EUDR, ao simplificar e diminuir os custos da compliance na regulamentação.
Outro destaque foi a palestra sobre geopolítica “O fim da hiperglobalização e o Brasil”, do economista Eduardo Giannetti, que explorou as tensões políticas atuais e destacou como esse contexto pode ser uma janela de oportunidades para o Brasil no processo de desglobalização. Potenciais do país, como sua matriz de energia limpa e como player global na produção de alimentos e de reserva de minerais raros são uma vantagem competitiva que o Brasil, deveria usar para se reposicionar globalmente. Além disso, a estratégia do país deve ser a de uma economia mais aberta, aumentando a sua importação e sua exportação de bens manufaturados. “No café, vamos vender menos in natura e mais café processado e industrializado no Brasil, para agregar valor”, pontuou.
O vice-presidente da Associação Comercial de Santos, Carlos Santana, conduziu o painel “Supply & demand”. Os convidados Claudio Delposte (Rabobank) e Oscar Schaps (StoneX) forneceram estimativas de colheita, clima e consumo de café no Brasil e no mundo, além de questões de logística e volatilidade dos preços internacionais e expectativas das próximas safras nos principais países produtores.
As duas consultorias apostam em uma safra brasileira acima dos 70 milhões de sacas – 73,2 (Rabobank) e 75,3 (StoneX) –, com o arábica alcançando 48,7 milhões de sacas (Rabobank) e 50,2 (StoneX), e o canéfora, 24,6 (Rabobank) e 25,1 milhões de sacas (StoneX). Assim, ambas projetam um superávit do volume de consumo entre 8 e 10 milhões de sacas no mundo.





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