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Bebida milenar: a Espresso provou chás japoneses

A cultura do chá no Japão começou muito antes do Brasil ser chamado de Brasil. Segundo a história, foi por meados do século X que monges japoneses viajaram à China para aprender sobre zen budismo. Na jornada, repararam que os monges chineses meditavam por horas e horas sem se cansarem e, curiosamente, ao lado deles, havia sempre uma xícara com um líquido armazenado, feito a partir de chá verde em pó. A partir daí, os monges japoneses retornaram ao Japão carregando sementes de Camellia sinensis para serem cultivadas no país e, com isso, propagaram a cultura do chá.

Até os dias atuais, o chá verde é o tipo mais popular no Japão, tanto em produção quanto em consumo – além de ser um elemento da cultura japonesa associado à sua identidade e tradição. Ao longo dos anos, o país desenvolveu diversas técnicas de produção, cultivares adequadas, máquinas e equipamentos específicos que resultaram em diferentes tipos de chá verde. De acordo com a Global Japanese Tea Association, atualmente o país é o oitavo maior produtor de chá, com uma produção anual estimada em 89 mil toneladas. Mas, considerando a produção de chá verde, o Japão é o terceiro maior produtor.

A Espresso provou três tipos de chás verdes japoneses, produzidos na província de Ibaraki, e um matcha cultivado em Kyoto. A degustação aconteceu na Mori Chazeria (rua Coronel Oscar Porto, 267 – Paraíso – São Paulo), e o preparo das bebidas foi feito pela proprietária Patrícia Akemi. A especialista em chás japoneses, Paula Braga Batista, também foi convidada para participar da experiência. Confira nossas anotações.

Kabusecha

Chá verde especial. Em sua produção, a planta ficou mais tempo sob cobertura antes de ser colhida, o que propicia características como dulçor e umami. O chá foi preparado com água a 75°C e menos de dois minutos de infusão.

Visual limpo, translúcido
Aroma herbáceo, doce
Sabor refrescante
Corpo leve
Finalização prolongada, agradável
A redação achou um chá muito leve e fresco, agradável para qualquer hora do dia

Genmaicha

Blend de chá verde japonês especial com arroz tostado. Uma das histórias por trás da sua origem é a de que este chá surgiu como solução econômica para tornar o chá verde mais acessível em períodos de escassez. Foi feito a 85°C, com infusão de dois minutos.

Visual turvo, com borra do chá no fundo da xícara
Aroma arroz, pipoca
Sabor herbáceo, arroz, alga
Corpo médio
Finalização presente
A redação achou um chá com sabor mais intenso. As notas foram ressaltadas conforme a temperatura
diminuiu

Kuki Hojicha

Chá verde tostado. Diferentemente do kabusecha, não é feito com as folhas, mas com os talos, uma maneira de aproveitar melhor a planta como um todo. Mas não é qualquer talo – somente os das partes mais nobres da planta. Foi feito com água a 90°C e infusão de cinco minutos.

Visual alaranjado, translúcido
Aroma tostado, amadeirado
Sabor especiarias, castanha, picante
Corpo médio
Finalização presente, picante
A redação achou apesar do sabor mais presente, ainda é um chá leve e fácil de tomar

Matcha

É um chá verde em pó. As folhas são cultivadas delicadamente sob cobertura e, depois de colhidas, são moídas em um pó muito fino. Por não ser uma infusão, há mais concentração de cafeína. A bebida levou 2 g de matcha para 80 ml de água, a 70°C.

Visual turvo, verde intenso, presença de espuma
Aroma vegetal, verde
Sabor adstringente
Corpo alto, encorpado
Finalização presente
A redação achou gostoso e delicado. Por não ser uma infusão, foi o chá mais encorpado da degustação

Made in Brazil

Chá preto da variedade assamica cultivado pelo Sítio Shimada em Registro, interior de São Paulo. Preparado com a água a 95°C, com dois minutos de infusão.

Visual alaranjado forte, turvo
Aroma ameixa, fruta seca, doçura do tomate
Sabor doce, frutado
Corpo médio
Finalização doce, agradável
A redação achou um chá redondo, de sabor mais complexo. Diferentemente do verde, não tem notas herbais. Provamos também com leite, o que resultou em uma bebida doce e cremosa

Texto originalmente publicado na edição #88 (junho, julho, agosto de 2025) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Agência Ophelia

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