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Exportações brasileiras batem recorde, com US$ 15,6 bilhões em 2025
Mesmo com queda de 20,8% no volume embarcado, preços elevados garantiram receita histórica ao café brasileiro; tarifaço dos EUA e menor oferta marcam o cenário de 2025
O Brasil encerrou 2025 com receita cambial recorde de US$ 15,586 bilhões nas exportações de café, um avanço de 24,1% em relação a 2024, apesar da forte queda de 20,8% no volume embarcado, que somou 40,049 milhões de sacas. Os dados constam do relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), divulgado na segunda-feira (19).
Segundo o Cecafé, o resultado reflete um ano marcado por menor disponibilidade de café após os embarques recordes de 2024, impactos climáticos sobre a safra e efeitos diretos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A entidade avalia que a recuperação das perdas financeiras causadas tanto pelas tarifas quanto pelo cancelamento ou redução de compras por outros países importadores pode ocorrer apenas na próxima safra.
Principais destinos: Alemanha assume liderança
A Alemanha tornou-se o principal destino do café brasileiro em 2025, ultrapassando os Estados Unidos, tradicional líder do ranking. O país europeu importou 5,409 milhões de sacas, o equivalente a 13,5% do total embarcado, embora com queda de 28,8% em relação a 2024.
Principais destinos do café brasileiro em 2025
Entre os dez maiores compradores, apenas três países ampliaram suas compras em 2025: Japão, Turquia (6ª posição), com 1,555 milhão de sacas (+3,3%) e China (10ª posição), com 1,123 milhão de sacas (+19,5%). Segundo o Cecafé, o maior volume adquirido pelo Japão refere-se à recomposição de seus estoques. Já a Turquia fez compras tanto para abastecer o mercado interno quanto para fornecer a países vizinhos.
Cafés diferenciados: menos volume, mais valor
Os cafés diferenciados brasileiros — com certificações de práticas sustentáveis, qualidade superior ou perfil especial — somaram 8,145 milhões de sacas exportadas em 2025, respondendo por 20,3% do total embarcado. O volume foi 10,9% menor do que em 2024, acompanhando a retração geral das exportações brasileiras.
Em valor, porém, o desempenho foi positivo: os embarques desses cafés geraram US$ 3,525 bilhões, o equivalente a 22,6% da receita total – com alta de 39,1% na comparação anual, impulsionada pelos preços médios mais elevados.
Principais destinos dos cafés diferenciados em 2025
Europa segue como mercado-chave
A Europa manteve-se como principal destino do café brasileiro, absorvendo 20,18 milhões de sacas em 2025, o equivalente a 50,4% do volume total exportado. Em receita, os embarques ao continente somaram US$ 8,133 bilhões.
“É um mercado fundamental, e num contexto geopolítico muito forte”, afirmou Marcos Matos, diretor-técnico do Cecafé, em coletiva à imprensa na segunda-feira (19), ao destacar a relevância estratégica do bloco europeu para o café brasileiro.
No médio prazo, o Cecafé avalia que o acordo Mercosul–União Europeia tende a reforçar essa importância, especialmente para os cafés industrializados. Pelo tratado, o café solúvel brasileiro terá desagravação tarifária gradual até zerar em quatro anos, o que colocará o Brasil em igualdade de competitividade com o Vietnã no mercado europeu.
Café solúvel: tarifa mantida nos EUA aprofunda perdas
Apesar do avanço do acordo com a UE, o café solúvel brasileiro segue enfrentando entraves nos Estados Unidos. O relatório do Cecafé destaca que a vigência do tarifaço fez com que os embarques do produto aos EUA caíssem 55% até novembro.





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