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Melhores cafés naturais do Brasil são leiloados nesta quarta-feira

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Nesta quarta-feira (4/3) o mundo do café voltará ainda mais seus olhos ao Brasil, com foco no leilão dos 23 vencedores do Cup of Excellence Naturals 2014, concurso que premia os melhores de cafés naturais – colhidos e secos com casca –, inscritos no certame.

Segundo a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), realizadora do concurso, mesmo diante das fortes oscilações do mercado cafeeiro, a expectativa é grande para a obtenção de bons preços no leilão, já que o café campeão do concurso, produzido pelos irmãos Antônio Márcio e Sebastião Afonso da Silva, no Sítio Baixadão, em Cristina, região da Mantiqueira de Minas Gerais, bateu o recorde ao obter 95,18 pontos. Além disso, os quatro primeiros colocados tiveram notas superiores a 90 pontos, sendo considerados “presidenciais” pelos jurados internacionais.

O presidente da BSCA, Silvio Leite, está otimista com a possibilidade de serem registrados bons lances no leilão. “Todos os cafés que serão ofertados são fantásticos, revelando ao mundo a qualidade do produto natural brasileiro. É complicado prever algo quando pensamos em um leilão, mas o fato de o vencedor ter quebrado o recorde da competição e termos outros três cafés acima de 90 pontos nos deixa esperançosos”, revela.

Participando pela primeira vez de um concurso Cup of Excellence no mundo, a trader de cafés especiais da Starbucks Coffee Trading Company, Ann Traumann, comenta que teve uma experiência incrível durante a fase internacional realizada em Araxá (MG) e que se encantou com o produto nacional. “Descobri muitos lotes de cafés naturais maravilhosos. Os produtores brasileiros mostraram e me provaram que o Brasil é um país de cafés especiais”, anota.

O leilão será online, realizado através de uma plataforma na internet criada pela Alliance for Coffee Excellence (ACE), com início previsto para as 11h (horário de Brasília). Os interessados poderão acompanhar o pregão acessando o site da entidade, através do link http://www.allianceforcoffeeexcellence.org/en/.

O concurso Cup of Excellence Naturals é realizado pela BSCA, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), a ACE e o Sebrae.

TEXTO Da redação • FOTO Divulgação/Guilherme Gomes

7 cafeterias que você tem que conhecer no circuito NY-Londres-Paris

Intelligentsia Coffee

Tenho paixão por cafeterias, fato. Mas não qualquer cafeteria. Prefiro os cafés independentes, com ambientes modernos, cafés de qualidade e que oferecem métodos de preparo diferenciados para o consumidor, além do tradicional espresso (que também é ótimo, diga-se de passagem). Nestas cafeterias a gente nem vê a hora passar. São ideais para uma pausa durante o dia, mas também excelentes para quando estamos viajando e em busca de um lugar para esticar as pernas e dar um renovada na energia!

Quando turistando no exterior, os cafés são ótima opção para wi-fi gratuita (para checar os emails e postar fotos), refeições rápidas e baratas e, em alguns casos, para se abrigar do frio. Quem já esteve em Nova York durante o inverno, sabe do que estou falando! Pensando nisso, abaixo estão dicas de cafeterias legais que merecem a visita, para quem está de passagem por Nova York, Londres e Paris.

Vai um cafezinho?

NOVA YORK

Intelligentsia Coffee – o must dos cafés especiais nos Estados Unidos. Tem uma unidade modernosa no lobby do The Standard High Line Hotel, perto do High Line Park. Também é possível provar os cafés no famoso food truck verde da marca, um Citroën de 1963 totalmente reformado, estacionado do lado de fora do hotel.

Blue Bottle Coffee – originalmente de San Francisco, a marca chegou com tudo em Nova York. O logo da garrafa azul aguça a curiosidade logo de cara e os cafés são deliciosos! Tem uma unidade conveniente no Rockefeller Center Plaza, embaixo das escadas, ao lado do rinque de patinação.

Café Grumpy – um dos favoritos dos locais (em tradução livre: café ranzinza), nasceu no Brooklyn e hoje conta com seis unidades espalhadas pela cidade. A mais nova casa foi aberta em 2014 dentro da Grand Central Station, por onde passam milhares de pessoas diariamente.

LONDRES

Workshop Coffee Co. – com quatro unidades na cidade, serve cafés de altíssima qualidade, tendo o espresso como base da maioria das preparações. Também tem comidinhas e serve café da manhã, almoço e jantar em ambiente mega descolado. Uma das casas fica na Mortimer Street, pertinho de Oxford Circus.

Notes – misto de cafeteria, wine bar e restaurante com três unidades em Londres. Desde 2013 torra seus próprios cafés, assunto levado a sério pelos baristas da casa, que servem espressos e diferentes métodos de filtrado. As unidades de Covent Garden e Trafalgar Square ficam no centro do burburinho.

PARIS

Coutume Café – localizado no sofisticado bairro de Rive Gauche, pertinho do Musée Rodin, este café foi idealizado por dois revolucionários da cena de café parisiense. Com clima hipster e ambiente amplo e clean, serve ótimos cafés do mundo todo, torrados na casa. O local também oferece vinhos em taça, com o barista fazendo as vezes de sommelier.

La Caféothèque – parada obrigatória para quem circula pelo Marais. Esta pequena cafeteria é considerada uma das melhores de Paris. Charmosa, torra os próprios cafés, de diferentes origens, e serve um espresso perfeito, coisa rara na capital francesa.

Maria Fernanda Brando é hoteleira, apaixonada por viagens, livros e café, e fundadora da TravelBox, empresa de consultoria para viagens e roteiros personalizados. Com mais de 25 países carimbados no passaporte, elabora roteiros independentes e criativos para destinos ao redor do mundo. Para falar com a colunista: contato@travelbox.com.br / (11) 99738-8089 / Facebook: travelboxviagens

FOTO Divulgação/Intelligentsia Coffee

Mercado

Restaurante de Jamie Oliver no Brasil terá café Santo Grão

Santo Grão_James Italian A cafeteria Santo Grão será a fornecedora de cafés do empreendimento do chef Jamie Oliver no Brasil, o Jamie’s Italian. A novidade, anunciada pelo restaurante, foi comemorada pela equipe do novo estabelecimento. “Diariamente, os grãos são torrados na unidade da Oscar Freire e chegarão fresquinhos ao nosso restaurante”, disse a nota. Mais detalhes sobre o café e os métodos que serão servidos ainda não foram divulgados. Em janeiro, a equipe do Jamie’s Italian participou de um treinamento na cafeteria para entender mais sobre o grão, preparos e serviço. O restaurante, localizado na Avenida Horácio Lafer, 61, no bairro Itaim Bibi, ainda não tem data confirmada de abertura.

TEXTO Da redação • FOTO Divulgação/Jamie's Italian Brasil

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Evento de café foca em curso para apaixonados pela bebida

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Um novo evento de café acontecerá no mês que vem: o Jamboree Brasil Café. Focado para o consumidor, o fórum será formado por mesas-redondas e workshops com informações teóricas e práticas. O projeto foi criado pelo especialista em café Ensei Neto, em parceria com o Clube do Café, comunidade de apaixonados pela bebida.

Com duração de um dia, em 21 de março (sábado), o Jamboree oferecerá 120 vagas e terá uma programação extensa, das 8h às 18h30. Pela manhã os painéis teóricos trarão especialistas sobre os temas Territórios, Ciência da Torra e Avaliação Sensorial. Os convidados serão confirmados em breve.

Aos participantes não será necessário conhecimento prévio de café. No período da tarde a ideia é testar equipamentos diversos, como moinhos e máquinas de espresso e colocar a mão na massa também na parte sensorial, com degustações.

Ensei nos explicou que a ideia do evento surgiu há algum tempo, mas que agora encontraram um bom espaço para realizar. O local é o showroom da marca alemã Zwilling Henckels, especializada, entre outros produtos, em facas profissionais de cozinha. Durante os workshops, os equipamentos poderão ser mexidos e testados pelos participantes, que serão divididos em grupos menores e poderão circular pelas estações montadas com diferentes métodos de preparo e acessórios.

Para Ensei o foco no público de coffee lovers e coffee geeks tem o intuito de ensinar e trocar mais com este público de forma prática e direta: “Cada vez que o consumidor tiver mais informação, ele exigirá mais da cadeia do produto”. O objetivo ao compartilhar conhecimento também será o de trazer “novas perspectivas ao mercado de café e inovação, a palavra que está nos guiando nesse projeto”.

Atrações internacionais estão sendo cogitadas, assim como profissionais de outras áreas, para que possam trazer visões de outros mercados aos participantes. Porém pelo perfil do organizador, uma das principais ênfases será mesmo nas experiências sensoriais do café e em como as regiões e processamentos, e também a torra, influenciam nas características aromáticas e de sabor do produto. Vamos aguardar!

Serviço
Data: 21 de março de 2015
Horário: 8h às 18h30
Investimento: R$ 380
Onde: Rua Oscar Freire, 578, Jardins, São Paulo (SP)
Inscrição: enseineto@gmail.com
Site e inscrições: www.jamboreebrasil.coffee

TEXTO Mariana Proença • FOTO Divulgação

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Barista do Irã tem visto negado para o mundial nos EUA

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Após realizar o primeiro Campeonato Iraniano de Barista, entre os dias 30/1 e 1/2, com a participação de 34 baristas, número maior do que no Brasil, o campeão Mehran Mohammad Nezhad, da Yasi Café, não poderá representar o país no Campeonato Mundial de Barista, em abril, em Seattle, Estados Unidos.

O governo dos Estados Unidos negou o pedido de visto ao barista. De acordo com a campeã norte-americana, Laila Ghambari, que foi uma das organizadoras do evento no Irã, “estamos todos incrivelmente tristes mas ao mesmo tempo o que realizamos foi extraordinário: o primeiro barista campeão do Irã”.

A comunidade do café em todo o mundo está se solidarizando com o barista e sua equipe, que já tinha vários patrocínios para se apresentar nos Estados Unidos. Porém é remota a chance de reverter a decisão. Atualmente não existem relações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irã. Não há embaixadores nos países e há embargo do comércio entre eles.

Leia mais sobre o crescimento do café na Ásia.

BaristaCafé & Preparos

Divulgada a lista de participantes do I Campeonato Brasileiro de Aeropress

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Baristas de todo o Brasil se inscreveram para a competição que promete agitar o calendário de cafés do País. A organização do I Campeonato Brasileiro de Aeropress divulgou nesta segunda-feira (23/2), a lista dos 18 profissionais que vão disputar uma vaga na competição mundial da categoria, com passagem e estadia pagos em Seattle, nos Estados Unidos, durante a feira da Specialty Coffee Association of America (SCAA).

O café que será utilizado pelos competidores no campeonato nacional é um obatã, de processamento natural, produzido pela Fazenda Ambiental Fortaleza e torrado pela equipe do Isso é Café (foto).

Confira aqui a lista oficial dos participantes, que já conta com cinco ansiosos inscritos na lista de espera para o caso de desistência.

Agora é contagem regressiva para o evento que vai acontecer no dia 7 de março, no Studio FAF, em São Paulo, com previsão de início para às 16h.

Acompanhe novidades do evento também pela página do campeonato no Facebook.

 

TEXTO Da redação • FOTO Divulgação

Café & PreparosMercado

Pernambuco aumenta a venda de café

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Em 2014, o estado de Pernambuco registrou um aumento de 75% na venda de café. De olho neste crescimento, a Casa dos Frios, tradicional empório de Recife que produz os famosos bolos de rolo, fechou parceria com a Baggio Café, empresa centenária no cultivo de grãos.

Fundada em 1957, a Casa dos Frios é a mais antiga importadora e delicatessen da cidade. Mesmo Recife sendo uma cidade de altas temperaturas, o consumo de café é elevado. Contudo, a participação do gourmet ainda é pequena. “Há um grande potencial para esse mercado. Muitos pernambucanos ainda não tiveram a oportunidade de experimentar cafés especiais. Queremos proporcionar isso a eles”, afirma Liana Baggio Ometto, diretora comercial.

A capital pernambucana também conta com opções de cafeterias em shoppings como o Rio Mar e Recife. É o caso do Feito a Grão, cafeteria com origem em Salvador (BA), mas que já conquistou a clientela em Recife com variados métodos de preparo de café. Outra sugestão é a Bogart Café, no bairro de Santo Amaro, que oferece drinques como o Cup Coffee, café com cupuaçu. Ainda no mesmo bairro, o Café Miró atrai os apaixonados por espresso com raspas de limão e o Café Espumone (espresso, creme de leite, leite condensado e vaporizado).

Serviço
Recife (PE)

Casa dos Frios (Avenida Rui Barbosa, 412, Graças)
www.casadosfrios.com.br

Feito a Grão
Shopping Rio Mar (Avenida República do Líbano, 251, Pina)
Shopping Recife (Rua Padre Carapuceiro, 777, Boa Viagem)
www.feitoagrao.com.br

Bogart Café (Rua Afonso Pena, 96, Santo Amaro)
facebook.com/bogartcafe2011

Café Miró (Rua Afonso Pena, 165, Santo Amaro)
www.cafemiro.com.br

TEXTO Da redação • FOTO Divulgação/Sorelle

Café & PreparosMercado

Lavazza pode confirmar a aquisição das cápsulas L’Or

lavazza-girl_1600x1200_94085Após a fusão monstro da Mondelez com a D.E Master Blenders 1753 (divisão de cafés) para criar a nova empresa Jacobs Douwe Egberts (JDE), com sede na Holanda, as leis de competição da Europa forçaram a nova companhia a vender suas marcas de café L’Or e Grand’Mère. Após meses de interesse de empresas de private equity, bem como da companhia de café de Israel, Strauss Group, a mais nova informação é de que a torrefadora italiana Lavazza parece ser a companhia com mais chances de adquirir ambas as marcas. Essa compra rapidamente tornará a L’Or uma parte vital do crescimento contínuo da Lavazza em mercados de café fora da Itália – e dá à companhia uma verdadeira participação na categoria de cápsulas de café compatíveis ao sistema Nespresso. Já posicionada como uma marca de espresso de qualidade, a Lavazza deve ser capaz de expandir as vendas da L’Or atrás de um modelo de preços e produtos que focam em cápsulas para o sistema Nespresso, bem como cápsulas para suas próprias máquinas de espresso, Lavazza Blue. Estratégia e antimonopólio Nesse cenário, a venda das marcas L’Or e Grand’Mère parece ser um efeito direto das leis antitruste/antimonopólio da Europa – uma perda necessária para avançar com a aprovação da nova companhia JDE. Entretanto, a JDE pode simplesmente estar de olho no prêmio maior. A Nestlé e a Keurig estão firmemente envolvidas no mercado de cápsulas. A Keurig obteve sucesso através de uma estratégia de licenciamento com parceiros nos Estados Unidos, enquanto a Nestlé confiou totalmente em suas patentes o modelo exclusivo de vendas para atrair consumidores com poder aquisitivo. Ao invés de competir diretamente com essas companhias, sair do modelo de cápsulas pode demonstrar o compromisso da JDE com seus sachês de café, bem como o foco em mercados emergentes onde os sistemas Nespresso e Keurig podem ser caros para muitos consumidores. Nesse meio tempo, a Lavazza se torna um competidor mais forte para a Nespresso. Embora a JDE traga a concorrência para Ásia Pacífico e América Latina, essa venda à Lavazza cria outro oponente para a Nestlé na região de alto poder aquisitivo da Europa Ocidental. leia mais…

TEXTO Da redação • FOTO Divulgação/Lavazza

BaristaCafeteria & Afins

Harmonização de café com queijo

queijo-1392139254874_956x500Ainda há algumas vagas para a harmonização de café com queijo que acontece amanhã, 14/2, no Mestre Queijeiro, em Pinheiros, São Paulo. Serão dois tipos de café harmonizados com três tipos de queijo. Os cafés especiais serão preparados no método filtrado Hario V60 pelo barista Ton Rodrigues, da True Coffee Brasil. Os queijos nacionais serão apresentados pelo especialista Bruno Cabral. Quem tiver interesse, serão três turmas (10h, 16h e 18h), com duração de 2h cada turma. A harmonização será acompanhada de explicações teóricas sobre os dois produtos. Serviço Mestre Queijeiro Rua Simão Álvares, 112, Pinheiros, São Paulo (SP) Investimento: R$ 40 Contato: truecoffeebrasil@gmail.com

TEXTO Da redação • FOTO Divulgação

Mercado

Tomie Ohtake (1913-2015)

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Em 2006, a Revista Espresso entrevistou Tomie Ohtake, em São Paulo. A artista morreu hoje, aos 101 anos, e aqui está nossa homenagem a esta brasileira, nascida no Japão. Conheça um pouco da história dela, que se dedicou à arte até o fim.

Sutileza e expressão na arte de criar
Ela aportou no Brasil em 1936. O que era só uma visita ao irmão, que “foi para longe da família para ter liberdade daquele rigor japonês”, se transformou em morada definitiva. Tomie Ohtake não imaginava, aos 23 anos, que aqui ficaria por toda a vida e construiria carreira tão brilhante no mundo das artes. Aos 92 anos, soma dezenas de obras representativas da arte contemporânea brasileira. Sua produção vai de quadros abstratos, gravuras, serigrafias (técnica de impressão em tecido), esculturas a instalações em espaços públicos. Sem deixar de lado a arte oriental: “essa influência se verifica na procura da síntese: poucos elementos devem dizer muita coisa”, afirma a artista.

A paixão pela arte surgiu ainda adolescente, porém só aos 39 anos “após o crescimento dos filhos” é que começou a pintar. Outro japonês, o artista plástico Keisuke Sugano a incentivou a percorrer o caminho das tintas. Nessa época, nos anos 50, Tomie pintava paisagens do bairro da Móoca, onde morava. Pouco depois, passou da arte figurativa para a abstrata, movimento que segue até hoje. Percorreu várias fases: ora pinceladas com duas ou três cores, quadros que exploravam a transparência; ora pinturas de cores mais vibrantes, tons contrastantes. Porém, prefere não classificar sua arte dentro de algum movimento artístico.

A primeira exposição individual ocorreu em 1957 no Museu de Arte Moderna de São Paulo. A partir daí, Tomie recebeu diversos prêmios, como o do Salão Nacional de Arte Moderna, nos anos 60; melhor pintora na década seguinte; além de participar de quase 20 bienais internacionais – a primeira em 1961, em São Paulo. Para ela “a arte mudou muito. Aquilo que era uma exposição de telas nas paredes, agora é acrescida de objetos, instalações, obras que vêm do teto” e alerta: acha as mudanças nas bienais “muito boas, se forem bem mostradas, se não, é perda de energia”.

O sol aflora o talento
De Kyoto, Japão, para São Paulo, Brasil, a então Tomie Nakakubo encontrou muitas diferenças culturais. Logo ao desembarcar no Porto de Santos, a jovem garota impressionou-se com o movimento de imigrantes e mercadorias indo e vindo pelo cais. O sol amarelo do país tropical imediatamente a arrebatou. De trem, a maioria dos recém-chegados seguia para a capital paulista ou para as fazendas do interior. Tomie, em visita ao irmão Masutaro, ficou em São Paulo. Entretanto, diferentemente de seus conterrâneos japoneses, que moravam no bairro da Liberdade, a família se instalou no reduto italiano da Móoca, zona leste da cidade.

Lá, sem poder voltar para a terra natal, pois “a Guerra do Pacífico impediu que houvesse muitos navios em trânsito e somente os passageiros absolutamente necessários viajaram ao Japão”, Tomie ficou no Brasil. Casou-se com o engenheiro agrônomo japonês Ushio Ohtake e teve dois filhos. Como dona de casa observava os movimentos do dia-a-dia da São Paulo dos anos 40 e 50. Quando a vontade de pintar veio forte, Tomie passou a integrar o Grupo Seibi, união de artistas plásticos japoneses que produziu importantes obras representativas do modernismo brasileiro e depois do abstracionismo – destaque para o pintor Manabu Mabe (1924-1997).

Como o talento aflorava, Tomie decidiu investir na carreira. Decisão nada fácil para uma mulher nos anos 70. Segundo ela, algumas importantes artistas plásticas como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Maria Martins, Yolanda Mohalyi, Fayga Ostrower, Anna Letycia, Edith Behring e Renina Katz, abriram caminho para o gênero feminino atuar no campo das artes. Mas ainda assim, Tomie sentiu que em relação ao movimento abstrato: “o conservadorismo foi maior”.

Investimento no futuro
O amor pelo Brasil levou a japonesa Tomie a naturalizar-se brasileira em 1968. Além do carinho pelo país que a acolheu, a artista também gosta muito do movimento, das construções, da vida na cidade de São Paulo. Em 2001, para celebrar toda essa admiração, seus filhos Ruy e Ricardo criaram o Instituto Cultural Tomie Ohtake – espaço que reúne salas de exposição, ateliês, teatros e prédios de escritórios, além de centro de convenções onde funcionam restaurante, livraria, lojas e cafeteria – uma homenagem à artista que tanto pensa e contribui para que a arte no Brasil seja mais valorizada. “Quero que a arte seja bem escolhida e bem mostrada, e digo isto sempre aos meninos do Instituto. Nos últimos 15 anos, mudou a qualidade das exposições, para melhor.”

Assim, com o pensamento sempre no futuro, Tomie Ohtake passa seus dias. E, apesar de ter ultrapassado a barreira dos 90 anos, a artista não pára. Pinta diariamente por oito horas e faz planos para os próximos dois anos: “tenho em torno de seis obras públicas, esculturas, para pensar e organizar a execução. Sempre quero realizar o próximo trabalho”. E que assim foi por muitos anos.

TEXTO Mariana Proença