Coluna Café por Convidado Especial

Do campo à xícara, profissionais convidados refletem sobre o setor

Banco de Germoplasma do IAC está em perigo

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Produtores e torrefadores ao redor do mundo estão familiarizados com as variedades de café mundo novo e catuaí. E quanto a icatu, obatã, tupi, caturra vermelho, caturra amarelo e bourbon amarelo? Todas são brasileiras e cada uma deve sua existência ao Instituto Agronômico de Campinas. O IAC foi fundado há 128 anos pelo imperador português D. Pedro II, em 1887. E, entre seus maiores tesouros, está um banco de germoplasma de café datado de 1929.

“Inicialmente, diferentes variedades de arábica foram coletadas de diversas regiões do Brasil. Naquela época, elas eram: típica, amarelo de botucatu, bourbon vermelho, sumatra, maragogipe e caturra. A partir dessas plantas, muitas variações/mutações foram encontradas nos campos e trazidas para Campinas”, explica o pesquisador do IAC, Gerson Giomo.

Um programa de melhoramento genético foi iniciado em 1932, quando centenas de pés de café de outros países chegaram para estudo. Os resultados de 80 anos de pesquisa representam um enorme legado científico, útil no Brasil e em outros lugares.

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“Catuaí vermelho e caturra vermelho, por exemplo, são variedades muito cultivadas na América Central. E obatã está em processo de implementação na Costa Rica”, explica Giomo. “Estima-se que 90% dos 4,3 bilhões de pés de café brasileiros são derivados de cultivares desenvolvidas pelo IAC”, disse.

No século passado, o Instituto desenvolveu 66 cultivares comerciais de café arábica e uma cultivar de robusta. O IAC supervisiona o maior e mais ativo banco de germoplasma do Brasil, com 16 espécies, uma diversidade de formas botânicas, mutações, e variedades exóticas originadas pela diversificação de Coffea arabica e Coffea canephora. Um total de 5.451 acessos e 30.000 plantas estão sob os cuidados do Estado de São Paulo.

“É importante ressaltar que todas as pesquisas de melhoramento genético foram financiadas pelo governos Federal e Estadual. A nossa instituição não lucra com o conhecimento produzido”, explica Giomo. Por esta razão, a maioria de sua tecnologia é livre para outros usarem.

Infelizmente, a atual crise econômica e política coloca o banco de germoplasma em perigo. Um déficit financeiro nos últimos cinco anos limitou a manutenção, culminando na atual situação precária para essa coleção insubstituível.

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Pesquisadores já fizeram o seu melhor para cuidar das plantas, mas aposentadorias e a pouca mão de obra forçaram o conselho administrativo do IAC a procurar fundos financeiros para evitar erosão e o fim dessa base genética, que é essencial para a pesquisa científica e tecnológica. “Estamos procurando uma parceria público-privada em diversos setores que, direta e indiretamente, se beneficiaram com a tecnologia produzida pelo IAC”, explica Giomo.

*Kelly Stein é jornalista e correspondente da revista STIR Tea&Coffee. Fale com a colunista pelo e-mail colunacafe@cafeeditora.com.br ou kellyrstein@gmail.com

(Artigo originalmente publicado na revista tailandesa STIR Tea&Coffee)

TEXTO Kelly Stein • FOTO Paula Rúpolo/Café Editora

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