Cafezal

Os grãos mais cultivados do Brasil e suas características

Grãos de café arábica – Foto: Érico Hiller

Na hora de preparar o café cada detalhe importa e pode diferenciar no resultado final da bebida. Os grãos são parte fundamental nesse processo e justamente por isso separamos as características e diferenças das variedades mais populares do Brasil para você conhecer!

O fruto do café é formado por:

Casca – com o amadurecimento, ela passa de verde à vermelha ou amarela

Polpa – fica situada logo abaixo da casca, sendo bastante carnuda

Mucilagem – camada viscosa, rica em açúcares, situada entre a polpa e o pergaminho

Pergaminho – película interna que envolve a semente

Semente ou grãos – há duas sementes em cada fruto. O fruto do tipo chato é chamado dicotiledôneo. Já o moca tem o nome de monocotiledôneo.

Grãos de café robusta – Foto: Gui Gomes

Duas espécies produzem frutos com grande importância econômica: arábica e robusta. O grão arábica representa a maior parte da produção mundial, é fisicamente alongado e possui cerca de 1,2% de cafeína. O robusta, por sua vez, é menor, mais arredondado e tem 2,2% de cafeína, o que representa uma bebida mais encorpada e com toque mais amargo. Os dois grãos apresentam variedades, que podem ser originárias pelo homem ou de mutações naturais.

Café Bourbon – É uma derivação do arábica e é reconhecido por sua doçura e toques achocolatado,  aroma forte e marcante aliados à uma acidez controlada. Indicado para os que apreciam sabor mais leve.

Café Catuaí – Um dos mais plantados do Brasil nos últimos anos.  Resultado de um cruzamento entre as espécies Mundo novo e Caturra, é dono de uma doçura ímpar. É plantado acima de mil metros de altitude. O Catuaí amarelo é menos encorpado do que o vermelho.

Café Icatu – Possui uma maturação média a tardia. Gera frutos amarelos ou vermelhos que são mais aderentes aos ramos. Grande resistência à ferrugem e qualidade na bebida.

Café Acaiá – Frutos vermelhos e de maturação uniforme, de média para precoce. Apresenta notas frutadas, recomendado para quem aprecia um sabor mais suave. É originário de plantas do cultivar Mundo Novo.

Café Obatã – Quando novos, os frutos têm a coloração verde.  Após sua maturação (média a tardia) os grãos apresentam coloração vermelha. Indicado para plantios adensados ou em renque.

TEXTO Victor Ferreira

Cafezal

Cerrado Mineiro receberá comprador de café internacional

No ano passado, a região do Cerrado Mineiro viveu uma grande conquista: o produtor Gabriel Nunes, de Patrocínio (MG), foi o campeão do Cup of Excellence, maior concurso de cafés especiais.

Gabriel foi vencedor na categoria Pulped Natural e também se tornou o recordista mundial em valor da saca de 60 quilos, chegando a R$ 55 mil. Um dos compradores do lote foi o australiano Nolan Hirte, da rede de cafeterias Proud Mary, que possui lojas na Austrália e nos Estados Unidos.

A Federação dos Cafeicultores do Cerrado, entidade gestora da Denominação de Origem Região do Cerrado Mineiro, convidou Nolan, que chega esta semana, para realizar uma imersão na região e colher o café no projeto Cafés Autorais.

O projeto, que já acontece há três anos, terá a primeira edição internacional. Seu objetivo é levar as cafeterias para passar um dia na fazenda, participando da colheita de um lote que depois é servido com exclusividade nas lojas.

Segundo o superintendente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Juliano Tarabal, a participação do Nolan no projeto Cafés Autorais traz um ganho imenso, já que o mercado internacional será atingido. “Ter o Nolan que é uma referência no mercado internacional conhecendo nossa Região, interagindo com os produtores e cooperativas e participando do Café Autoral, se alinha a um dos pilares de nossa estratégia de marca e propósito que é conectar, gerando promoção para a Denominação de Origem Região do Cerrado Mineiro” afirma Tarabal.

Geórgia Franco, da Lucca Cafés Especiais de Curitiba (PR), também estará presente nesta visita. Geórgia, Nolan e Gabriel irão colher um lote de cafés que será servido, futuramente, no Lucca Cafés e na Proud Mary.

TEXTO Redação • FOTO Bruno Lavorato/SIC

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O bom café do Brasil fica sim por aqui!

O consumidor brasileiro está cada vez mais bem servido quando o assunto é café. Esqueça aquela frase de que o melhor grão nacional sai todo do País. Hoje essa afirmação já vem caindo por terra. Dezenas de marcas investem atualmente no mercado brasileiro e ótimos grãos são comercializados aqui. Para encontrá-los é preciso interesse em buscar os produtos em cafeterias, e-commerces especializados e também em empórios.

O crescimento do interesse do público levou as marcas e fazendas produtoras a voltar os olhos ao mercado interno. De acordo com a pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), realizada pela Euromonitor, o volume de vendas cresce 3% ao ano no País. A mesma empresa de pesquisa fez um levantamento para o mercado de especiais que apontou que, entre 2012 e 2016, o crescimento médio anual foi de impressionantes 20,6% no consumo (volume) de café especial.

Para corroborar com esses dados, recebemos semanalmente na redação da Revista Espresso alguns dos muitos cafés que estão lançando suas embalagens no Brasil. Fomos convidados pela marca ZalaZ, conhecida por suas cervejas artesanais produzidas dentro de uma propriedade de café, a Fazenda Santa Terezinha, para conhecer a novidade que a empresa lançou: um portfólio de cafés. A fazenda, já reconhecida internacionalmente pela produção de cafés especiais orgânicos, é a maior pontuação da história nacional para cafés no concurso Cup of Excellence: 97,53 pontos.

Depois de muita pesquisa e testes, os sócios Fabrício Almeida e Júnia Falcão chegaram a seis rótulos para a nova marca: Flor do Gatambu, Sombreado Amarelo, Liga Natural, Ouro Vermelho, Magia Fermentado e O Mago. Os microlotes são plantados em áreas específicas da fazenda e colhidos separados. As variedades são diversas, como mundo novo, catucaí amarelo e bourbon vermelho. O café, assim como a cerveja, passa por processamento diferentes (natural, fermentado e descascado) para chegar ao resultado sensorial de cada lote. Como diria Paulinho Almeida, proprietário da fazenda falecido no início de 2018, “café é detalhe”. Em cima desse ensinamento, os filhos dele, André e Fabrício, e a família deram continuidade ao trabalho.

Os cafés de Paulinho são desejados por compradores internacionais desde que ele ganhou o concurso, em 2001. Compradores japoneses reservam os lotes com antecedência e agora alguns deles ficarão no Brasil com a marca ZalaZ, que criou o processo de torra na própria fazenda. Microtorrefações como a 4Beans, em Curitiba (PR) e algumas cafeterias nacionais já vinham trabalhando com pequenos lotes da Santa Terezinha.

Onde encontrar:

Zud Café – www.facebook.com/zudcafe
PAO – Padaria Artenanal Orgânica – www.padariaartesanal.com.br
Clemente Café – www.facebook.com/clementecafe.sp
4 Beans – www.4beanscoffeeco.com.br
Empório Alto de Pinheiros (EAP) – www.eapsp.com.br

Onde encomendar:
Café Store – www.cafestore.com.br
Pura Caffeina – www.facebook.com/puracaffeina/

TEXTO Mariana Proença • FOTO Mariana Proença

Cafezal

Projeto quer revitalizar o Vale do Café no Rio de Janeiro

Uma viagem ao túnel do tempo até o século XVIII, que envolve belas paisagens, Viscondes, Duques, Condes, Marqueses, Dom Pedro, Princesa Isabel, entre outros nomes que fizeram parte da nossa história.

Esse é o Vale do Café, localizado a cerca de 120 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro. Um local que no passado produzia café, aliás, foi essa produção que impulsionou a região na época e criou as fazendas históricas. A região chegou a produzir 75% do café consumido no mundo. Atualmente, são poucas as fazendas que cultivam o café, mas isso está mudando por conta de um projeto desenvolvido pelo Sebrae/RJ.

Para este projeto, intitulado Vocações Regionais da Cafeicultura Fluminense que teve início em 2014, foram escolhidas as regiões Noroeste, Serrana e Vale do Café pela tradição e potencial para produção de cafés diferenciados. O professor da Universidade de Lavras Flavio Borém é um dos coordenadores do projeto e percebeu a perspectiva no lugar que tem entre seus objetivos revitalizar a cafeicultura para produção de cafés especiais e apresentar as possibilidades de agregar valor ao produzido no estado. Algumas fazendas foram selecionadas e por um processo de seleção natural outras saíram.

Segundo Lidia Espindola, analista do Sebrae: “A proposta do programa é revitalizar a cafeicultura no Vale para produção de cafés especiais. Serão dois eixos de atuação: para quem já planta e quer produzir um café especial ou aqueles que querem começar o cultivo”, explicou. Segundo ela, as fazendas participantes contam com o apoio Sebrae/RJ, acompanhamento técnico e poderão utilizar os recursos disponíveis pelo Programa Sebratec, que subsidia 60% dos custos.

A equipe da Espresso foi convidada a conhecer um pouco mais o projeto e as regiões que fazem parte dele. Além do professor Flávio Borém, o projeto conta com a orientação do Sebrae/RJ, a consultoria do produtor João Mattos, da Fazenda Braúna, que auxilia nas orientações técnicas do café, e um coordenador que visita o local e tira dúvidas de cada fazenda. Marcelo Graça, técnico em agropecuária, é um deles que verifica cada passo da lavoura, como por exemplo, se o adubo está certo e se foi aplicado, o que é melhor para cada solo. “É um trabalho de parceria e confiança. Uma relação que se reflete na lavoura”, afirma.

Fazenda Alliança

A proprietária Josefina Durini preparou um belíssimo café da manhã, para nossa equipe, com tudo que é produzido na própria fazenda. A fazenda é orgânica e certificada peça Ecocerta, por isso Josefina deseja, entre outros projetos, realizar uma parceria com escolas e assim levar o seu alimento orgânico para as crianças.

A fazenda é histórica do século XIX e é possível visitar cada cômodo da casa, conhecer móveis da época, que são misturados com obras que Josefina traz de suas viagens, além de visualizar como era o processo do café antigamente.

Para este projeto Josefina apostou no café orgânico. Um trabalho, segundo ela, de formiguinha, que iniciou a plantação entre fevereiro e março de 2017. Foram alguns desafios como área baixa e cuidados para nivelar o terreno que tem uma altitude, de cerca de, 500 metros. Segundo Marcelo, ali foi utilizado o sistema de irrigação por gotejamento e esterco de búfala, aliás, é delas que Josefina aproveita para a produção de queijos, leite, entre outros alimentos.

www.fazendaallianca.com.br

Hotel Fazenda Florença

Foi fundada no século XIX pela família portuguesa Teixeira Leite, que foram atraídos para o Vale do Paraíba por conta da riqueza do café. A atual sede do casarão, que foi erguida em 1852, está aberta para visitação (com horário programado) e você pode mergulhar de cabeça na história que é contada com muita emoção pelo proprietário Paulo Roberto dos Santos.

Há 20 anos Paulo faz parte desta fazenda, “foram seis anos restaurando a casa e como hotel estamos há 14 anos”, afirma. Ele conservou a casa, móveis, louças, espaços ricos em detalhes da época.

Paulo se interessou pelo projeto do Sebrae e não esconde o encantamento na hora de servir o seu próprio café, que define com um gostinho de mel. São cinco hectares, que começaram a ser plantados em 2017. No meio do cafezal, Paulo, vai montar a sua cafeteria, “minha ideia é que as pessoas venham acompanhando todo o cafezal e sua história e depois pare para degustar o café!”, contou Paulo, que deseja ter a cafeteria pronta para o Festival Vale do Café, que acontece no final de julho.

“O projeto me encantou, procuro evitar ao máximo o uso de agrotóxicos. Aqui, onde hoje é o cafezal, era uma área de pasto de éguas, que transformamos e contempla ainda árvores como Ypês, Quaresmeiras, Jabuticabeira, entre outras”, conta Paulo.

O turismo é forte na fazenda que conta com recreação para as crianças, quadra de esporte, campo de futebol, piscinas, entre outros. O hotel conta com a Ala das Roseiras; Quaresmeiras e Nolinas e suítes Master Junior e Master, além de lazer para adultos e crianças.

www.hotelfazendaflorenca.com.br

Fazenda União

Localizada em Rio das Flores, região sul fluminense, a fazenda, do século XIX, foi construída pelo Visconde do Rio Preto e conservada até hoje com mobiliário original e peças recuperadas em antiquários pelo proprietário Mario Vasconcellos Fernandes.

Mario, um colecionador nato, recebeu a nossa equipe, com um jantar em uma mesa preparada tipicamente com pratos e talheres da época de Dom Pedro. A Fazenda é também um hotel histórico focado no turismo, que busca refletir sobre as tradições e costumes da época.

Agora conta com um hectare de café, que começou a ser plantado em meados de fevereiro ou março de 2017. Segundo Marcelo, a fazenda rendeu poucos frutos por problemas no solo, que já estão sendo resolvidos. Por causa do vento, optaram por plantar milho próximo do café para servir de “corta vento” e a plantação de café foi dividida em talhões.

www.fazendauniao.com.br

Fazenda Da Taquara

Marcelo Streva é a sexta geração da família da Fazenda Da Taquara, foi seu tetravó quem fundou o local. Por isso, é com propriedade e brilho nos olhos que Marcelo conta toda a história da família para os turistas que visitam o casarão.

Móveis, retratos, diferentes objetos e até roupas dos seus ancestrais foram conservadas. Marcelo tomou a frente dos negócios em 2015, “foi um ano muito difícil, meu pai tinha mais de 150 mil pés de café, criou um viveiro imenso e de repente não tínhamos mais. Tive que com calma analisar o que fazer e comprar mudas para começar o plantio do café novamente”, conta ele.

Segundo Marcelo ele chegou a cogitar o cultivo do café orgânico, “quando coloquei na ponta do lápis, vi que não seria possível”, conta ele. Atualmente são quatro hectares de café, já comercializados por Marcelo. “Era o único do projeto que já plantava café”, afirma Lidia.

A fazenda é aberta ao público para visitas guiadas com café e almoço e de domingo aberta para almoço.

www.facebook.com/fazendadataquaravisitahistorica

Fazenda Saint Robert

Local que na década de 1960/70 funcionava um hospital para tuberculosos e que após o plano cruzado se transformou em um hotel fazenda. O espaço era do pai do Henrique Marques Lisboa, que comprou a parte dos seus irmãos e investiu no local, criando um espaço para toda a família.

Os adultos que chegam ao local já ganham um vale chopp, para a sexta-feira, e um vale café, para o sábado. A Fazenda conta, ainda, com uma área de recreação, uma mini fazenda, minigolfe, piscinas, um restaurante na sede e o Reserva Aroeira e agora uma plantação de café.

Henrique começou a plantação em 2017 das variedades IPR 100 e Catucai Vermelho. “Hoje, meus filhos assumiram a administração do hotel e eu estou nas aventuras do café, cerveja e cachaça”, afirma. Próximo ao cafezal já existe uma cafeteria, em que os visitantes, podem degustar cafés e as comidinhas deliciosas que são preparadas como tortas e bolos.

www.hotelfazendastrobert.com.br

Conheça a magia do Vale do Café
De 20 a 29 de julho acontece o Festival Vale do Café, em que os visitantes poderão conhecer as fazendas do século XIX. Criado em 2003 o Festival ocorre sempre em julho, oferecendo espetáculos com muita música e história do Vale.

Quem for até lá poderá conhecer a intimidade dos maiores núcleos produtivos do ciclo do café, fazendas históricas de arquitetura tradicional da época como azulejos, pratarias, pinturas, louças, bordados, estátuas, documentos, entre outros.

É necessário comprar o ingresso para participar da programação de cada fazenda. Saiba mais sobre o festival e garanta seu ingresso no site www.festivalvaledocafe.com.br.

Serviço
Festival Vale do Café
Quando: de 20 a 29 de julho
Maiores informações: www.festivalvaledocafe.com.br

TEXTO Natália Camoleze • FOTO Café Editora

Cafezal

5ª edição do Fuel leva 20 participantes para lavoura capixaba

No último sábado, 16/6, aconteceu a 5ª edição do Fuel. O projeto, criado pela Kaffa Cafeteria juntamente com produtores da região do Espírito Santo, tem como objetivo apresentar aos amantes do café o dia a dia da produção de grãos nas montanhas capixabas.

Os 20 participantes tiveram a oportunidade de visitar a fazenda do cafeicultor Carlos Alberto Altoé, no município de Castelo (ES). Na propriedade, é desenvolvido todo o beneficiamento pós-colheita, incluindo reuso da água e terreiro suspenso.

Com clima propício, os visitantes puderam realizar a cata dos grãos que, segundo os organizadores do evento, estão apresentando maturação bem uniforme. Os frutos foram despolpados e separados no terreiro, onde serão entregues aos participantes em 30 dias.

Para Vagner Benezath, sócio da Kaffa, este processo é de extrema importância para o consumidor final: “Este tipo de atividade é fundamental para nós que servimos café especial, pois o cliente tem a vivência, mesmo que por apenas um dia, de como o produtor se esforça para que dê tudo certo e o resultado apareça na xícara”.

Ainda nesta safra, o Fuel tem em sua programação uma viagem marcada em setembro. Pela primeira vez, a próxima fazenda a ser visitada será o Sítio Santa Rita, na cidade de Espera Feliz (MG).

TEXTO Redação • FOTO Roberto Barros

Cafezal

Abertas inscrições para Prêmio Colaborativo de Inovação Daterra

Estão abertas as inscrições para o 1º Prêmio Colaborativo de Inovação Daterra. Podem participar pequenos produtores de café arábica que pretendem melhorar a qualidade de seus produtos.  Os candidatos devem fazer inscrição, enviar dados pessoais e apresentar proposta do projeto, no link até 2 de junho.

Os quinze primeiros produtores inscritos ganharão uma consultoria personalizada para desenvolver o projeto. Os cafés dos três melhores projetos serão expostos na Semana Internacional do Café, em novembro, em Belo Horizonte. Os responsáveis pelos três melhores projetos também ganharão visita técnica à Fazenda Daterra, em Patrocínio (MG), e assessoria completa e individualizada da equipe Daterra. Os custos da viagem para a capital mineira e as despesas são por conta do concurso.

TEXTO Redação • FOTO Alexia Santi/Agencia Ophelia

Cafezal

Dia Nacional do Café: população poderá colher café em cafezal urbano

Para marcar o início da colheita, no Dia Nacional do Café, o Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, realizará nesta quinta-feira (24), às 10 horas, o tradicional Sabor da Colheita. O evento marca o início da safra de café no Estado de São Paulo. A população terá uma oportunidade única: será possível se paramentar com chapéu, peneira, balaio e realizar a colheita de grãos de café, prontinhos para serem preparados e levados à xícara.

O IB-APTAO mantém um dos maiores cafezais urbano do País, com 2.000 pés, no coração da cidade de São Paulo, a cinco minutos do parque Ibirapuera e da Avenida Paulista. O cafezal é composto pelas variedades Mundo Novo e Catuaí, desenvolvidas pelo IAC-APTA, presentes em 90% do parque cafeeiro brasileiro.

Orientada por instrutores experientes, a população poderá vivenciar uma atividade realizada por muitos agricultores brasileiros e que já foi rotina de muitos paulistanos, no final do século XIX e início do século XX. “O público terá a oportunidade de vivenciar uma experiência única do trabalho que há décadas movimenta e economia paulista. Todo o processo será orientado por especialistas para que seja feita a colheita seletiva, com a retirada dos grãos bem maduros”, explica Antonio Batista Filho, diretor-geral do IB.

Parte dos grãos colhidos será beneficiada, torrada e encaminhada ao Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (Fussesp), que distribuirá a entidades assistenciais do Estado. Em 2017, o IB doou 214 quilos de café arábica, divididos em 856 pacotes de 250 gramas.

Além do tradicional cafezinho, o público também poderá se deliciar com broa de milho, canjica e comidas típicas caipiras. “Tudo para resgatar a importância do campo e do produtor rural para a população da cidade. O Sabor da Colheita recebe sempre muitas crianças acompanhadas de seus pais ou avós, que querem apresentar o trabalho que realizavam no campo”, afirma Batista Filho.

Serviço
Sabor da Colheita
Data: 24 de maio de 2018
Horário: 10h
Local: Instituto Biológico – Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, Vila Mariana, São Paulo – SP

TEXTO Redação • FOTO Felipe Gombossy

Cafezal

Baristas do mundo participam de evento na Colômbia

De 1º a 10 de junho acontece, na Colômbia, a 4ª edição do Barista & Farmer. Em plantações confiscadas por tráfico de drogas na Finca La Cabaña, em San Augustin, Finca el Paraiso Vereda Cristo Rey, Finca Bellavista Finca Santana El Bolson e Finca el Mirador, no município de Pitalito, será sediado o evento dedicado à promoção e a cultura de café de alta qualidade.

As terras que eram usadas para o plantio de cocaína foram confiscadas pelo governo colombiano e doadas para pequenos produtores de café. Dez dos melhores baristas do mundo vão participar de ações com os agricultores. Estão previstas competições, aulas teóricas, aulas de dança, pintura e esportes.

O evento foi criado pelo barista italiano Francesco Sanapo, várias vezes premiado campeão, com patrocínio da Specialty Coffee Association (SCA). Barista & Farmer pretende não só treinar embaixadores do café especial, mas também ser uma ponte cultural entre a Colômbia, o terceiro maior produtor de café do mundo, e a Itália. O envolvimento de parceiros institucionais fortalece os vínculos entre os países de origem e toda a cadeia cafeeira.

Os finalistas selecionados entre os mais de 250 profissionais por um grupo de juízes formado por especialistas do setor são: Sara Ricci, 28, italiana, de Pozzuoli; Diego Campos, 27, da Colômbia; Iuliia Dziadevych, 25, da Ucrânia; Matija Matijaško, 26, da Croácia; Daniel Munari, 32 anos, do Brasil; Victoria Rovenskaya, 26, da Rússia; Vala Stefansdottir, 30, da Islândia; David Lau -Cong Yuan, 23, da China; Rie Hasuda Moore, 36, do Japão; Glenn Bailey, 34, da Austrália .

Os competidores terão a oportunidade de descobrir o ciclo de processamento do café, desde o grão até a xícara, passando pelo uso de diferentes tecnologias, até a experiência de degustação e várias maneiras de consumo.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Cafezal

Piatã: com os pés no céu

A cidade baiana mais alta do estado abriga pequenos produtores que cultivam cafés premiadíssimos em meio a paisagens exuberantes e colheita selecionada.

Quando adentrei a pista do aeroporto e o avião apresentou o registro do nome da pioneira aviadora brasileira Ada Rogato, tive o sinal de que precisava: seria uma ótima viagem. Há anos a Espresso quer trazer uma nova reportagem sobre a famosa região de Piatã, na Chapada Diamantina, a terra baiana de prêmios nacionais conquistados em sequência desde 2009. Exatamente neste ano fizemos nossa primeira matéria, antes dos impressionantes resultados.

O sonho pessoal da repórter que escreve estas linhas começou nas conversas com o classificador Silvio Leite, anos antes, que tem uma relação muito próxima com os produtores da região. Ele foi um dos primeiros a acreditar no potencial dos cafés ali cultivados. Pioneirismo e muito trabalho levaram a região a ser especialista em produzir ótimos cerejas descascados – os cafés que passam por maquinários próprios para a separação dos frutos entre verdes, maduros, etc, e que vão para o terreiro de secagem sem a casca. Um esmero que resultou em muitas vitórias. A descoberta de que esse seria o melhor caminho para os cafés locais fez com que produtores investissem em qualidade.

Quem nos recebeu e nos guiou pelas andanças de quatro dias na região foi o produtor e empresário Cândido Rosa, que hoje reside com parte da família em Vitória da Conquista.

Orgulhoso do trabalho que é realizado na região, Cândido nos explica — durante a viagem de mais de quatro horas pelas estradas baianas — que a Chapada Diamantina recebe milhares de turistas o ano todo em busca das belezas naturais do Parque Nacional. E aos poucos essas paisagens vão se revelando no percurso de montanhas rochosas, cachoeiras e serras. São 24 municípios que integram o entorno de um dos maiores parques do País.

A cidade de Piatã, reduto de cafés especiais, é a localidade mais alta da Bahia, e também a mais fria. Microclima perfeito para o café: durante o dia as temperaturas são amenas e à noite chegam a impressionantes 9 graus.

A colheita ocorre principalmente nos meses de junho e julho. Neste ano a safra foi menor na região e muitos produtores já estavam finalizando a panha. A colheita seletiva precisou ser bem rigorosa para não desperdiçar os muitos verdes que ainda insistiam em não maturar.

A demora fez com que produtores como Salvador Souza, com 2 hectares, ainda tivessem muitos frutos chumbinho (verdes) nos pés plantados entre muitas árvores, as grevíleas, que servem de quebra-vento e protegem os cafezais. Salvador, da Fazenda Tanque, demonstrou paciência ao aguardar o melhor momento para a retirada dos cafés. Ali eles precisam manter o foco na qualidade para compensar a baixa produção. Em 2014, o produtor conquistou o 19º lugar no concurso Cup of Excellence.

Grandes campeões
O primeiro lugar da visita: Chácara São Judas Tadeu e Fazenda Ouro Verde. A família detém o tricampeonato do Cup of Excellence nos anos 2009, 2014 e 2015. Intento muito difícil de alcançar. A maior pontuação foi 94,05, com o impressionante valor de comercialização no leilão da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) de US$ 106.223 por dezesseis sacas de café, em 2014. Os cafés vencedores do concurso, criado em 1999 no Brasil, passam por rigorosas provas de qualidade e por isso Antonio Rigno, da São Judas, é tão orgulhoso: “São 35 anos produzindo café e precisamos ter cuidado para não estragar o que a natureza nos dá”. Com a sua voz rouca característica, Rigno é grande referência na região: “Pequenos e miniprodutores é o que mais temos aqui”, ele explica. Quando conquistou os prêmios, ele presenteou cada um dos dez funcionários que trabalham diariamente na sua fazenda com motocicletas.

O produtor Antonio Rigno, pioneiro na qualidade, é tricampeão no concurso Cup of Excellence com cafés cereja descascado

Sua esposa, Teresinha de Oliveira, é quem recebe as visitas quase que diárias de todas as partes do mundo e do Brasil dentro do seu Recanto do Café, na própria fazenda: “Japonês, dinamarquês, coreano…”. Enquanto mostra a coleção de bules, Teresinha serve uma mesa farta de bolos e outros quitutes típicos baianos que ela aquece no fogão a lenha, usando folhas de planta típica da região, o candombá. E é ela quem explica as características da bebida: “O sabor do café de Piatã é único no mundo. Quando ele se junta a um blend, torna-se perfeito”.

Neste ano, a família testou pela primeira vez a seca em terreiros suspensos. Durante a colheita, são 200 pessoas para ajudar em todas as etapas do processo. As estufas e os secadores a lenha mostram uma estrutura bem organizada. Lá, 100% do café é cereja descascado, benefício que deu ótimos resultados para a fazenda. Alguns lotes chegam a ficar doze horas em tanques. Mas, segundo Rigno, são “as mãos que fazem o café”. E sempre com o auxílio das bênçãos de São Judas Tadeu, que há três anos ganhou uma capelinha em sua homenagem na propriedade.

Aprendizes de sucesso
Rigno fez escola em Piatã. Ao circular pelas propriedades da região, encontramos produtores que sempre citam a importância de investir na qualidade e fazer lotes especiais. Conterrâneo de Rigno nessa busca pelas altas pontuações, Michael Alcântara, da Fazenda Divino Espírito Santo, conta que, nos seus 10 hectares plantados, produziu 420 sacas em 2016. Investiu no primeiro despolpador da região, em 2000, quando começou a enviar cafés para concursos: “Sonhava que um dia Piatã ia ser campeã, pelos atributos do café que são muito diferentes”.

Ele e a esposa, Patrícia, tocam a microtorrefação da família na própria fazenda e comercializam o Café Gourmet Piatã na capital, Salvador. Uma produção bem familiar, que é vista de perto pelas filhas, que estão estudando para dar continuidade ao negócio.

Michael, a filha Cecília e a esposa, Patrícia Ancântara. A família, que foca em café de qualidade, mora na região há mais de vinte anos

A plantação familiar e em poucos hectares é regra por ali. Seguindo um pouco mais pelas estradas de terra, encontra-se a área do Cafundó. Na Fazenda Santa Bárbara fomos recebidos por toda a família de José Joaquim Oliveira, campeão do Cup of Excellence 2016 na categoria cereja descascado e sexto lugar com o lote do Sítio Cafundó. Em seu 1,5 hectare trabalham oito pessoas na época da colheita, sendo a maioria da própria família: a esposa, Marlene, filhos e noras. A colheita seletiva passa retirando os frutos pelos cafezais até quatro vezes. Com os R$ 19 mil que eles conseguiram em cada saca fizeram melhorias na propriedade: construíram mais uma estufa e também compraram outro terreno para ampliar a área. O sorriso no rosto de todos corre solto ao comentarem sobre a conquista. Somente dois filhos viajaram até Jacarezinho, no Norte Pioneiro do Paraná, para acompanhar o resultado. Giliardi Torres de Oliveira conta que a emoção foi muito grande. Assim como o orgulho dos vizinhos, entre eles Pedrinho Santana, que, depois de viver vinte anos em São Paulo, voltou para a roça e também produz café. Nessa localidade eles dividem o despolpador e todos têm hortas para consumo próprio. O excedente de frutas e legumes é vendido na tradicional feira de Piatã.

O campeão do Cup of Excellence, José Joaquim Oliveira, faz a colheita seletiva no seu 1,5 hectare

Cooperativismo e microlotes
O potencial dos cafés da região fez com que, no ano passado, dos 24 finalistas do Cup of Excellence – Cereja Descascado, impressionantes dezenove fossem de Piatã. Tal feito incentivou ainda mais os produtores a se organizar em uma nova cooperativa: a Coopiatã, que hoje conta com 41 membros. Rodolfo Moreno, presidente da organização e proprietário da Fazenda Ponte, explica que ele e Renato Rodrigues (Chácara Vista Alegri) estiveram, em 2015, na Semana Internacional do Café e perceberam haver no mercado uma oportunidade para a produção de microlotes. Em reunião realizada durante a nossa visita, os produtores debatiam sobre a importância de participar de novos concursos e também de capacitações que serão oferecidas na cooperativa.

Integrantes da nova Coopiatã reúnem-se para focar a capacitação e a governança

Nosso roteiro foi finalizado na localidade das Gerais, onde produtores ainda menores cultivam café há mais de cem anos. São famílias que vivem em casas de pau a pique e chegam a colher trinta sacas. É o caso de Vilson Araújo Oliveira, que nasceu ali e que, aos 52 anos, não tem dúvida quando diz: “Eu gosto da roça”. Ele e a família do irmão, Wilson, produzem café natural por falta de condição de investir em um despolpador. A agricultura de subsistência encontra dificuldade no acesso à água – outro desafio local. Mas as alternativas existem e os produtores aproveitam o espaço que têm para fazer plantações consorciadas com a produção de maracujá e outras frutas.

Novos projetos por vir
Com o intuito de contar essas histórias, a Coopiatã está unindo forças com outros profissionais da região. Segundo Glayco Barbosa, o Gau, Secretário de Agricultura de Piatã e engenheiro agrônomo, “são cinquenta produtores que vivem do café de qualidade. Estamos colhendo os resultados nesses últimos cinco anos”. Como a produção da maioria é em pequena quantidade, a saída é o especial, para que consigam bons preços, apesar da pouca quantidade de café: “Essa também é a realidade do meu pai”, exemplifica.

Uma grata surpresa foi encontrar no mercado municipal da cidade o barista Lucas Campos, que, junto ao boxe da família de Euvaldo José Costa Jones (Café Taperinha), prepara quinzenalmente drinques de café em diversos métodos para a população local. O trabalho ganhou também um braço; um passeio que começará a ser feito com turistas que visitam a região, o CaféTur.

Entre as atrações do roteiro, um pôr do sol para finalizar, na localidade das Gerais, com uma vista incrível das montanhas da Chapada Diamantina, acompanhado de preparos de café sem o uso de eletricidade.

O sol começa a desaparecer entre as formas diversas que ganham contornos dourados na paisagem inesquecível. Um término e tanto para uma viagem que começou lembrando a pioneira da aviação que voou longe para conquistar seus objetivos. Então, finalizamos o roteiro com os pés no chão entre campos de sempre-vivas e cafés incríveis de uma das regiões mais premiadas do Brasil. Há sempre espaço para mais, para a pluralidade e para a qualidade.

TEXTO Mariana Proença • FOTO Ravena Maia

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3Corações lança café fruto de iniciativa de produtoras

Fruto do Projeto Florada, o Café 3Corações Florada foi produzido por Jane Muniz, cafeicultora da região do Sul de Minas. O conceito foi inspirado em uma das fases da produção cafeeira, a florada, período em que as lavouras ficam cobertas com a beleza e o perfume das flores, além de ser quando a natureza dá sua primeira dica sobre a colheita: quanto maior a quantidade de flores, mais café.

Com grãos da Fazenda Santa Tereza, o produto tem certificado da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e Rainforest Alliance, que garantem qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade. O blend da bebida possui aroma floral, doçura intensa e notas de caramelo.

Disponível na versão torrado e moído, o produto será distribuído nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Já na versão cápsula, será comercializado no e-commerce da marca.

Concurso 3Corações Florada Premiada
A marca 3Corações anunciou nesta quinta-feira (8/3) a 1ª edição do concurso 3Corações Florada Premiada. Em breve, todas as mulheres produtoras de cafés arábica do Brasil poderão apresentar seus cafés da safra 2018, tendo seus grãos valorizados e adquiridos pelo grupo 3Corações. O anúncio das seis vencedoras será entre os dias 7 e 9 de novembro, na Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte.

O Projeto Florada é uma plataforma exclusiva de apoio e fomento às conquistas das mulheres no campo. Lançado no Dia Internacional da Mulher, em Varginha (MG), a iniciativa une e empodera as mulheres produtoras, trazendo melhores práticas de cultivo de cafés especiais e gerando valor para toda a cadeia, da produção ao consumo.

Mais informações: http://bit.ly/2Frqrw3

TEXTO Redação • FOTO Divulgação