Cafezal

Aproveite o período da colheita do café!

Junho é um mês importante para a cafeicultura. Mês de colheita, onde as lavouras estão a todo vapor, obtendo o melhor café. Para aproveitar este clima, algumas fazendas e empresas organizam roteiros que podem aproximar os apaixonados por todo o processo pelo qual o grão passa. Reserve na agenda!

Foto: Fazenda Santo Antônio da Bela Vista

Fazenda Santo Antônio da Bela Vista

Localizada na cidade paulista de Itu, a Fazenda Santo Antônio da Bela Vista organiza passeios periodicamente que visam mostrar aos participantes as diferentes etapas do café. As programações contam com passeios à lavoura e acompanhamento de processos como colheita, secagem, beneficiamento, torra e moagem do café.

Mais informações: www.facebook.com/fazendadocafe

Cafezal em Flor

No dia 15 de junho, a Cafezal em Flor irá realizar a “Festa da Colheita”. O evento irá apresentar a história do café e os participantes poderão conhecer a lavoura, o processo de colheita, os terreiros, o processo de classificação, torrefação e mais informações sobre os métodos de preparo. O convidado especial da ocasião será o Dr. Sérgio Parreiras Pereira, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

Mais informações: www.instagram.com/cafezalemflorcafe

Vou Pra Roça

O próximo roteiro da agência de turismo rural Vou Pra Roça será nos dias 20 e 21 de junho. Com saída no Rio de Janeiro, o destino é a cidade mineira de São Lourenço. Além de conhecer os costumes e pontos turísticos da região, a programação conta com vivência rural e café na roça, com o especialista Adalberto Junior.

Mais informações: www.instagram.com/boupraroca

Rota do Café

Todo sábado acontece visitas guiadas pelo pessoal da Rota do Café, também na região de São Lourenço, Sul de Minas. A agenda envolve cursos, treinamentos e visitas a fazendas, onde os visitantes terão explicações sobre toda a cadeia produtiva, desde o pé até a xícara.

Mais informações: www.uniquecafes.com.br/c/rota-do-cafe

TEXTO Redação

Cafezal

Tesouro das Matas de Minas

A história de um paulistano que deixou a vida urbana para se dedicar à produção de cafés em Alto Caparaó e se tornar referência em qualidade na região

A BR-262 é a estrada que liga Vitória, no Espírito Santo, ao Alto Caparaó, em Minas Gerais, pequeno município situado na divisa entre os estados. Pelo trajeto, inúmeros cafezais mostram que o plantio dos grãos é símbolo da economia da região. Passando pela cidade de Pedra Azul (ES) e por outras graciosas cidades capixabas, após cinco horas de viagem, chega-se a solo mineiro, na Zona da Mata, ou melhor, na região de Matas de Minas, como é chamada. É lá que está a Fazenda Ninho da Águia, batizada assim por ser reduto de oficiais da aeronáutica no passado. A propriedade vem ganhando destaque no mercado de cafés pela qualidade dos grãos produzidos em altitude elevada, média de 1.300 metros. As terras da fazenda fazem fronteira com o Parque Nacional do Caparaó, onde está situado o Pico da Bandeira, um dos pontos mais altos do País. E, embora a geada e o tempo frio sejam companheiros de quem mora por lá, a paisagem cinematográfica e o solo fértil não deixam dúvidas de que se trata de um bom lugar para viver.

A história da fazenda começa com Aides Gomes Monteiro. Nascido em Alto Caparaó, ele migrou para São Paulo na década de 1960 para tentar a vida na capital. A ideia também era buscar reconhecimento das montanhas de Caparaó e depois voltar para o leia mais…

TEXTO Amanda Ivanov • FOTO Alexia Santi

Cafezal

Abertas as inscrições para a 2ª edição do concurso Florada Premiada

Após receber mais de 650 amostras em sua 1ª edição, o concurso Florada Premiada, realizado pela 3corações em parceria com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), acaba de abrir as inscrições para este ano.

Mulheres produtoras de cafés 100% arábica de todo o Brasil podem se inscrever individualmente nas duas categorias disponíveis, com até uma amostra em cada uma: arábica via úmida (cereja descascado) e arábica via seca (natural). As inscrições devem ser feitas aqui e as amostras podem ser enviadas até o dia 20 de setembro.

Cada amostra deverá conter 3 quilos de café peneira 16 ou acima. A quantidade mínima para participar é de três sacas e a máxima é de 10 beneficiadas. Os 40 lotes finalistas (20 de cada categoria) seguirão para a fase classificatória.

Serão premiados os três melhores cafés dos dois grupos, os 100 melhores grãos e também a melhor amostra de cada região participante. Todos estes receberão a garantia de compra da 3corações. As premiações acontecerão no dia 22 de novembro, durante a Semana Internacional do Café, feira que acontece de 20 a 22, em Belo Horizonte (MG).

Novidades da 2ª edição

Além da compra dos lotes pelo dobro do valor da cotação, as campeãs de cada categoria ganharão R$ 25 mil e uma viagem para a Costa Rica, a fim de trocarem experiências e conhecerem as plantações de café do país.

As cafeicultoras que produzirem o 2º melhor café em cada categoria ganharão R$ 15 mil e as terceiras colocadas, R$ 10 mil. Ambas as posições (e as melhores amostras de cada região) poderão comercializar seus lotes pelo dobro do preço. Já as 100 melhores produtoras do concurso terão a chance de vender seus grãos por R$ 300 a mais que o valor de mercado.

Mais informações: www.projetoflorada.com.br

TEXTO Redação • FOTO Vitor Barão

Cafezal

Canéfora: mistura amazônica

Uma jornada por Rondônia apresenta agricultura familiar, desenvolvimento de novas plantas e foco na qualidade do grão. Bem-vindo ao céu azul e ao aroma de café rondoniense

Quando em outubro de 2017 três produtores de Rondônia foram anunciados finalistas do concurso Coffee of the Year na categoria Conilon, muitos especialistas voltaram os olhos para a região. Eu, do palco, vi no rosto dos premiados cafeicultores a grande emoção de estarem ali na Semana Internacional do Café (SIC). Meses depois estaria eu, quem diria, conhecendo pessoalmente as lavouras de Tiago, André e Sérgio. E muito mais. Teria contato com toda a estrutura de ações público-privadas que alçaram o Estado de Rondônia a referência nacional recente na produção da espécie Coffea canephora. A canéfora – palavra usada para se referir aos grupos botânicos conilon e robusta – foi a primeira informação assimilada. Na região da Amazônia, as lavouras são formadas por variedades híbridas, resultado de cruzamento entre plantas diferentes.

Em meio às ruas das propriedades, veem-se folhas enormes e outras menores. A mistura, que é privilégio não só das plantas, ocorreu também na fundação do estado. Pessoas oriundas de diversas partes do Brasil deram à população de Rondônia características muito próprias. A maior parte, de paranaenses, paulistas e mineiros, formou cidades no interior rondoniense, no Norte do País. Muitas dessas famílias já vinham da cultura do café em seus estados de origem. A capital, Porto Velho, mais populosa, tem pouco mais de 500 mil habitantes. Banhada pelo Rio Madeira, a cidade foi o ponto de partida para a viagem de uma semana pela região produtora de café, que fica no centro de Rondônia.

“É muita gota de suor derramado. Não é de um dia para outro que a gente conquista”, Sergio Kalk – ao lado do irmão André no terreiro suspenso

Décadas de pesquisa

São muitas horas na estrada pela BR-364, descendo sentido sul do estado, para encontrar os primeiros pés de café. Pelo caminho, Enrique Anástacio Alves, engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Rondônia, conta que é mineiro de Viçosa e se mudou para o Norte do País com a missão de dar continuidade aos estudos sobre colheita e pós-colheita de café. Os resultados do trabalho tem motivado os produtores a investir na qualidade do grão. Fotos que circulam pelo Brasil mostrando os pés carregados de frutos fazem Rondônia ser reconhecida pela alta produtividade dos seus cafezais. Os cafeicultores, então, trabalham para unir a alta quantidade de frutos com uma melhoria na qualidade do que se colhe.

Junto nessa missão há mais tempo está Gilvan de Oliveira Ferro, técnico agrícola há 35 anos trabalhando na Embrapa Rondônia. Em 2005, ele assumiu a responsabilidade pelos experimentos realizados no campo de Ouro Preto do Oeste desde 1975, que ajudam na seleção dos clones mais produtivos e resistentes que serão enviados aos produtores como referência para uso na propriedade. Com o crescimento do café no estado – hoje sua produção é calculada em 2 milhões de sacas de 60 quilos –, a pesquisa com o fruto passou a ser mais valorizada: “Plantamos 153 clones diferentes, selecionamos 49, depois 28 e, na sequência, 15 finais para lançamento das variedades. Os clones foram avaliados por dezoito anos, depois de sete safras com produtividade média de 70 sacas/hectare, sem irrigação”, explica Gilvan.

Esse estudo dos clones faz parte de um trabalho maior da Embrapa Rondônia, que realiza pesquisas de compatibilidade entre as plantas. De acordo com Alexsandro Lara Teixeira, chefe adjunto de pesquisa da instituição, o canéfora tem como característica principal ser uma espécie alógama, com fecundação cruzada. Nesse caso, as sementes da planta são formadas a partir do pólen de outra planta, gerando uma variabilidade genética maior quando comparada ao café arábica. “Por causa dessa característica, os produtores começaram a fazer os próprios materiais e clones. Havia uma alta demanda, e hoje há doze materiais clonais bem difundidos nas lavouras”, afirma Alexsandro. Em 2012, a Embrapa Rondônia lançou a variedade oficial clonal BRS Ouro Preto, um conjunto de quinze clones. “Nosso projeto é lançar,em 2019, as cultivares individuais, para cada produtor montar sua lavoura de acordo com a vontade dele: produção, qualidade e resistência.”

A alta produtividade na região é a realidade aferida por pesquisadores que analisam os clines que mais se adaptaram ao clima de Rondônia e que chegam a produzir até 180 sacas por hectare, enquanto a média do País é de cerca de 30 sacas

Hoje em Rondônia, 65% das lavouras são seminais e somente 35% são clonais. Mas esses números tendem a mudar em breve, com a atual produção de 15 milhões de mudas por ano, num total de 29,6 mil propriedades de café no estado. Quem também faz esse mapeamento e atua diretamente no campo é a Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia – Emater-RO, que está em todos os 52 municípios e vem incentivando os produtores a participar do concurso de qualidade – Concafé –, que, em 2018, chega à terceira edição.

Na cidade de Alto Alegre dos Parecis, a família do produtor Marcelo Braun conquistou o terceiro lugar no concurso estadual em 2016 com o café da Chácara Boa Esperança. Com vinte materiais diferentes, entre clones e híbridos, Marcelo virou referência na região. Com produção alta de 125 sacas/hectare em 2017, neste ano o cafeicultor pretende chegar a impressionantes 180 sacas por hectare. Ele pertence à terceira geração da família, que veio do Espírito Santo e manteve a cultura do café. “Faz oito anos que estamos desenvolvendo essas variedades de clone. Estamos testando a produção e a qualidade. Vamos separando as linhas e colhemos os materiais maduros. Descobrimos grandes vantagens, com produção alta e menor gasto”, diz Marcelo, que hoje recebe grupos em visita de campo para mostrar o trabalho que vem realizando na propriedade.Outra característica da região é a floresta nativa no entorno das lavouras e a abundância de água e de chuva, situação típica da região amazônica.

O produtor Marcelo Braun mostra com orgulho os seus pés de café na Chácara Boa Esperança, grãos premiados em 2016 no Concafé – concurso do estado

Para Leandro Dias Martins, da recém-criada Cooperativa dos Agricultores Familiares da Amazônia (LaCoop), “o potencial é muito grande, pois o perfil da agricultura de Rondônia é de famílias com 3 a 6 hectares, em média”. Para ele, o principal foco serão a qualidade e a certificação das propriedades para levar o nome da Amazônia para os mercados interno e internacional. Leandro nasceu em Cacoal, hoje a segunda maior cidade na produção do grão. Conhecida como a Capital do Café, o nome do município é uma homenagem ao cacau e ao café.

E foi em Cacoal que despontou a propriedade Sítio Cafezal dos irmãos Kalk, como são conhecidos Sérgio e André Kalk. Tiago Novais Duarte, o meeiro da fazenda, foi o grande campeão do estado em 2017. Os pais foram do Espírito Santo para Rondônia em 1998. Já plantavam café, em Colatina (ES), e a paixão pelo fruto continuou. Em 16 hectares de café, os jovens irmãos investiram em terreiro suspenso e de chão para melhorar a pós-colheita. O resultado veio logo. Conquistaram o segundo, o terceiro e o quarto lugares no Coffee of the Year 2017, durante a Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte (MG).

“Estamos até hoje com as pernas meio bambas. Nunca imaginei que um café robusta fosse dar bebida.” Sergio se refere às mudas de robusta que plantou. Foram 2 mil no início, o que resultou em grande produtividade. Ele alterou toda a propriedade para clones de robusta, o que também gerou qualidade. Os clones de robusta se adaptaram muito bem à região dos Kalk, pois, segundo eles, para que a planta produza e tenha qualidade, é necessário um estresse hídrico a fim de gerar uma florada homogênea, o que resulta em frutos com a mesma maturação. “O produtor rural tem que usar a matemática, senão fica patinando”, orienta Sergio. “É muita gota de suor derramado. Não é de um dia para outro que a gente conquista. Agradeço muito ao meu pai por ter conseguido levar o nome de Rondônia para o mundo.”

As lavouras precisam ter variedades de clines bem definidas, como nesta propriedade em Alto Alegre dos Parecis

Industrialização do café

Na ponta da comercialização do produto, Rondônia ainda está engatinhando. Com o nome Café da Amazônia e o apelo de marca para um produto da floresta, alguns empresários vêm investindo nesse mercado promissor. Um deles é Lucas Borghi, presidente da Café Nova Era, na cidade de Cacoal. Fundada em 2012, a marca hoje investe em uma linha de especiais com torra própria e venda on-line. Com uma rede de produtores locais, a marca esteve recentemente na Coreia do Sul a fim de negociar a extração do óleo do café verde para uma fábrica de cosméticos que deve se instalar na cidade rondoniense. A família de Borghi está há 35 anos no Estado de Rondônia e passou da produção de café ao setor industrial.

A 500 quilômetros dali, já em Porto Velho, está a família de Bruno Assis, jovem empreendedor que está à frente da Juninho Soft Café, a primeira cafeteria a servir café 100% robusta, o Amazônia Coffee. Os empreendedores resolveram servir o café do estado depois que clientes procuravam provar os grãos da região. No ano passado, Bruno já conseguiu comprar sacas premiadas e fazer microlotes dos grãos que torra e envasa no local.

O mercado de hoje está bem distante daquele que Ezequias Braz da Silva Neto, o Tuta, encontrou quando chegou a Rondônia, em 1971. Desbravador da região de Cacoal e presidente da Câmara Setorial do Café do Estado de Rondônia, ele lembra que “a terra era tão boa que não precisava de adubo. Colhíamos o café e não tínhamos a quem vender”, diz ele ao citar o pioneiro na região Clodoaldo Nunes de Almeida, que chegou com as primeiras mudas no fim da década de 1960. De uma produção que chegou a 3,5 milhões de sacas entre os anos 1980 e 1990, Tuta comemora que a previsão para 2020 seja de 4 milhões de sacas. Desafios que estão postos e que, se depender do empenho do povo rondoniense, como diz o hino do estado: “Exaltaremos enquanto nos palpita o coração”.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso referente aos meses junho, julho e agosto de 2018 – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Mariana Proença • FOTO Renata Silva e Enrique Alves

Cafezal

A união que faz o café

Diferentes histórias de vida juntaram-se por um projeto maior: o de retomar o café do Norte Pioneiro, no Paraná. Conheça famílias que abraçaram a ideia e têm feito uma revolução na qualidade do produto.

Uma região marcada pelo recomeço. Assim podemos definir o Norte do Paraná quando nos referimos à cafeicultura local. De uma enorme geada na década de 1970, que dizimou grande parte da produção, renasceu uma vontade enorme nos agricultores de retomarem suas vidas e permanecerem no cultivo do café. Nem todos conseguiram e muitos migraram para outros Estados brasileiros, já que a situação era de extrema dificuldade. Mas os que ficaram lembram-se da situação como um grande marco na vida: “antes ou depois da geada de 1975…”

Após mais de 35 anos, a região vive um momento único, de pessoas empenhadas em trabalhar o mercado do café de uma forma moderna, com qualidade, mas sem esquecer as raízes locais formadas por pequenos produtores.

Fomos conhecer algumas dessas histórias em cidades produtoras: Ribeirão Claro e Abatiá, pequenos munícipios que ainda guardam o ar bucólico, a calmaria e muito trabalho na lavoura. Ficam a mais de 350 quilômetros de São Paulo e, ao cruzar a Represa de Chavantes, a vista descortina uma região de montanhas não muito altas e alguns cafezais beirando a estrada. Em toda a região, 88% dos cafeicultores são pequenos produtores, que plantam entre 2 e 10 hectares de café. A produção local era vendida anteriormente para comerciantes da própria região e pouco se sabia sobre a qualidade do café.

Em um trabalho que começou há pouco mais de quatro anos, produtores se uniram em busca de um melhor preço e para se mostrarem aos mercados internacionais. Descobriram, então, em eventos e viagens ao exterior, que havia um mundo à parte para os cafés especiais. Percorremos quatro propriedades, para mostrar essa realidade e constatar o trabalho sério do café do Norte Pioneiro.

“Hoje a gente capricha mais”

Augusto Serafim e sua esposa Ornesta Rissá Serafim vivem “na cidade”, em Ribeirão Claro. Mas a vida toda moraram no Sítio Santo Antônio, terras que herdaram da família. Há mais de 50 anos a história começou por ali e, hoje, o filho Cleomilson e a nora Daiana, vivem e zelam mais de perto pelos 6 hectares da fazenda, a 650 metros de altitude. Seu Augusto e a família são parte integrante do projeto de certificação Fair Trade, que mudou o dia a dia no sítio e fez com que todas as práticas agrícolas passassem a ser controladas de muito perto. Em 2 hectares de café eles colheram, em 2011, 350 sacas de variedades como mundo novo, bourbon vermelho, catuaí amarelo, em processamento cereja descascado e natural. Com maquinários recém-adquiridos em programas de incentivo ao pequeno produtor, há desde despolpador até secador automático, tudo aguardando pela nova safra. Além dos equipamentos, novos terreiros suspensos muito organizados estão à disposição dos cafés colhidos.

Apenas pai e filho e mais dois temporários fazem todo o trabalho de colheita e benefício do café. Para seu Augusto, “a secagem é o que manda na qualidade do café”, por isso, ela merece atenção redobrada. Ele conta que mudou seu jeito de pensar e que o cuidado com o meio ambiente é prioridade. É possível ver o entusiasmo nos olhos deles, motivação decorrente do alcance do dobro do preço de venda da saca, que passou de 390 reais em tempos passados, para 640 reais, em 2011. Seu Augusto ainda conta com orgulho das duas sacas premiadas no Estado, que vendeu ao Lucca Cafés Especiais, de Curitiba (PR), pelo valor de mil reais, cada. “O café, segundo eles, estava com notas de doce de leite, caramelo e frutado”, ele lembra. Para completar a renda, mais de 2 mil orquídeas são cultivadas por dona Ornesta e vendidas durante o ano, além de bolos e tortas. Uma vida simples, de muito trabalho e muito florida.

“O que eles fizeram a vida inteira”

No Sítio Santa Clara, em Ribeirão Claro, os descendentes de italianos Ademir Baggio e Joana Denobi Baggio são casados há mais de 60 anos. Sozinhos, eles vivem na propriedade de 5 hectares, sendo metade dela destinada à plantação de café. Com um sorriso largo no rosto, o casal trabalha duro na colheita. O café ali é só do tipo natural, com a casca, que vai para o terreiro suspenso após passar por um sistema simples, porém essencial: o lavador. Em uma pequena tina de plástico, o café recém-colhido é despejado para uma pré-seleção. Os mais pesados afundam e os mais leves, boiam – daí o nome – ficam na superfície. Os boias são separados dos demais e considerados de menor qualidade.

Desde os treinamentos realizados durante a certificação, o casal aprendeu que essa ação faz uma grande diferença. Pioneiros na região, em 2011 os Baggio produziram 50 sacas. Querem dobrar nesta safra, empolgados com o retorno do preço mais alto conseguido no ano anterior. Seu Ademir acredita muito no trabalho de união dos cafeicultores da região: “em 60 anos de trabalho meus pais morreram sem nada. Em três anos vamos fazer o que eles levaram a vida inteira para conquistar”.

“Estamos vendo resultado”

José Avilar Rissá Filho é meeiro na propriedade de João Fernandes, na parte baixa da cidade de Ribeirão Claro. No Sítio Maranata há 4 hectares de café e um terreiro suspenso muito peculiar, com vários andares e cobertura para proteger da chuva durante a época da colheita.

A troca de serviço é prática comum nesta região, e seu José ainda cuida de uma grande horta orgânica que tem desde lindas alfaces com um verde raro de se ver, até berinjela e brócolis. Com sete pessoas trabalhando na época da safra, o agricultor colhe as mais de 120 sacas de café. A esposa, Maria de Lourdes da Silva Rissá, é responsável pelo cuidado dos legumes e verduras. Mas é o café que tem sido a menina dos olhos deles: “estamos vendo resultado e vendendo para o exterior”, diz seu José.

“Não consigo mais beber café ruim”

Chegar à casa de Hugo Raul da Silva é uma aventura para quem vive nos centros urbanos. Muitos pedregulhos e lindas paisagens depois, o Sítio São Francisco desponta em meio a curvas tortuosas de Abatiá. Com uma área de 26 hectares, o produtor é um exemplo da grande mudança na mentalidade dos cafeicultores locais, após o investimento em qualidade.

Com o pai, ele aprendeu a lidar com café e replicou as antigas regras ao negócio. Após mais de 20 cursos técnicos, do plantio, e até de degustação de cafés, Hugo viu “o que fazia de errado”. Determinado, passou a aplicar todas as dicas aprendidas. Hoje seu café já conquistou 82 pontos na escala de 0 a 100 da SCAA e todo o maquinário está pronto para a próxima safra. Até uma “komboza”, como diz, o produtor financiou para trazer os 14 funcionários que o ajudarão na colheita. Em 2011, 20% do seu café foi vendido para a certificadora Fair Trade. Neste ano, Hugo tem a meta de vender 80%. Ele e a esposa Rosineia Aparecida Pereira da Silva moram em um sítio que mais parece uma casa de boneca. Tudo organizado para a próxima colheita e com o desejo de que venham excelentes resultados.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso referente aos meses junho, julho e agosto de 2012 – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Mariana Proença • FOTO Érico Hiller

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II Fórum Mundial de Produtores de Café já tem data marcada

Durante os dias 10 e 11 de julho, a cidade de Campinas, no interior de São Paulo, será palco do II Fórum Mundial de Produtores de Café. O evento reunirá produtores, exportadores, importadores, compradores, torradores, distribuidores e amantes do café.

Com objetivo de buscar caminhos mais sustentáveis para a atividade cafeeira global, serão debatidos temas como a renda dos cafeicultores, questões socioambientais, clima e sustentabilidade.

Palestras e painéis serão dirigidos por grandes nomes do setor, como Jeffrey D. Sachs, diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável de la Tierra da Universidade de Columbia; Silas Brasileiro, presidente executivo do Conselho Nacional do Café (CNC); e Vanusia Nogueira, diretora executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

Além disso, o encontro contará com workshops e sessões de design thinking com temáticas voltadas para assuntos do setor: mercado, preços e promoção e aumento de consumo.

O II Fórum Mundial de Produtores de Café é uma realização entre BSCA, Minasul e Conselho Nacional do Café (CNC). Com valor de R$ 850 (incluindo almoço e coffee break), o ingresso pode ser adquirido no site do evento. A Revista Espresso e o portal de notícias do setor CaféPoint são as mídias oficiais do evento.

Serviço
II Fórum Mundial de Produtores de Café
Quando: 10 e 11 de julho
Horário: 6h30 às 19h (dia 10), 8h às 17h (dia 11)
Onde: Royal Palm Hall – Campinas (SP)
Mais informações: www.worldcoffeeproducersforum.com.br

TEXTO Redação • FOTO Vitor Barão

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Araponga canta alto

Cidade encravada na mineira Serra do Brigadeiro acumula prêmios de melhor café e tem a primeira produtora mulher do Coffee of the Year

A primeira vez em que ouvi uma referência à cidade de Araponga foi no prêmio da torrefação italiana illycaffè, realizado há mais de 25 anos aqui no Brasil. Ano a ano (desde 2006, quando comecei a acompanhar), a cidade, encravada em meio à Serra do Brigadeiro, emplaca cafés nas finais do concurso. O nome da ave que batiza o município é de pronúncia forte assim como o canto do animal, conhecido por ser bem alto e um dos mais potentes entre as espécies.

O canto forte parece também inspirar os moradores da região. Em uma cidade de pouco mais de 8 mil habitantes, a principal atividade é o café. Com grande potencial para o turismo, por causa do Parque Estadual que permeia o entorno, é ainda pouco visitada. Araponga está a 262 quilômetros de Belo Horizonte (MG), próximo a Viçosa, onde se encontra uma das principais instituições educacionais do País na área de agricultura, a Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Em um passado não muito distante, a região era conhecida como área de cafés ruins, a Zona da Mata. A mudança de posicionamento veio a partir de 2011, quando lideranças regionais passaram a realizar o trabalho de identificação dos grãos de qualidade plantados ali. Pequenos produtores espalhados em 63 municípios somam 36 mil cafeicultores, e a maioria – 80% deles – tem menos de 20 hectares de café. A necessidade de criar uma identidade nova resultou, depois de um trabalho conjunto de Sebrae Minas, Faemg, Emater, sindicatos, associações e cooperativas locais, além de profissionais autônomos, no Conselho das Entidades do Café das Matas de Minas. A nova governança, capacitação e união dos produtores em busca da qualidade deram nova cara à região das Matas, como é carinhosamente chamada, e proporcionaram a mudança na avaliação dos cafés.

Esse é o caso da produtora Sandra Lelis da Silva, uma das responsáveis por nossa visita à cidade, pela conquista inédita. Campeã do Coffee of the Year 2017, a professora há mais de trinta anos e cafeicultora junto com a família no Sítio Caminho da Serra, foi a primeira mulher a receber o prêmio, criado em 2012. A realidade do produtor de café em uma região montanhosa é de muito trabalho. Preocupados com o preço do grão nos últimos anos, Paulo Miranda e o filho Paulo Henrique decidiram arrancar os pés de café e plantar eucalipto. Ficaram somente com três lavouras produtivas de café.

A professora e produtora Sandra mostra com orgulho os frutos quase maduros da nova safra.

Essa decisão não tão rara em propriedades brasileiras vem levando agricultores a trocar o café por culturas extrativistas. “A gente se arrependeu e voltou a plantar café. Na primeira colheita depois disso, no ano passado, ganhamos o prêmio”, lembra feliz Paulo Henrique. A descoberta do caminho da qualidade e a vitória da família de Sandra incentivaram outros produtores da região. Orgulhosa, ela mostra o talhão que deu a eles o primeiro lugar no concurso. Sombreado por cedros, os cafezais ficam em uma área mais afastada da fazenda, na microrregião de Serra das Cabeças.

É na própria cidade que eles processam o café cereja descascado (CD) – a maioria – e um pouco do natural (seco com a casca). Eles estão planejando construir no próprio sítio um local adequado para isso, o que demandaria menos deslocamento do café, que vai da lavoura até o centro de Araponga. O terreiro suspenso de dois andares é mexido de vinte em vinte minutos durante a colheita. “Para fazer café especial não pode ter preguiça. Não tem dia santo, nem sábado e domingo”, alerta Sandra enquanto manuseia o terreiro. O marido, Paulo, complementa: “Café especial é para quem gosta. E ele também gosta de mão, para mexer o tempo todo”. A dedicação deu resultado. O café campeão foi vendido para compradores internacionais e nacionais. “Logo depois da Semana Internacional do Café, um comprador francês veio direto aqui para o nosso sítio atrás do café. Ficamos mais conhecidos”, relembra Sandra, e depois, segunda ela, muitos outros se interessaram pelos lotes da propriedade.

Suspensos para todo o lado

O terreiro suspenso virou uma marca nas propriedades que investem em qualidade por ali. Por onde caminhamos a aposta é nessa forma de secar o café. “Os parâmetros estão mudando muito”, analisa o produtor Edinho Miranda, filho do cafeicultor cujo nome batiza a propriedade, Fazenda Edio Miranda, antigo Sítio da Matinha e Sítio Santo Antônio do Prado. A área de 40 hectares de café emociona a quem chega ao lugar. Aos 76 anos, seu Edio conta com orgulho a história de menino, quando andava 12 quilômetros a pé para chegar à escola. Levava duas horas. A esposa, Aparecida Milagres Miranda, pilota com maestria o carro da família e também ajuda na pós-colheita.

A “panha” na região é feita por derriça manual ou mecânica, pois não é possível utilizar colheitadeira por ali. Envolto por montanhas e sombreado por abacateiros, os pés de café nascem com um verde mais brilhante. Na época da colheita, em torno de quinze colaboradores auxiliam nos trabalhos. Um dos destaques dessa safra foi o “terreiro suspenso de roda”, criado por Edio depois que viu na televisão um semelhante para cacau. A filha, Andreia Milagres, explica que “se der certo, vão investir mais na próxima”. Os carrinhos entram e saem do galpão de acordo com o sol. “Além de investir para testar a bebida do café, ainda fica bonito, né?”, comemora seu Edio.

Edio Miranda e a família mostram cuidado na execução das tarefas do dia a dia, na busca incessante pela qualidade

A proximidade com a natureza e o conhecimento do clima local auxiliam muito os produtores na qualidade do café e na identidade artesanal. A fazenda foi premiada com o primeiro lugar em dois anos pela illycaffè, 2007 e 2013, e ficou entre os finalistas do Coffee of the Year, em 2014 e em 2015. “O café não pode secar rápido, senão não dá boa qualidade. Tempos atrás ficava doido para tirar logo o café do terreiro. Mas agora tem que ter esse cuidado.”

Seu Edio mostra com orgulho a casa dentro do lago, construída com muito esforço por anos, uma surpresa à época para a esposa, Cida. Ela conta que ele vinha todo dia à propriedade, mas ela não imaginava que estaria também fazendo uma casa para a família. Hoje a construção simples é um dos símbolos do lugar, e chama a atenção de quem chega. Além do capricho deles na decoração de todo o entorno, há a presença abundante de água, um recurso natural que não está em falta em toda a localidade.

Parede de prêmios

Quando se entra na casa térrea da fazenda de Raimundo Dimas Santana, a quantidade de certificados na parede chama atenção. São dezenas de prêmios entre as fotos de família e muitas lembranças de safras passadas. O terceiro de catorze irmãos, Raimundo está há quarenta anos na Fazenda Santo Antônio. Em lugar privilegiado da cidade – está hoje praticamente dentro do município -, a área fica entre formações rochosas e tem topografia que auxilia na produção do café, com até 1.300 metros de altitude. Assim como os demais produtores da região, o foco é o cereja descascado, que, até o ano passado, era seco somente em terreiro de cimento. “Começamos neste ano também com o terreiro suspenso” explica o filho, Raimundo Dimas Santana Filho, presente na fazenda e entusiasmado com os resultados que a nova forma de secar pode trazer. Os 200 mil pés de café da família mostram que, apesar de a colheita ter adiantado neste ano, há muito trabalho. Desde 2002 são fornecedores da illycaffè, o que já lhes rendeu os tantos prêmios expostos na parede. Entre eles os mais recentes da torrefação italiana, em 2018, como Campeão de Qualidade da região das Matas de Minas e finalista no 27º Concurso de Qualidade do Café, que levará os vencedores para a disputa mundial, em Nova York.

Os premiados Raimundo Dimas Santana e o filho, estrando neste ano a secagem em terreiro suspenso, estão entusiasmados com os resultados

“Não tem receita de bolo”

Muitos pontos chamam a atenção do visitante quando ele chega à Fazenda Serra do Boné. Com dezenas de visitas a propriedades pelo Brasil e no mundo na bagagem, tranquilamente posso afirmar que a propriedade da família Sanglard é exemplar raro no meio do café. Com mais de sessenta terreiros suspensos enfileirados um a um pelas áreas da fazenda, as variedades catuaí vermelho e amarelo, catucaí vermelho e amarelo, mundo novo e bourbon amarelo passam por diversos processos até chegar a alguma torrefação do nosso planeta. São mais de 3 mil metros quadrados de telas para sustentar 5.300 metros quadrados de terreiros em alvenaria, que são remexidos por até seis pessoas diariamente. Matheus Sanglard, jovem de 25 anos, é exemplo de sucessão familiar junto com seu irmão Nathan, 20 anos. Distante 13 quilômetros da cidade, a fazenda tem uma vista de tirar o fôlego, em meio a cachoeiras, montanhas e muito verde. Em 2003, a propriedade foi campeã do Cup of Excellence – concurso organizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). O lote obteve pontuação de 95,35 na época da premiação.

Mais de sessenta terreiros suspensos são a marca da família Sanglard, cujo trabalho primoroso rendeu o segundo lugar no Coffee of the Year 2017

Carlos Sérgio Sanglard chegou ao local em 1988, ainda não tinha 30 anos e assumiu o cultivo de 8 mil pés de café. Hoje está com 480 mil pés espalhados em 125 hectares. Ele explica que o ano em que ganhou o Cup of Excellence foi o primeiro em que “descascou o café”, e um ano antes, em 2002, havia feito o primeiro terreiro suspenso de madeira. Autodidata e muito focado na realização de novos testes com os cafés, Carlos detalha que quer chegar a 600 mil pés em cinco anos. Nascido em Manhumirim, cidade também produtora de café, fala que veio fazer um trabalho em Araponga quando conheceu a esposa, Sônia. Rindo eles contam que Carlos não tinha projetos de morar ali, mas que voltou pela namorada e então futura mãe dos filhos. Orgulhoso, ele diz que ambos os meninos seguiram a carreira da agronomia. Em 2017, o café da família de Carlos ficou em segundo lugar no Coffee of the Year, com a variedade catucaí vermelho.

“Entre 2004 e 2011, fiz o cultivo orgânico aqui.” Hoje o grande destaque da propriedade é o café fermentado naturalmente. Matheus explica que, após colhido, o café fica por dois a três dias no saco na lavoura; depois ele é descascado em máquinas e volta para o saco, onde fica por dezoito horas. Então é levado para o terreiro suspenso. Lá fica por dois dias e, depois de seco, eles fecham o terreiro e os grãos ficam quinze dias em descanso. Aos poucos eles retiram alguns lotes para provar o café e acompanhar os resultados. Apesar de Matheus dizer que não tem receita de bolo para o café e que “café especial dá muito trabalho para separar os lotes”, a organização impecável da propriedade mostra que eles encontraram o caminho certo.

Do alto da Serra do Brigadeiro

Simone Dias Sampaio Silva, nossa cicerone em Araponga, junto com o marido, João da Silva Neto, é produtora de café no Sítio Jardim das Oliveiras. Eles moram na cidade desde 2011. Ela, onze irmãos, filha de cafeicultor, sempre viu sua família viver do rendimento do café.

O casal estudou na UFV, onde se conheceu. Ela se formou em Nutrição, e João, em Engenharia de Alimentos. Cansados da vida na cidade grande, depois de morarem em muitos lugares pelo Brasil e pelo mundo trabalhando em grandes empresas, decidiram investir no sítio.

A produtora Simone Sampaio é liderança na região e exemplo de produção sem o uso de agroquímicos, juntamente com o marido, João

“Era um sonho dele, eu tinha medo de voltar”, lembra Simone. Mas hoje ela é uma das mais atuantes e motivadas dentro da região. Sem o uso de agroquímicos, apenas adubo, Simone explica que tem “baixa produtividade, mas alta qualidade”.

Para isso separa todos os lotes e, desde 2017, começou a investir em terreiro suspenso. João também tem se aprofundado no estudo da torra do café, e eles instalaram um torrador na propriedade. Muito interessado em todos os subprodutos que o café pode gerar, informa estar estudando tirar etanol da casca do café após despolpá-lo, baseado em pesquisas do professor Juarez de Souza e Silva, da UFV.

No Jardim das Oliveiras, a especialidade é microlote: “São mais de cem”, garante Simone. Tanta dedicação rendeu dezenas de prêmios nos 43 hectares. Em 2011, ano em que se mudaram para Araponga, levaram o terceiro lugar no prêmio concorridíssimo da Emater-MG: “Ficamos apaixonados por concursos”, brinca Simone. Tamanha vontade de participar já lhes rendeu o quinto lugar por duas vezes no Coffee of the Year, em 2015 e em 2017.

Além do sítio, o casal inaugurou a Pousada Dias Felizes, em uma casa histórica de 140 anos, onde recebe visitantes do café e também turistas em geral. O Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, por exemplo, que engloba onze municípios da região, atrai pessoas para fazer trilhas.

A tarde cai e já estamos indo embora. O café, suspenso no alto das montanhas ao cair do sol, cria um lindo cinturão verde emoldurando as rochas e fazendo-nos lembrar como é bonito e importante ser às vezes só um pequeno ponto no meio daquela imensidão.

O canto da Araponga – que faz referência ao som do martelo ao bater incessantemente – nos mostra que é preciso persistência para seguir no cultivo do café, mas que muitas vezes é possível ouvir bem alto e longe o fruto de tanto trabalho naquela região.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso referente aos setembro, outubro e novembro de 2018 – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Mariana Proença • FOTO Vitor Barão

Cafezal

De pai para filho, de filho para pai

A família que produziu o café vencedor do Cup of Excellence 2017 une a experiência de Osmar Nunes Júnior, cafeicultor há trinta anos, ao conhecimento acadêmico do filho, Gabriel Nunes

“Eu tomei as duas melhores decisões da minha vida no mesmo dia, 24 de novembro de 1984: resolvi plantar café e pedi a Celinha em namoro”, lembra o técnico agrícola Osmar Nunes Júnior, de 52 anos. Mal esperava ele, entre tantas outras alegrias, que as decisões resultariam no primeiro lugar do Cup of Excellence 2017 para a sua propriedade, a Fazenda Bom Jardim.

A família Nunes é original de Patrocínio (MG), o maior município brasileiro produtor de café. No entanto, há quatro décadas, o cenário da região era bem diferente. Osmar Nunes, o patriarca, era a terceira geração da família a se dedicar à pecuária, ramo com o qual o filho, Osmar Júnior, trabalhou até a chegada dos imigrantes a Minas Gerais. Os novos habitantes, vindos do sul do País, instalaram-se no Cerrado Mineiro e começaram a plantar café.

Encantado com a cultura, Juninho, como é chamado pelos antigos da cidade, desafiou os planos do pai, Osmar, e começou a plantar os primeiros pés, em 1984. Ele tinha uma fazenda de apenas 10 hectares, com produção de arábica. O solo fértil do Cerrado e o clima ameno da região mineira – com as estações de chuva e de seca bem demarcadas e coincidentes com as necessidades do ciclo do café – contribuíram para o bom desenvolvimento das plantações na região.

Juninho deixou de ser apenas filho e se tornou pai em 1989, ano em que nasceu Gabriel. Celinha sonhava com um filho médico, enquanto o marido vislumbrava para o garoto simplesmente um futuro fora da fazenda. Gabriel teve uma infância muito especial na propriedade da família, entre trilhas a cavalo, banhos de cachoeira, pescaria, guerras de lama e outras tantas brincadeiras. Contava os dias para as férias, quando podia acampar com os amigos na fazenda.

Tal avô, tal pai, tal filho

A relação de Gabriel e Juninho é, desde o início, harmoniosa. “Nós dois sempre fomos muito amigos. Meu pai era muito presente, acho que em uma tentativa de repetir comigo a relação bacana que ele teve com o meu avô. Quando passei a trabalhar com café, nós nos aproximamos ainda mais”, conta Gabriel Nunes, engenheiro agrônomo de 28 anos.

O início, no entanto, não se deu sem dificuldade. Quando Gabriel decidiu cursar Agronomia, Juninho se opôs: queria que o filho fizesse outra coisa, saísse da fazenda. “Naquela época, a agropecuária estava tão ruim que eu não queria que ele cursasse Agronomia. Mas ele fez, e hoje eu tenho o maior orgulho”, emociona-se o pai. O rapaz passou no vestibular da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e cruzou Minas Gerais em busca de formação.

Apaixonado tanto pelo café quanto pelos bichos, Gabriel passou metade do curso em dúvida sobre estudar pecuária ou agricultura. “Como meu pai mexia com café, eu fazia disciplinas relacionadas ao assunto sempre que podia. Fui me entrosando com isso desde o início, mesmo em dúvida”, lembra o jovem. A paixão pelo solo falou mais alto e ele não tardou a intensificar as buscas pela formação específica.

“Ele dava pitaco na plantação desde a faculdade. Em todas as férias que tirava, fazia um estágio em uma fazenda diferente. Ele via os nossos erros e trazia novidades”, lembra Juninho. Sempre muito adepto a novas técnicas e tecnologias, o pai deu ao filho a possibilidade de inovar na propriedade. “É o maior prazer ver um filho tocar o negócio da família, querer aprimorar a produção”, orgulha-se Juninho.

A Revolução de 2013

Gabriel levou algumas novidades para o cafezal dos Nunes durante a graduação, mas foi quando ele se formou, em 2013, que a Fazenda Bom Jardim passou por uma verdadeira revolução em sua produção. “Quando o Gabriel voltou formado, ele quis investir em cafés especiais. Dei todo o apoio e desde 2014 a gente vem ganhando prêmios. Ele trouxe novos métodos, aumentou a qualidade do produto. Renovamos a lavoura, trocamos plantas e materiais”, descreve Juninho.

Mesmo com o rápido progresso, o primeiro lugar no Cup of Excellence foi uma surpresa. O concurso, que conta com juízes de todos os cantos do mundo e é o mais concorrido entre os cafeicultores brasileiros, premiou um bourbon amarelo, de primeira safra, que pai e filho cultivaram a 930 metros de altitude. Os Nunes não só atingiram esse bom resultado, como bateram o recorde mundial no leilão do evento: venderam cada saca de 60 quilos a R$ 55 mil.

Para Gabriel, o que fez o café vencedor foi a prova dos cafés antes da colheita oficial — fase da qual ele mesmo se encarrega, na companhia de um Q-grader. “Eu testo cada talhão para ver o potencial de cada café. Vario modos de secagem e de fermentação e vou provando um a um, pouco antes de colher. Assim, cada café vai ser colhido e vai passar pelo processo que destaca melhor suas características. É desse jeito que eu consigo um grão de alta qualidade”, ensina o engenheiro agrônomo, cujo café campeão atingiu 92 pontos.

“Vencer o concurso foi muito gratificante. A gente não esperava ficar em primeiro, quanto mais ganhar um prêmio histórico. Foi o primeiro café do Cerrado a alcançar essa marca, e o concurso já acontece há dezoito anos. Muita gente achava que a região não tinha potencial para ganhar esse prêmio, dizia que aqui é só quantidade, não qualidade”, comenta Gabriel.

A má impressão que se tem do Cerrado Mineiro é equivocada. É a única região cafeeira do País que possui Denominação de Origem, ou seja, é um território de onde sai um produto com características específicas, que não são encontradas em qualquer outro lugar. Exemplos famosos de produtos assim no mundo são o queijo Roquefort e o Champanhe.

A história da conquista da Denominação de Origem tem ligação direta com o relacionamento harmonioso, de parceria, que os produtores do Cerrado mantêm. “Temos muito orgulho da região porque demos um passo à frente em relação às outras, consideradas as pioneiras do País. O Cerrado sempre teve essa visão empresarial, e eu não tenho segredo com meus colegas. Fazemos cursos juntos, trocamos cafés, estamos prontos para crescer ainda mais”, garante Gabriel.

Construção futura

Em oposição a muitas fazendas dedicadas ao plantio de café, a propriedade da Fazenda Bom Jardim não conta com uma estrutura muito intrincada. Além das máquinas e do complexo de secagem e de fermentação, as construções do local são, por enquanto, um depósito de máquinas e uma área de criação de porcos, de onde provém parte do adubo usado na produção.

Os Nunes preferiram investir na qualidade do café antes de trabalhar a estrutura física da fazenda. O resultado é evidenciado com o recorde mundial atingido em apenas cinco anos de melhorias. Com o dinheiro que conseguiu com a venda das seis sacas do café campeão, a dupla vai investir em uma estrutura física moderna, com espaço para receber clientes, fazer provas com Q-graders e até mesmo para uma cafeteria com barista.

Para Gabriel, o próximo passo é se formar Q-grader. Ele se arrisca a fazer provas, mas quer procurar formação específica. Pai e filho se dedicam muito aos estudos sobre lavoura, produção, café. Conseguiram elaborar um sistema de escalonamento de safra, reduzindo a mudança que a bienalidade do café acarreta. “Geralmente não temos muita alteração nos números, conseguimos fazer com que a produção da safra alta tenha, no máximo, uma diferença de 40% em relação à do ano anterior”, explica Juninho.

Os pés de café que deram os grãos campeões se aproximam dos 3 metros de altura e estão carregados de frutos e promessas. Os Nunes plantam não apenas o bourbon amarelo; eles também trabalham com cultivares como  arara e catuaí. A dupla tem se arriscado inclusive a plantar geisha, que deve ter sua segunda colheita em 2020. Eles ainda não sabem quais cafés levarão para o Cup of Excellence 2018, mas não deixam dúvida quanto à sua participação na próxima edição.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso referente aos meses março, abril e maio de 2018 – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Clara Campoli • FOTO Murilo Gharrber

Cafezal

Mulheres da terra, cafeicultoras de coração

Na Fazenda Nova Esperança, no Sul de Minas, o cafezal balança com o sopro do ar e marca a história de vida de Leda Castellani e de sua filha Arabela Pereira Lima

Dali do alto dá pra ver tudo: o cafezal, os lagos da região, a cidade ao longe. O ponto mais alto da Fazenda Nova Esperança, em Monte Santo de Minas, uma região de serra ao sul do estado, está a pouco menos de 1.200 metros de altitude em um terreno inclinado, com incidência alta de sol e vento. Quando a chuva deu uma trégua de três horas naquela sexta-feira de maio, foi possível montar na caminhonete, guiada sempre pelo cachorro Xereta, ou Shrek – como todo bom vira-lata, ele tem vários nomes – e ver os pés de catucaí, mundo novo, catuaí vermelho (IAC 99) e amarelo (IAC 62) que salpicavam o cafezal de uma mistura de verde das folhas refrescadas pela água com o vermelho e o amarelo dos frutos maduros, quase prontos para a colheita.

A história da Nova Esperança começa em 1972. A fazenda já existia antes, com o nome de Jambeirinho, mas foi ali que sua trajetória se transformou, assim como a de dona Leda Castellani, proprietária e produtora até hoje no comando da propriedade. Seu marido, Léo Pereira Lima, comprou a fazenda, mas sofreu um acidente no ano seguinte, antes de ver a primeira colheita de café. Foi então que Leda, com a ajuda de seu pai, passou a tocar adiante o projeto que Léo começou. Afinal, era dali que ela, professora de inglês, passaria a tirar o sustento de si mesma e das duas filhas, ainda pequenas. Daí o novo nome da fazenda: a nova esperança para toda uma família.

No início, a fazenda tinha granja e gado leiteiro, mas, aos poucos, o café tomou conta do pedaço. Ao todo, a propriedade tem 153 hectares, dos quais 75 são de cafezais e o restante se divide em reserva legal de mata nativa e plantação de eucalipto. Mas, até chegar aí, dona Leda precisou aprender muita coisa, pesquisar e desbravar o mundo do café na unha.

Buscou ajuda da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), que tem mais de oitenta anos de história na região, e depois ganhou a companhia da filha mais nova, Arabela Pereira Lima, engenheira agrônoma formada pela Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais, numa época em que apenas ela e outra amiga mulher compunham a classe e tinham de deparar com o preconceito dos colegas e professores.

Arabela Pereira Lima aos pés da paineira que seu pai escolheu como símbolo da fazenda. É ali que ela busca refúgio sempre que precisa.

Nada que a intimidasse. Hoje, Arabela é quem toca o dia a dia da fazenda. São oito funcionários fixos durante o ano todo, que mantêm a organização de tudo impecável, como dona Leda gosta e com a confiança de que precisa. Adriano Aparecido Alves , por exemplo, chegou à fazenda ainda criança, com a família dele, há 25 anos, e segue como braço-direito da família. “O empregado com menos tempo de casa tem quinze anos com a gente”, conta dona Leda.

Produção e premiação
Além do trabalho com o café verde commodity para diversos compradores, a Nova Esperança é uma das fornecedoras de grãos para a torrefação italiana illy, já pelo quinto ano consecutivo. Em 2016, o café venceu o 25o Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Espresso na categoria Sul de Minas, ficou em terceiro na classificação geral e a história de vida com o café contada por Leda Castellani foi considerada a melhor daquele ano. Os méritos foram divididos com todos: os funcionários também receberam bonificações pelo trabalho que ajudou a família a chegar lá.

“Muita gente vê o café como uma fonte fácil de dinheiro. Mas a verdade é que tudo o que ganhamos reinvestimos aqui, em máquinas, melhorias, soluções para administrar as características naturais da nossa propriedade”, explica Leda. Ela se refere ao vento intenso que sopra constantemente na montanha. Uma das soluções encontradas e que está sendo testada é intercalar fileiras de outras árvores mais altas, como o cedrinho australiano, para barrar o vento direto nos pés. “Nós procuramos plantar em áreas em que o café não é possível, assim não perdemos pontos de produção”, complementa Arabela, que conta que também estão investindo na adubação orgânica do cafezal.

Dona Leda, na sala de sua casa, onde preserva imagens religiosas: “Aos poucos aprendi a ser uma ‘mulher da terra’, construindo uma pequena comunidade, onde somos movidos por tudo o que fazemos e, por isso, temos sucesso”.

Outra particularidade da Nova Esperança é a colheita tardia. Neste ano, a previsão era colocar as máquinas na lavoura – a colheita é mecanizada – após 15 de junho. “Algumas variedades e talhões, dependendo da altitude, terminam a colheita em setembro, quando já está começando a ter botão de flor nos pés. É outro desafio que temos, já que, se perdermos os botões, não tem safra no ano seguinte”, diz Arabela.

O ano de 2017 é um ano “sim” para a fazenda, isto é, o ano em que a safra será boa. No ano passado, um ano “não”, o total foi de 2 mil sacas e a expectativa é que os melhores números da Nova Esperança sejam alcançados neste ano, algo entre 3 mil e 3,5 mil sacas. A previsão ainda não é o potencial total da propriedade, já que ainda há muitas áreas com cafeeiros novos, que não atingiram sua plenitude produtiva, e outras árvores velhas, que serão substituídas em uma melhor distribuição e aproveitamento da área.

A região do Sul de Minas tem milhares de propriedades. Incrustada em meio às montanhas, a cidade de Monte Santo de Minas é propícia para o cultivo do café, com altitude na fazenda de até 1.200 metros.

Do terreiro adiante
Uma nova colheitadeira, com capacidade de apanhar melhor os galhos mais próximos ao solo e aumentar a produtividade, estava para chegar a Monte Santo para o início da safra. “Assim, devemos conseguir melhorar também lá na frente, quando não podemos machucar e perder os botões de flor”, explica Arabela.

Da lavoura, o café segue para o lavador e o despolpador, já que o método utilizado na fazenda é o cereja descascado. De lá, para os três terreiros, dois de 1.800 metros quadrados, um recém-construído, e um de 1.300 metros quadrados. Vão então para o secador, quando atingem 15% de umidade e para as tulhas e silos com 11%, de onde seguem seu destino até os torrefadores.

Adriano vive desde 1993 na fazenda. É ele quem comanda a colheitadeira e auxilia no processo de pós-colheita nos terreiros e no beneficiamento.

Quando fala de sua vida no café, dona Leda diz, como no texto vencedor do Prêmio Illy, que “foi aos poucos que aprendeu a ser uma ‘mulher da terra’, construindo uma pequena comunidade onde todos nós somos movidos por tudo o que fazemos e, por isso, temos sucesso”. Mas sabe que ainda há muito o que ser percorrido por sua filha Arabela. “Aqui acaba minha história com o café; vivi grandes desafios, que me fizeram crescer como ser humano e hoje posso dizer como São Paulo: ‘Combati o bom combate, completei minha carreira, guardei minha fé’.”

No meio da fazenda, vê-se uma frondosa paineira, que era o local favorito de Léo quando comprou a propriedade. Era ali que ele queria construir a sede. A área hoje é rodeada por pés de café. A sede dona Leda construiu onde ela queria. Afinal, quem fez do sonho realidade foi ela, transformando o café da Fazenda Nova Esperança em um grão de identidade feminina, forte, batalhadora e independente, assim como a das duas mulheres que estão no seu comando.

TEXTO Mariana Proença • FOTO Lucas Albin/Agência Ophelia

Cafezal

Café brasileiro é o mais bem pontuado em ranking mundial do Cup of Excellence

O leilão dos campeões do Cup of Excellence – Brazil 2018 foi realizado no dia 29 de novembro. Na ocasião, os grãos vencedores da categoria “Pulped Naturals” (via úmida), cultivados na Fazenda Primavera, em Angelândia, região da Chapada de Minas, foram vendidos por US$ 143,00 por libra peso, o equivalente a R$ 73 mil, uma vez que a cotação do dólar no dia estava a R$ 3,8575.

Além de ter alcançado um novo recorde no valor ofertado, o Brasil também conquistou o primeiro lugar no ranking mundial de cafés mais pontuados do concurso. Os grãos da Fazenda Primavera ganharam incríveis 93,89 pontos, superando países como Bolívia, Colômbia, Costa Rica e El Salvador.

Para Vanusia Nogueira, diretora executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), essa é uma demonstração de que o nosso País tem consistência para oferecer qualidade ao mundo. “O Brasil vai se apresentando cada vez mais como o maior fornecedor de cafés de altíssima qualidade, tanto em processamento de via úmida, quanto de via seca”.

Segundo o Alliance for Coffee Excellence, em 2005, os grãos por via úmida da Fazenda Santa Inês, localizada em Carmo de Minas (MG), de Francisco Isidoro Dias Pereira, alcançaram 95,85 pontos.

TEXTO Redação • FOTO Gui Gomes