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SP e MG abrem inscrições para concursos de qualidade

Dois grandes estados produtores de café estão com inscrições abertas para concursos de qualidade dos grãos. Em Minas Gerais, o Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais acontece pela 14ª vez. Já em São Paulo, o Concurso Estadual de Qualidade do Café de São Paulo está em sua 16ª edição e com duas novidades na competição. Confira os detalhes!

Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais
A competição está com duas categorias e cada produtor poderá participar somente com uma amostra em cada: a categoria de Café Natural e a de Café Cereja Descascado, Despolpado ou Desmucilado.

Podendo competir apenas os produtores dos municípios mineiros que possuem amostras de café arábica tipo 2 para melhor, as amostras também precisam ser colhidas este ano e entregues, até o dia 15/9, nos escritórios da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater/MG) da região onde o café foi produzido. As fichas de matrícula também serão preenchidas no mesmo local.

Os grãos passarão por análises físicas e sensoriais feitas por uma comissão formada por no mínimo dez classificadores e degustadores de café. As amostras com nota sensorial abaixo de 80 pontos, de acordo com a Associação Americana de Cafés Especiais (SCAA), serão desclassificadas.

Além destas análises, também serão levados em consideração os fatores socioambientais. Os cafés serão pontuados em quesitos como a proteção de nascentes da propriedade, preservação de mata ciliar dos cursos d’água, entre outros.

Os vencedores das categorias receberão um certificado da organização do evento, além de outras premiações. Os resultados serão anunciados entre novembro e dezembro, em Belo Horizonte.

Concurso de Qualidade do Café de São Paulo
Podendo participar apenas os finalistas dos concursos regionais, produtores de café arábica, além das três categorias que já existiam, Café Natural, Cereja Descascado e Microlote, agora a competição também está com uma novidade: a Nanolote.

Os produtores que queiram participar precisam ser finalistas dos Concursos Regionais de Qualidade de Café, considerados oficiais e inscritos no Concurso Estadual. Cada região poderá inscrever até quatro lotes de café natural, quatro de cereja descascado ou despolpado, dois microlotes e um nanolote de 10 kg, totalizando até onze lotes.

Os cafés participantes serão enviados para a Comissão Coordenadora do Concurso Estadual e serão avaliados às cegas por uma comissão julgadora constituída por até nove especialistas. Assim como o concurso mineiro, a questão socioambiental também contará positivamente na avaliação.

Nos dias 25 e 26 de outubro, as amostras passarão pelo júri técnico e a divulgação dos lotes finalistas será no dia 30. Dentre os cafés participantes, a comissão julgadora definirá os melhores de cada categoria, sendo o vencedor o de maior pontuação.

A outra novidade acontece no Leilão dos Cafés Premiados de São Paulo. O valor do lance mínimo passou a ser 80% acima da cotação BM&FBovespa do dia anterior ao pregão. Antes, o lance mínimo era 50% acima. Para o nanolote, o lance mínimo ainda será informado pela comissão organizadora.

Mais informações: Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais e Concurso de Qualidade do Café de São Paulo.

(Texto publicado originalmente no site CaféPoint)

TEXTO Redação • FOTO Érico Hiller

Cafezal

“Café é detalhe”

Há quase quarenta anos, Paulinho, como é conhecido o produtor Paulo Sergio de Almeida, produz café na tranquila cidade de Paraisópolis, na Mantiqueira de Minas. A centenária fazenda Santa Terezinha, fundada em 1915, era de produção tradicional de café. Por volta de 1995, o cafeicultor enfrentou um grande desafio: descobriu um sério problema nos rins. Foi obrigado a partir para o transplante, o que o levou a mudanças radicais de hábitos. De forma autodidata, enveredou pelos caminhos do cultivo orgânico, por acreditar que seu problema havia sido por intoxicação pelo uso de adubos químicos e hoje é referência em produção de cafés especiais.

A paixão pelo orgânico – sem o uso de substâncias que não sejam naturais e produzidas pela fazenda – ficou ainda maior. Desse grande passo, Paulinho modificou a forma de pensar o café. Foram anos de adaptação para desenvolver soluções empíricas, que depois passaram a fazer parte das palestras que ele mesmo passou a ministrar. Um conhecimento adquirido na prática, que lhe rendeu, em 2001, o maior prêmio da cafeicultura brasileira: o primeiro lugar no Cup of Excellence, que pontua os melhores cafés da safra em um ranking exigente de provadores.

No primeiro ano em que participou, Paulinho já levava o maior prêmio, que, segundo ele, “mudou muito e valorizou o produto da fazenda”. Naquele ano, sem muitas pretensões, ele inscreveu o café no concurso. Pediu a ajuda de um amigo para o beneficiamento do produto. Uma verdadeira saga. Já em São Paulo, aproveitando a ida a um médico, foi assistir ao resultado. Esperava apenas receber um agradecimento pela participação. Qual não foi sua surpresa quando a qualidade do produto o levou ao primeiro lugar.

Paulinho passou a conhecer o potencial do seu café. Todos queriam saber quem era aquele produtor, dono do primeiro café mais pontuado do País, à época com 97,53 pontos. “Café é detalhe”, ensina ele.

Ele conversou conosco em 2011 e, recentemente, concedeu-nos nova entrevista, no momento em que seu filho, André Almeida, está participando ainda mais ativamente do dia a dia da fazenda, assim como Fabrício e Júnia, filho e nora, que inauguraram a Zalaz, cervejaria com diversos rótulos, dentro da própria fazenda.

Quando falamos em sucessão familiar como importante passo para a continuidade dos bons projetos, retomar a conversa com Paulinho nos faz perceber que é possível avistar ao longe, em meio às árvores frondosas, os novos caminhos dos cafezais.

Como começou sua história no café?
Eu me formei em 1975 e em 1976 assumi a fazenda do meu pai, um ano antes de ele falecer. Entre 1977 e 1980, comecei a construir as coisas na fazenda e a plantar café. Com um ano e meio de trabalho, perdi toda a minha lavoura por causa de uma geada. O lugar não é baixo, mas perdi 20 mil pés. Não desisti. Fui plantar café no alto do morro e comecei a dividir a plantação em talhões. O primeiro talhão que plantei foi o Guatambu, que fica entre 1.000 e 1.200 metros, em 1982, sem veneno; a terra era boa, um dos fatores pra ter essa qualidade.

Como foi seu aprendizado com orgânicos?
Eu fui a um encontro, em 2000, de cafés orgânicos, em Machado, onde estava um antigo amigo de trabalho que era supervisor de adubo, o Alex. Conversando sobre o meu certificado, ele me falou de um treinamento que haveria e combinamos de ir. Fui à casa do Alex e no chão da casa dele tinha umas amostras de café para um concurso. Perguntei o que era e ele me incentivou, e mandei uma amostra do meu café faltando dois dias para se encerrarem as inscrições na BSCA. Uns quinze dias depois, recebi um telegrama que dizia que eu tinha sido aprovado na primeira fase do concurso e que precisava mandar 3 kg do café para a segunda fase. Liguei para o Alex para contar a novidade e eu o ouvia pulando do outro lado do telefone. Mandei as amostras. Descobri um lugar em Varginha para beneficiar. Na época eu já fazia terreiro suspenso e cereja descascado. Uns dias depois fui convidado a participar do encerramento do concurso. Classificaram dezoito cafés e eu fiquei com o primeiro lugar. Nunca imaginaria isso na minha vida. E eu de ônibus e não conseguia avisar minha família. Daí começou essa história maluca e minha vida mudou por completo. Em 2002 saiu meu Certificado Orgânico e comecei a dar muitas palestras e a passar o conhecimento pra frente.

Como estão os negócios agora?
O André, meu filho, formou-se em Engenharia Agronômica assim como eu, na mesma instituição, a Ufla. Trocamos muitas informações e conversamos bastante. Ele já faz parte da história porque eu estou deixando essa parte do café na mão dele. Há uns três anos estamos produzindo cafés fermentados, viajamos muito e nos aprimoramos também porque, do mesmo jeito que você ensina, você aprende. A fazenda tem cinco tipos de café hoje em dia; destes, 90% da safra de 2016 foi de cafés fermentados e o resto, natural. Para 2017 ainda vai ser definido o que faremos.

Como você faz café fermentado na seca vulcânica?
No preparo do café, eu coloco fermento nos tambores, controlando o pH. Quando chega ao pH desejado, acrescento os cafés cereja e coloco todos na estufa. Se a estufa apertar, já abro o terreiro e espero chegar ao ponto de vulcão. (O vulcão é um tipo de seca feita no terreiro. Ele ‘amontoa’ o café em formato vulcânico). Faço o processo de vulcão com qualquer tipo de café, mas nem sempre eu utilizo esse método. A grande vantagem do vulcão é aumentar o espaço de terreiro e diminuir o serviço, melhorando o aspecto do café. É um processo que eu acho muito legal e muito simples.

Qual a sua previsão para daqui a alguns anos?
Com o André me ajudando, minha previsão é colher umas 800 sacas daqui a uns três anos. Na safra atual colhi 200 sacas. Hoje, tenho dois clientes no Japão, um nos Estados Unidos e as cafeterias nacionais, às quais vendo microlotes, como Silvia Magalhães, Rause Café, Hoss Cafeteria, Aha! Cafés, 4 Beans, IL Barista, entre outros.

Você acha que esse mercado interno mudou?
Mudou muito. Em 2016 a procura por café especial foi muito grande. E, principalmente, pelo orgânico, que não tem muito.

É muito difícil manter o orgânico no Brasil?
Isso daí é princípio, é filosofia. É difícil porque as pessoas não embarcam nessa ideia de preservar a natureza. A pessoa que quer produtividade altíssima não vai entrar no orgânico porque, querendo ou não, a produtividade cai, mas também, hoje em dia, há muita tecnologia pra esse meio. Hoje existem muitos produtos que podem ser trabalhados no uso do orgânico. Falta o pessoal ter consciência e não pensar apenas em dinheiro. O pessoal acha que é muito difícil trabalhar sem usar venenos, mas não é; só é necessário se adaptar e mudar os hábitos. É preciso quebrar paradigmas e conceitos.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Mariana Proença • FOTO Marcelo Furquim

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Em homenagem, Fazenda Pessegueiro lança Museu do Café

Para homenagear o proprietário Clóvis Gonçalves Dias Filho, falecido em dezembro do ano passado, a Fazenda Pessegueiro irá lançar a pedra fundamental do Museu do Café Fazenda Pessegueiro durante à tarde do dia 22/7, sábado, no município de Mococa, na região de Ribeirão Preto (SP).

De acordo com um dos herdeiros da fazenda, o proprietário José Renato Dias, a expectativa para o lançamento da primeira pedra acima da fundação da construção é muito grande, uma vez que cada neto fará uma demonstração e respeito ao avô. “Meu pai foi o único brasileiro até hoje a receber o prêmio de sustentabilidade pela Associação Européia de Cafés Especiais na Grécia no ano de 2005. E ele sempre dizia que o homem precisa entregar a terra melhor do que ele recebeu”, disse.

A Fazenda Pessegueiro, iniciada em 1870, tem na cafeicultura a sua principal atividade, exercida pela família há seis gerações. A secagem e o preparo do café arábica oferece ao consumidor um produto diferenciado e de alta qualidade. Os proprietários adotam técnicas de conservação do solo e protegem as nascentes de água.

Na cerimônia será realizada uma breve apresentação da exposição fotográfica e do acervo histórico da fazenda, além da divulgação do projeto do Museu, previsto para ser aberto ao público em 2018. “A realização deste museu sempre foi uma vontade do meu pai. Com o seu falecimento, resolvemos eu e meus irmãos dar seguimento no projeto e torná-lo real, com o intuito de conservar e difundir a história desta fazenda que se mantém intacta até os dias de hoje”, contou Dias.

“Quem vier, assinará uma lista que vai para a pedra fundamental. Depois será possível ver a exposição de café de quase 150 anos e conhecer a fazenda: os móveis, os insumos utilizados, as carroças antigas”, comentou a funcionária administrativa do local, Tamires Cristina Santos. Um coquetel acontecerá em seguida.

Serviço
Evento: Lançamento da pedra fundamental do Museu do Café Fazenda Pessegueiro
Dia: 22/7, às 17h
Local: Fazenda Pessegueiro, Mococa – Ribeirão Preto (SP)

TEXTO Camila Cechinel • FOTO Divulgação

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Iniciativa da Starbucks prevê renovação de lavouras

A Starbucks, grande rede americana de cafeterias, está com uma iniciativa para ajudar na renovação de velhas lavouras.

No projeto One Tree For Every Bag (uma árvore para cada pacote), a empresa se comprometeu a doar uma muda para cada pacote de café vendido, distribuindo, de acordo com as expectativas, 100 milhões de mudas de café para produtores até 2025. A iniciativa já foi colocada em prática após a rede doar o primeiro lote, 10 milhões de mudas, no ano passado.

Como se sabe, a idade do cultivo reduz a produtividade das plantas, deixando-as mais susceptíveis ao ataque da ferrugem, doença que causou prejuízos aos cafeicultores do Médico e da América Central. O ideal é que as lavouras sejam renovadas há cada 20 ou 25 anos, porém, muitos produtores não possuem dinheiro para realizar a renovação. A empresa, que já trabalha com viveiros no México, Guatemala e El Salvador, pretende agora ampliar o projeto para outros países.

O destaque faz parte das análises da conjuntura nacional e internacional da cafeicultura, em três seções temáticas: Produção, Indústria e Cafeteria, do Relatório Internacional de Tendências do Café, divulgado pelo Bureau de Inteligência Competitiva do Café, da Universidade Federal de Lavras (UFLA).

(Texto publicado originalmente no site CaféPoint)

TEXTO Redação • FOTO Paula Rúpulo

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Certificação de qualidade dos cafés do Cerrado será lançada na Europa

Entre os dias 13 e 15 de junho, a Federação dos Cafeicultores do Cerrado irá lançar para a Europa a primeira Denominação de Cafés do Brasil.

Chamada de Denominação de Origem Região do Cerrado Mineiro, a indicação tem como objetivo certificar os cafés de qualidade produzidos na região, garantindo que estes contenham as características presentes apenas no território do Cerrado.

A identificação desses cafés pode ser feita através do selo que cada lote e embalagem possuem, permitindo a rastreabilidade online. Através disso, é possível saber como e quando o café foi produzido, além da história do produtor.

O evento, que acontecerá na cidade de Budapeste, na Hungria, deve contar com mais de 6 mil pessoas, entre produtores, cooperativas, parceiros, exportadores, importadores, torrefadores e baristas.

O lançamento ocorrerá durante a World of Coffee, uma das mais importantes feiras voltadas ao café, realizada pela Specialty Coffee Association (SCA), onde a Federação estará com um estande para desenvolver quatro tipos de cuppings, que abordarão: as nuances em cafés do Cerrado Mineiro, a apresentação das microrregiões da Região, a apresentação dos cafés premiados na última safra e a exposição dos cafés da nova safra.

Segundo o Superintendente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Juliano Tarabal, a principal mensagem das ações da instituição na cerimônia é: “café produzido com atitude”, se referindo a uma bebida rastreável e de alta qualidade, características que marcam os 4.500 produtores da Região. “O maior valor do Cerrado Mineiro são os produtores. Todo nosso material de marketing envolve a história de vida deles, relacionadas à cafeicultura”, explica.

A Denominação de Origem Região do Cerrado Mineiro foi conquistada em dezembro de 2013. No ano seguinte, o lançamento aconteceu no Estados Unidos, com o objetivo de gerar percepção para o mercado comprador, posicionando a Região em diversas mídias internacionais. Agora, em Budapeste, a intenção é institucional, com foco em criar conexão com o mercado, promovendo e gerando demanda para a Denominação de Origem, explicando aos europeus que toda e qualquer produção de café com este título tem Selo de Origem e Qualidade, com a rastreabilidade do café, fotos da propriedade, características do lote, entre outros.

“Escolhemos a feira de Budapeste para comunicar. Um café de 80 pontos é encontrado em qualquer parte do mundo, agora com a Denominação do Cerrado só se encontra na região, porque ele é único e exclusivo”, disse.

Café da manhã para lançamento oficial
Uma segunda ação da Federação na ocasião será a realização de um café da manhã nas dependências da Hungexpo, local de realização da feira, no dia 14 de junho. Na ocasião, estarão presentes visitantes de Budapeste e o público convidado, ligados à cadeia produtiva do café.

“As ações de lançamento não se restringem apenas aos dias da feira. No dia 16 estaremos na cafeteria Espresso Embassy, promovendo uma degustação com cafés do Cerrado Mineiro para baristas, torrefadores e coffee lovers”, finalizou.

(Texto publicado originalmente no site CaféPoint)

TEXTO Camila Cechinel • FOTO Alexia Santi/Agência Ophelia

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Evento propicia experiência de colheita em São Paulo

Na próxima quarta-feira (24/05) acontecerá a 12ª edição doSabor da Colheita, realizada no cafezal do Instituto Biológico, na Vila Mariana (SP), a partir das 10h. A festa, aberta ao público, ocorre desde 2006 entre os meses maio e junho e marca o início da colheita do café no Estado.

Quem participa do evento vivência a experiência de retirar, com as próprias mãos, os grãos de café amadurecidos. Acompanhados de técnicos que fornecem orientações de como colher o fruto, os integrantes recebem óculos de proteção, luvas, chapéu, avental, peneiras e balaios.

Depois da colheita, o café é torrado, moído e embalado, chegando a 500 quilos por ano. Toda a produção é doada para o Fundo de Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural do Estado, que distribui para as entidades cadastradas.

A comemoração é organizada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, pela Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios da Secretaria (Codeagro) e pela Câmara Setorial do Café.

Sobre o cafezal
Os pés de café plantados no Instituto Biológico tiveram início na metade da década de 50, para facilitar o monitoramento de pragas e preservar a memória da instituição. Em um terreno de aproximadamente 10.000 m², o cafeeiro é composto por dois mil pés de café-arábica, das variedades catuaí e novo mundo, que resultam em uma produção anual de uma tonelada do grão, variando em função da bianualidade da cultura.

Atualmente, o cafezal é opção de turismo em São Paulo e tem caráter educativo.

Serviço
Evento: Colheita no Cafezal do Instituto Biológico
Data: 24 de maio
Horário: 10h00
Local: Instituto Biológico – R. Conselheiro Rodrigues Alves, 1.252, Vila Mariana – São Paulo/SP

(Texto publicado originalmente no site CaféPoint)

TEXTO Camila Cechinel • FOTO Érico Hiller

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Mercado de cafés é debatido por mulheres no Cerrado Mineiro

Mariana Caetano, à frente do Guima Café, e Mariana Proença, diretora de Conteúdo da Café Editora palestram nesta semana

A região do Cerrado Mineiro sedia mais um evento voltado para seus cafeicultores nesta semana. O Encontro de Inovação e Tecnologia para a Cafeicultura no Cerrado Mineiro, tem objetivo de contribuir no desenvolvimento da região e reunirá o público no Campo Experimental da Epamig, dia 27 de abril.

Para falar sobre um dos temas mais caros aos cafeicultores locais, foram convidadas duas mulheres que estão inseridas diretamente no mercado de cafés especiais. Mariana Caetano está à frente da Guima Café marca que reúne os grãos produzidos nas fazendas São Lourenço, Brasis e Santa Rita, na Região do Cerrado Mineiro, agora são Guima Café. Para dialogar com ela e o público local, Mariana Proença, diretora de Conteúdo da Café Editora, participa do debate Casos de sucesso de mulheres no mercado de cafés de alta qualidade. Veja, no vídeo abaixo, quais as abordagens que a palestrante preparou:


Com realização da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, junto com a Fundaccer e a Epamig, o encontro tem como meta contribuir através da integração da pesquisa e do setor produtivo, da geração de conhecimento aplicado e inovador, e da equalização do acesso ao conhecimento. O foco do evento é a promoção de estações, painel, minicursos, utilizando o amplo espaço do Campo Experimental.

Esta edição abordará tambémb temas como nematoides, qualidade de bebida dos materiais do Banco de Germoplasma e melhoramento genético, tendo como destaque a apresentação de uma nova cultivar da Epamig. “Nesta edição vamos apresentar a MGS Araponga 2, uma cultivar desenvolvida pela Epagmig que apresenta características muito importantes para a cafeicultura do Cerrado Mineiro, como a resistência a ferrugem, alta capacidade produtiva, boa qualidade para a bebida, além de ser uma planta com alto vigor”, disse o Dr. Gladyston Rodrigues de Carvalho, pesquisador da Epamig.

No dia, os participantes poderão percorrer cinco estações de campo com diversos temas. No período da tarde, haverá palestras com especialistas em três salas. No encerramento haverá um grande painel que reunirá nomes da cafeicultura debatendo sobre os caminhos para a produção de cafés de qualidade no Cerrado Mineiro.

Com apoio do Sebrae, Unicerp, Emater e Consórcio Pesquisa Café, Inova Café e patrocínio da Bayer, o encontro é gratuito. Os produtores fazer credenciamento para participação nas estações de campo e inscrição prévia para a participação nas salas e no painel, através do site do Cerrado Mineiro.

Programação completa:

ESTAÇÕES DE CAMPO

ESTAÇÃO 1
Apresentação da cultivar MGS Araponga 2 (fase de registro)

Dr. Gladyston Rodrigues Carvalho – EPAMIG
Dr. Cesar Elias Botelho – EPAMIG

ESTAÇÃO 2
Apresentação dos dados do Projeto Integra Cerrado Mineiro

Msc. José Márcio de Sousa Júnior – Fundaccer
Dr. João Paulo Felicori Carvalho – Fundaccer

ESTAÇÃO 3
Potencial do Banco de Germoplasma para o melhoramento genético

Dr. Antônio Alves Pereira – EPAMIG
Dr. Antônio Carlos Baião de Oliveira – Embrapa

ESTAÇÃO 4
Nematóides na cafeicultura do Cerrado

Dra. Sônia Maria Lima Salgado – EPAMIG
Dr. Willian César Terra – Pós-doutor Fapemig

ESTAÇÃO 5
Nova tecnologia para manejo de plantas daninhas

Dr. Elifas Nunes de Alcântara – EPAMIG
Paulo Ferreira – Bayer
Marcello Vilela – Bayer

Horário:
Credenciamento a partir das 07h30. Visitação das 08h30 às 12h30.

SALAS (inscrição prévia)

SALA 1
Classificação física e origem dos defeitos do café

Professor Aquiles Júnior da Cunha – Unicerp
Professora Sandra Moraes – Unicerp/Expocaccer

SALA 2
Casos de sucesso de mulheres no mercado de cafés de alta qualidade

Mariana Caetano – Guima Café
Mariana Proença – Diretora de Conteúdo da Café Editora

SALA 3
Boas práticas agrícolas: manejo de doenças e pragas do café

Msc. Vicente Luiz de Carvalho – EPAMIG
Dr. Júlio César de Sousa – EPAMIG
Dr. Rogério Antônio Silva – EPAMIG

PAINEL (inscrição prévia)
Horário: 14h às 16h30.

CAMINHOS PARA A PRODUÇÃO DE CAFÉS DE QUALIDADE NO CERRADO MINEIRO
Moderador: 
Professor Luiz Gonzaga de Castro Júnior – Inovacafé – UFLA

Apresentação do Relatório da Safra 2016/2017 do Cerrado Mineiro
Juliano Tarabal – Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro

Potencial de qualidade de bebida dos materiais genéticos do Banco de Germoplasma de Patrocínio
Dr. Marcelo Ribeiro Malta – EPAMIG

Cafés de alta qualidade, qual caminho para produzi-los?
Tiago Castro Alves – Produtor – Fazenda Barinas

Importância da inovação para o mercado de cafés de qualidade
Geórgia Franco – Lucca Cafés Especiais

TEXTO Redação • FOTO Mariana Proença/SIC

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Um Só Caparaó

Escalando ladeiras íngremes, cafés da Serra do Caparaó chegam ao topo da qualidade e têm proporcionado a união entre os produtores.

Lá em cima, os cafés da região do Caparaó. Os cafeeiros vivem a mais de mil metros. Os produtores colhem ladeira acima. Os técnicos também escalam. Os provadores sobem as notas lá para o topo. Os cafés da região do Caparaó estão metade de um lado, metade do outro. Os cafeeiros, com talhões em Minas Gerais e talhões no Espírito Santo. Cafeicultores, com sítios nos dois estados. Os técnicos, os provadores, todos capixabas e mineiros. A força do Caparaó não é bruta, mas, de grão em grão, se soma. Cada passo na região é um degrau acima na ladeira. Também é um passo para o lado. Divisa entre estados, a região tem características próprias que são motivo de união. “Aqui não tem muito isso de capixaba ou mineiro. Nós somos do Caparaó”, explica o produtor Fábio Protazio de Abreu, que cultiva no Sítio Forquilha Café, em Espera Feliz (MG). Mas ele também tem talhões em Dores do Rio Preto (ES). “É o rio que corta a propriedade e a divide entre os dois municípios, eu tenho café dos dois”, diverte-se.

Cortando o Caparaó, o Rio Preto divide os municípios de Espera Feliz (MG) e Dores do Rio Preto (ES)

As duas realidades se completam e, em meio ao Parque Nacional do Caparaó, seus maiores símbolos se mostram, imponentes. O Pico da Bandeira, com seus 2.892 metros de altitude, o terceiro mais alto do País, e, entre os produtores, a Pedra Menina, a 2.037 metros. “O ponto mais alto de cafeicultura que acompanhamos está a 1.400 metros. Já temos produtores querendo levar a 1.500 metros”, revela João Batista Pavesi, professor do Ifes-Campus de Alegre, no Espírito Santo.

É o instituto que atende boa parte da demanda por técnicos na região. Foi lá que surgiu o Curso de Tecnologia em Cafeicultura, o primeiro nesse formato no Brasil. Também nasceu lá a Caparaó Jr., empresa que conecta alunos orientados por professores para prestar serviço de agronomia e consultoria aos produtores.

Para a cafeicultura local, os últimos seis anos foram decisivos. Eles marcaram o início do ponto de virada dessa história. “Os concursos mostraram que tínhamos potencial. Depois que os cafeicultores do Caparaó ganharam por anos subsequentes, descobriram que o café era, de fato, muito bom”, conta Pavesi, que também orienta a empresa júnior.

Com esse incentivo, uma dúvida mudou o rumo do trabalho da Caparaó Jr., que até 2012 só atuava com manejo. “Foi o seu Manoel Protasio, pai do Fábio, quem me perguntou por que eles estavam ganhando concursos, se o café era mesmo bom, se aquilo era uma coincidência. Como saber o que os tornou campeões?”, lembra Pavesi. “Com essa pergunta, nós começamos a investigar o que o Caparaó tem”, completa.

Para a investigação, os pesquisadores criaram, em 2013, o projeto Grãos do Caparaó, e, por dois anos, fizeram investigações com o apoio do IFSULDEMINAS, câmpus Muzambinho, que avaliou a qualidade com três Q-Graders. “Nós selecionamos 110 propriedades e vasculhamos de ponta a ponta a estrutura e a condição socioeconômica do produtor, características de topografia, manejo e solo”, relembra Pavesi.

O pequeno produtor Fábio Protazio de Abreu cultiva suas terrar em conjunto com toda a família. Seu pai, Manoel Protasio, é um dos entusiastas do café especial do Caparaó

Da pesquisa à base
A pesquisa descobriu o que hoje muitos mais já sabem. “No primeiro ano, 94 cafés beberam 80 pontos acima. Por isso, hoje nós buscamos a Denominação de Origem para o Caparaó, porque a região mostra que existe, além do pertencimento, uma característica do café”, explica o professor.

A Denominação de Origem (DO) para o Café do Caparaó deve incluir, em princípio, quinze municípios localizados no entorno do Parque Nacional do Caparaó, sendo nove do Espírito Santo (Dores do Rio Preto, Divino de São Lourenço, Guaçuí, Alegre, Muniz Freire, Ibitirama, Iúna, Irupi e Ibatiba) e seis de Minas Gerais (Espera Feliz, Caparaó, Alto Caparaó, Manhumirim, Alto Jequitibá e Martins Soares). A iniciativa tem apoio do Sebrae.

Em Pedra Menina, distrito de Dores do Rio Preto, encontra-se a comunidade de Forquilha do Rio, que reúne produtores como o próprio Fábio e seu primo Afonso Lacerda. Em comum, eles têm também o rio, que corta as propriedades, e a vida de agricultores familiares, cujo trabalho diário nas lavouras divididas entre as famílias conta com esposas, pais e irmãos e agora o pódio do concurso Coffee of the Year de 2016, que aconteceu durante a Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte (MG). A competição é conhecida da Serra do Caparaó, que já tem Clayton Barrossa Monteiro, da Fazenda Ninho da Águia, como bicampeão.

Agora foi a vez de Afonso Lacerda sagrar-se campeão. Fábio alcançou o terceiro lugar. No Sítio Pedra Menina, Afonso produz 600 sacas por ano, sendo cerca de 80% de cafés especiais. No processo, ele cuida da lavoura, e sua esposa, Altilina Lacerda, trabalha com o desafio que a família decidiu encarar: a torra dos cafés. Assim, eles passaram a investir no marketing do seu produto enquanto o viam nascer nos cafezais. “Criar nossa própria marca foi um avanço bacana para alavancar a identidade, daí o nome Café Forquilha do Rio”, conta o produtor.

O campeão, Afonso Lacerda, manteve o ciclo de vitória do Caparaó no concurso Coffee of the Year 2016

O passo culminou em novo investimento. Observando a oportunidade de turismo na região, os Lacerda decidiram abrir, em 2015, a Cafeteria Onofre, nome que homenageia o pai de Afonso. “Aqui, as pessoas podem ver a qualidade de nossos cafés. Normalmente gostam e compram, pois temos um grande fluxo de turismo”, revela.

Nas lavouras vizinhas, Fábio atua em parceria com a esposa, Hélia Luiz Vieira Abreu, que seca os grãos com cuidado. Eles veem agora seus frutos de catuaí vermelho e caparaó amarelo ser enaltecidos desde que o reconhecimento da região veio. “Este ano foi muito bom se ver valorizado! O turismo também está aumentando muito, estamos com até 50% mais por causa dos concursos.”

Além da porteira
Hoje, a região, que já precisou pedir auxílio de provadores de fora, conta com pelo menos sete Q-Graders. Entre eles, Jhone Lacerda, produtor e estudante do Ifes-Campus de Alegre. No Sítio Santa Rita, em Espera Feliz (MG), ao lado da esposa, do pai, da irmã e do cunhado, ele cultiva mundo novo, catuaí, catiguá, topázio, icatu, caturra, obatã, bourbon e caparaó amarelo. A última variedade é considerada nova pelos produtores e técnicos. “Nenhum fisiologista conseguiu identificar ainda”, pontua Jhone.

No sítio, o produtor e seu pai, Tarcísio Lacerda, desenvolvem mais do que cafés. Eles projetam novos equipamentos voltados para a qualidade. “Patenteamos um secador para microlotes feito de madeira reflorestada da propriedade. Mas, a todos os produtores que vêm aqui, nós explicamos como funciona e como ele pode montar um também. A ideia é difundir esse conhecimento mesmo”, conta.

Jhone e seu pai, Tarcísio Lacerda, secam em terreiro suspenso e produzem café fermentado

Com capacidade total de 30 mil litros e divisórias para separar os lotes, o objetivo da invenção é possibilitar a seca de microlotes em uma região que é muito úmida. A dupla também criou uma esteira para facilitar a separação dos grãos, e um software para medir a temperatura e criar um inovador perfil de fermentação.

Entre uma criação e outra, Jhone se dedica à prova. “Os outros produtores também costumam trazer café aqui e ajudamos. De quatro anos pra cá, dei seis minicursos de classificação e degustação na região. Já existe uma relação de produtor para produtor então a linguagem é a mesma”, pontua.

O trabalho se desdobra também na marca própria, a Sítio Santa Rita, e o espaço onde servem os grãos, A Cafeteria. Ambos ficam sob os cuidados da irmã de Jhone, Miriam, e seu marido Fred Ayres. “Nós fazemos experiências com fermentação e damos um nome especial a cada lote, de acordo com a característica que apresenta na prova. Toda a parte de identidade da marca é com o Fred”, conta Jhone, sobre a divisão na família que respira café em todas as pontas.

Miriam e Fred Ayres

Conhecida na região, Cecilia Nakao, Q-Grader, também guiou Afonso e sua família em seus primeiros passos na arte da torra. Para ela, a relação com o Parque do Caparaó se iniciou ainda em 2004. “Comecei com turismo, quando inauguramos a Pousada Villa Januária. Na propriedade, já havia um pé de café, então isso despertou a vontade de trabalhar com café”, conta.

Ainda em 2005, ela decidiu seguir sua intuição. “Sem entender direito, já imaginava que tinha um microclima específico e que podia trabalhar com qualidade e fazer experimento. Fui uma das primeiras a tentar colheita seletiva e usar descascador manual.”

As experiências abriram caminho para ideias que pudessem caminhar com a identidade local. “Comecei a fazer a cultura orgânica. Como a gente vivia direto no Parque do Caparaó, fazia mais sentido”, conta ela, que oferece grãos para os consumidores e fica próxima à entrada do Parque. Cecilia criou amplo contato com os cafeicultores familiares que a rodeiam. “Eles são tidos como guardiões do parque, porque as propriedades formam um cinturão e os produtores têm agricultura sustentável. A presença deles inibe a entrada de madeireiros ou caçadores”, afirma.

Cecília Nakao

Um dos produtores em quem Cecilia viu potencial, Edson Abreu Oliveira, de 27 anos, o Edinho, também teve seu produto destacado em um concurso, mas de maneira diferente. Ele é dono do café do Sítio Oliveira, utilizado por Lucas Salomão, vencedor da 5ª Copa Barista, ainda durante a Semana Internacional do Café (SIC), neste ano.

“Eu comecei há cerca de quatro anos a mexer com cafés especiais. Nós tivemos a ajuda da Associação de Produtores Rurais de Pedra Menina, que ganhou um descascador comunitário grande. Então, começamos a processar esses cafés”, revela Edinho.

Vendo a vitória de conterrâneos, ele sentiu-se incentivado a prosseguir com a produção, que hoje rende de 15 a 20 sacas de seletiva por ano. “Os meninos do seu Onofre começaram a ganhar todas as premiações. Então os olhos do mundo se voltaram para lá nos cafés especiais. Isso incentivou os produtores, começamos a trabalhar e estamos na luta!”

Edson Abreu em sua lavoura, onde realiza colheita seletiva

Do sonho ao reconhecimento, os grãos do produtor foram comprados por Cecilia, passaram pelas mãos dos torrefadores da Wolff Café, para depois chegarem ao barista e, por fim, vencerem a competição. “Eu conheci o Lucas e ele falou que o café ficou espetacular, com notas sensoriais muito altas”, afirma Edinho. As histórias se entrelaçam pela força da região em busca da qualidade.

As flores de março
Dos laços estabelecidos entre os produtores, a colheita se destaca pela vivacidade. “Buscamos colher seletivamente, porque, para nós, que somos familiares, compensa. Conseguimos apanhar os frutos bem maduros”, conta Afonso. A colheita acontece com intensidade na região entre os meses de junho e novembro, explica Pavesi. “De 2014 pra cá, o valor do fruto advindo da florada de março – colhido agora em novembro – vem crescendo”, revela.

O professor João Batista Pavesi acompanhou de perto o desenvolvimento da região e busca hoje reunir informações para o Caparaó conquistar a Denominação de Origem

O cafeeiro tem floradas entre setembro e outubro no Caparaó, mas, quando chega março, o fruto que estava no pé, ainda aquoso, ganha a companhia de novas flores. Até 2014, o professor conta que todo o café era derriçado quando se colhia o café da florada tradicional, e esse frutinho menor não era utilizado.

Agora, a realidade mudou e o que era problema se tornou solução. “Os produtores começaram a levar esses cafés da ponta do ramo, colhido em novembro, para concurso e degustação e ele chamou atenção. O Japão está comprando também”, completa Pavesi.

Edinho, por exemplo, tem na florada de março de seu catuaí vermelho a maior expectativa da safra, que colhe apenas em novembro. “Modifica-se a colheita para ser mais lenta, mas paga-se mais e, como o café começou a ter uma aceitação, isso está mudando tudo aqui. É uma pedra preciosa”, pondera o professor.

Só pela Caparaó Jr. são 1.670 propriedades atendidas, com perfil de agricultura familiar, e média de 100 a 200 sacas ao ano. Identificar o que compõe a região tem sido a prioridade dos envolvidos na cadeia local, de produtores a pesquisadores. “Nós temos hoje uma ideia melhor a respeito de altitude, umidade, temperatura, precocidade na colheita e colheitas tardias”. Os resultados vêm apresentando componentes de ambiente, topografia, planta, manejo e clima que proporcionam qualidade. A força da região, cercada por Mata Atlântica, picos e pedras, conhece agora o potencial da união de histórias e sonhos.


(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Thais Fernandes • FOTO Bruno Lavorato

Cafezal

Projeto conecta produtores e cafeterias

Esta semana ocorreu o lançamento do projeto Cafés Autorais, uma parceria entre a Federação dos Cafeicultores do Cerrado, o Sebrae e a Mundo Café.

Com o intuito de fomentar o consumo de café com origem controlada e de alta qualidade, o projeto funciona da seguinte maneira: três cafeterias de Uberlândia (MG) são levadas a três fazendas da região, participando de todo o processo de colheita, seca e benefício dos grãos.

As cafeterias que partilharam dessa experiência foram a Café Calin, Cafeteria Pede Café e Café D’Casa, e as fazendas foram Serra Negra e Congonhas, ambas da cidade de Patrocínio, e Dona Neném, de Presidente Olegário.

No ano passado, os empreendedores dos estabelecimentos foram às fazendas para selecionar e colher os grãos manualmente juntamente com o produtor, escolhendo o processo de secagem e beneficiamento do café. Após isso, cada produtor junto com cada cafeteria colheu um microlote com 30 quilos do grão, resultando em três variedades com sabor e aromas exclusivos.

Após todo o processo de beneficiamento, as amostras foram enviadas à Federação dos Cafeicultores do Cerrado, onde ganharam o Selo de Origem e Qualidades dos lotes. Os três cafés pontuaram acima de 80 na escala SCAA (Associação Americana de Cafés Especiais), recebendo a chancela da Denominação de Origem Região do Cerrado Mineiro.

Os cafés passaram por um desenvolvimento do perfil de torra para atingirem as melhores características de sabor, aroma e acidez. A responsável por esse processo foi a barista e mestre de torra Paula Dulgheroff, da Mundo Café. Segundo ela, o processo de torra será feito de acordo com a demanda, não torrando os 30 quilos de uma vez. Assim, conforme o café for sendo vendido para o consumo na loja ou para uso do cliente, ele vai sendo torrado, fazendo com que sempre fique fresco.

Na visão das cafeterias, o projeto acrescentou muito, visto que agora elas não levam apenas o café até seus clientes, mas sim toda a história e conhecimento por detrás dele. “Esse projeto nos proporcionou um conhecimento mais avançado sobre café, não fazia ideia do quão é delicado o processo de colheita e seleção”, disse Ana Lívia, do Café D’Casa.

Para as fazendas, a iniciativa foi aprovada. “Foi uma experiência incrível. Acreditamos que iniciativas como esta sugerem um pensamento diferente na cabeça do consumidor, ele encontra não só uma xícara de café, mas também as histórias e as experiências únicas”, afirma o produtor Gustavo Ribeiro, da Fazenda Congonhas.

De acordo com o Sebrae, a ação foi uma oportunidade para que cafeterias e consumidores tivessem acesso a cafés de alta qualidade, valorizando a origem e fazendo a integração dos elos da cadeia (produtores, cafeicultores, chegando ao consumidor final). Segundo a analista do Sebrae na região do Cerrado Mineiro, Naiara Marra, a entidade pretende expandir o projeto para todo o Brasil, tendo foco na geração de demanda e disseminação da denominação de origem do Cerrado Mineiro.

Uma nova edição do projeto será trabalhada para expandir nas cafeterias de todo o Brasil ainda em 2017, segundo os organizadores.

Cafés Autorais:

Café Calin (Fazenda Serra Negra – Patrocínio – produtor André Nakao): café da variedade IAC 125 RN (IBC 12). Os grãos ficaram armazenados por 24 horas, passando por um processo de fermentação a seco, posteriormente, foi feita uma seca lenta, em terreiro aberto.

Características da bebida
Fragrância: frutas amarelas maduras, papaia e mel
Sabor: notas de frutas amarelas tendendo a papaia
Finalização: longa e suave
Acidez: média
Corpo: acentuado

Cafeteria Pede Café (Fazenda Congonhas – Patrocínio – produtor Gustavo Ribeiro): café da variedade catuaí amarelo. Foi feita uma seca lenta, chamada “grão a grão”, que é quando eles ficam bem esparramados, em uma fina camada, em terreiro sem cobertura;

Características da bebida
Fragrância: notas de amêndoas tostadas
Sabor: doce, açúcar caramelizado e avelãs
Finalização: mediana e agradável
Acidez: baixa
Corpo: cremoso

Café D’Casa (Fazenda Dona Nenem – Presidente Olegário – produtor Eduardo Pinheiro Campos): café da variedade catuaí vermelho. O café foi seco com redução da intensidade solar protegido por um sombrite, em caixa de nanolotes.

Características da bebida
Fragrância: notas delicadas de chá de cidreira
Sabor: doce, castanhas e mel de flor de laranjeira
Finalização: longa e delicada
Acidez: cítrica e mediana
Corpo: denso e viscoso

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Divulgação

CafezalMercado

Torrefadora italiana realiza seminário sobre inovações do cafeicultor

Nesse ano será realizado o 18º Seminário anual da illycaffè e Università Del Caffè Brazil, no dia 16 de março, na Sala da Congregação da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.

Nos destaques estão a Webinar, que terá como tema “Fazendo mais e melhor: inovações no agronegócio café”, onde o assunto será as inovações desenvolvidas pelo cafeicultor em sua fazenda e as palestras do Dr. Andrea Illy, presidente da illycaffè, e do Prof. Dr. Decio Zylbersztajn, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade/Universidade de São Paulo e fundador do PENSA/FIA.

seminário illycaffè

Conhecida no mundo do café por ter sido a precursora do espresso, a illycaffè possui parcerias que visam a qualidade e a sustentabilidade. Com grãos de nove origens diferentes, incluindo o Brasil, são consumidas mais de 7 milhões de xícaras de café illy por dia em mais de 140 países.

As inscrições são gratuitas e, para aqueles que se inscreverem antecipadamente, o Webinar estará disponível na internet com links em português e inglês. Ver abaixo.

No mesmo dia será realizada a 26ª edição do Prêmio illy de Qualidade do Café para Espresso, em São Paulo. A premiação contará com a presença de alguns cafeicultores nacionais finalistas do concurso, autoridades do segmento, convidados internacionais e parceiros da multinacional italiana, além do Presidente e do CEO da illycaffè para fazer a entrega dos prêmios.

Para se inscrever no Webinar e/ou mais informações, clique aqui.

 

TEXTO Redação • FOTO Lucas Albin/Agência Ophelia